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Ibovespa tem menor fechamento em 77 meses; dólar e DI voltam a disparar

Mercado começa a semana no vermelho em meio a queda nos lucros industriais chineses, que derrubou commodities pelo mundo

Ações

SÃO PAULO - Em sua 7ª queda seguida, o Ibovespa atingiu seu menor fechamento desde 7 de abril de 2009, quando terminou a 43.824 pontos. O principal índice de ações da bolsa brasileira caiu 1,95%, a 43.956 pontos nesta segunda-feira (28). Além do cenário político instável que permanece no Brasil, os investidores mostram aversão ao risco após dados negativos da indústria chinesa e sinais mais evidentes de que os EUA devem subir juros ainda este ano, contaminando também as bolsas internacionais. O volume negociado neste pregão foi de R$ 5,411 bilhões.

Contribuindo ainda mais para o dia negativo, o diretor-executivo da Fitch, Rafael Guedes, disse durante a tarde em evento em São Paulo que um corte de rating do Brasil pode ocorrer a qualquer momento. No entanto, ele disse que a agência não costuma cortar a nota de risco de um País em mais de um degrau de cada vez. Lembrando que ao contrário de Moody's e S&P, a Fitch ainda mantém o Brasil dois níveis acima do grau de investimento.

O dólar comercial, por sua vez, teve forte alta de 3,36% a R$ 4,1095 na venda, ao passo que o dólar futuro para outubro avançou 2,84% a R$ 4,098. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 subiu 57 pontos-base, a 16,17%, enquanto o DI para janeiro de 2021 teve alta de 57 pontos-base, a 16,36%.

"O cenário externo puxou as ações que têm influência no Ibovespa. Um recuo das commodities puxou Vale e Petrobras, também influenciadas pelo temor do investidor da Glencore por causa das dívidas da mineradora europeia", disse o economista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger. Brugger completou que o olhar sobre o crescimento mais fraco do mundo em geral contribuiu para a queda da Bolsa neste pregão. Os investidores esperam por cinco discursos de representantes regionais do Federal Reserve, inclusive da presidente da instituição Janet Yellen, que ocorrerão ao longo da semana.

Destaques da Bolsa
Das 64 ações que compõe a carteira teórica do Ibovespa, 10 caíram mais de 4% e nenhuma subiu mais de 1%. Os papeis da Vale (VALE3, R$ 16,59, -7,47%; VALE5, R$ 13,19, -7,37%) fecharam em queda em meio à baixa nas cotações internacionais do minério de ferro. A commodity spot com entrega no porto de Qingdao caiu 0,21% a US$ 56,86. As commodities em geral tiveram queda no mundo inteiro depois dos dados fracos dos lucros industriais de empresas chinesas. 

Acomapanhando a baixa das ações, o lucro das maiores empresas do setor industrial da China teve queda de 8,8% em agosto ante igual mês do ano passado, após recuar em ritmo mais moderado em julho, de 2,9%, em meio à desaceleração da segunda maior economia do mundo, segundo dados publicados pelo Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês) do país. Os ganhos de companhias da indústria chinesa com receita anual superior a 20 milhões de yuans totalizaram 448,1 bilhões de yuans em agosto, de acordo com a agência de notícias Xinhua. 

Outra blue chip que caiu forte foi a Petrobras (PETR3, R$ 7,67, -5,07%; PETR4, R$ 6,44, -5,57%), que repercutiu as quedas de commodities. O barril do petróleo Brent para dezembro caiu 2,53% a US$ 47,37. 

O setor financeiro, que é o de maior peso no Ibovespa, fechou em queda com Bradesco (BBDC3, R$ 23,24, -2,96%; BBDC4, R$ 21,14, -2,49%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 14,49, -4,98%) caindo mais de 2,5%. Além delas, os papeis do Itaú (ITUB4, R$ 26,03, -0,08%) e Santander (SANB11, R$ 12,79, -2,14%) também caíram.

Já as ações da Cielo (CIEL3, R$ 34,69, -3,48%) caíram em meio à notícia de que o Safra vai concorrer com a Cielo e Rede no segmento chamado de adquirência, mas conhecido popularmente como das maquininhas de cartão, segundo fontes ouvidas pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Com a queda, os papéis voltam para a mínima desde fevereiro deste ano. Da máxima histórica (alcançada em 21 de julho), quando era negociada a R$ 45,93, as ações já caíram 23,5% até hoje.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 OIBR4 OI PN 2,92 -7,59 -66,09 6,94M
 VALE3 VALE ON 16,59 -7,47 -21,77 126,52M
 VALE5 VALE PNA 13,19 -7,37 -28,71 436,44M
 SMLE3 SMILES ON 28,20 -6,00 -36,41 29,89M
 BRAP4 BRADESPAR PN 8,16 -5,66 -39,97 19,86M

Do lado das altas, apenas 12 das 64 ações subiram. Os papeis da Rumo (RUMO3, R$ 5,85, +0,86%) atuaram como a maior alta do índice e mesmo assim não chegaram a subir 1%. Acompanharam as ações: a exportadora Embraer (EMBR3, R$ 25,43, +0,71%) e a companhia de infraestrutura, Ecorodovias (ECOR3, R$ 5,87, +0,69%).

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 RUMO3 RUMO LOG ON 5,85 +0,86 -66,50 22,57M
 EMBR3 EMBRAER ON 25,43 +0,71 +4,67 41,36M
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 5,87 +0,69 -42,08 9,51M
 RENT3 LOCALIZA ON 24,76 +0,65 -29,61 25,26M
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 11,07 +0,64 +24,94 15,52M


As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1Vol 30d1Neg 
 VALE5 VALE PNA 13,19 -7,37 436,44M 376,81M 45.673 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 26,03 -0,08 394,74M 555,93M 32.894 
 CIEL3 CIELO ON 34,69 -3,48 359,83M 175,71M 17.861 
 BBDC4 BRADESCO PN 21,14 -2,49 241,31M 325,86M 28.327 
 PETR4 PETROBRAS PN 6,44 -5,57 220,62M 439,72M 32.421 
 ITSA4 ITAUSA PN 7,02 +0,29 155,50M 208,62M 24.966 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 19,28 -0,10 150,66M 302,63M 16.029 
 BRFS3 BRF SA ON 69,68 +0,17 146,93M 199,80M 10.207 
 BBAS3 BRASIL ON 14,49 -4,98 134,00M 152,52M 25.854 
 VALE3 VALE ON 16,59 -7,47 126,52M 139,54M 15.474 

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão) 

Fed
O presidente do Federal Reserve de Nova York, William Dudley, afirmou que o banco central dos Estados Unidos continua no caminho para uma provável alta da taxa de juros neste ano, e pode fazer o movimento já na próxima reunião de outubro. Em um evento patrocinado pelo Wall Street Jounal em Nova York, Dudley afirmou estar confiante de que a fraqueza nas condições econômicas globais e que o dólar forte não vão manter permanentemente a inflação baixa nos Estados Unidos, ou deslocar a expectativa sobre a trajetória do aumento dos preços.

Ficou no radar também o discurso do presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, que afirmou estar aberto a dar início à alta da taxa de juros neste ano se a economia dos Estados Unidos melhorar o suficiente para justificar o movimento e desde que um caminho de aperto gradual seja seguido.

"Vou a essas reuniões, ouvirei os argumentos e vou fazer um balanço de todas as mudanças na perspectiva, na avaliação de riscos, quaisquer alterações no caminho do consenso esperado, e isso pode informar minha opinião", disse Evans disse a jornalistas após discurso.

Ele disse que é a favor de esperar até 2016 para o aumento da taxa de juros, hoje perto de zero, seguido por dois aumentos mais modestos até o fim do ano. "Não estamos distantes" do aumento na taxa, disse ele. O presidente do Fed de San Francisco, John Willians, começa a discursar às 18h00. 

Cenário externo
As bolsas asiáticas tiveram um dia misto nesta sessão, de olho novamente nos dados da economia chinesa. Os investidores permanecem cautelosos enquanto dados mostraram que os lucros das companhias industriais chinesas tiveram queda mais forte em quatro anos. Enquanto Xangai teve leve alta de 0,2% e Hang Seng subiu 0,43%, o japonês Nikkei liderou as perdas, com queda de 1,32%.

A agência disse na sexta-feira que o crescimento econômico da China será constante em geral no terceiro trimestre, com impacto limitado da queda do mercado acionário.

O cenário também era de cautela antes dos próximos anúncios de dados econômicos, incluindo o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) de indústria e serviços da China pelo Markit na quinta-feira e os números do mercado de trabalho fora do setor agrícola dos Estados Unidos na sexta-feira.

"Os investidores não vão assumir grandes posições até digerirem os resultados desses dados importantes, assim são esperadas nesta semana operações sem direção e com volume pequeno", disse o estrategista do Daiwa Securities Takuya Takahashi. "Se os dados forem melhores do que o esperado, o mercado provavelmente começará sua recuperação na próxima semana."

O dia foi de perdas mais fortes para as bolsas europeias, com os principais índices com queda entre 1,4% e 2,7% em meio aos dados industriais chineses, com as mineradoras registrando fortes baixas. O rendimentos dos treasuries e de títulos europeus caíram. Já as taxas dos papéis da Espanha foram destaques de queda após separatistas não conseguirem 50% dos votos na Catalunha.

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