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Vale cai 6%, Petrobras recua 4% e Ibovespa recua com fraqueza na China e cenário político

Mercado começa a semana no vermelho em meio a queda nos lucros industriais chineses, que derruba commodities pelo mundo; dólar volta a subir

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa opera em baixa nesta segunda-feira (28) seguindo a queda das bolsas internacionais. As ações europeias e os índices Dow Jones e S&P 500 recuam puxados por mineradoras com a queda dos lucros industriais na China. Do lado doméstico, a presidente Dilma Rousseff mostrou discurso alinhado com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e disse que o governo está "extremamente preocupado" com a alta do dólar e que o País tem reservas internacionais.

Às 14h38 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira caía 1,71%, a 44.064 pontos. Já o dólar comercial tem alta de 1,41% a R$ 4,0319 na venda, ao passo que o dólar futuro para outubro tem alta de 1,28% a R$ 4,035. O BC fez leilão de até 9.450 contratos de swap cambial para rolagem em outubro das 11h30 às 11h40, com resultado a partir das 11h50. Enquanto isso, o Tesouro Nacional vendeu até 150.000 NTN-F 2017-2025 e recompra até 1 milhão de NTN-F 2017-2025, das 11h00 às 11h30, com resultado a partir de 12h00.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 subia 37 pontos-base, a 15,97%, enquanto o DI para janeiro de 2021 tem alta de 24 pbs a 16,03%. 

Declarações de Dilma no fim de semana acenaram para o uso das reservas do Brasil para conter a depreciação cambial em curso. “O Brasil hoje tem reservas suficientes para que nós não tenhamos nenhum problema em relação a... Nenhuma disruptura por conta do dólar”, disse a presidente. Além disso, ela também falou que o governo terá uma posição bem clara e firme como foi a que o Banco Central teve ao longo do final da semana passada.

Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 oscilou de uma retração de 2,7% para uma de 2,8%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 9,46% este ano.

Política
Além disso, no cenário político, o governo espera derrota na avaliação das contas pelo TCU (Tribunal de Contas da União), segundo pessoa da equipe de governo com conhecimento direto do assunto ouvida pela Bloomberg. Apesar disso, Kátia Abreu se postou ao lado de Dilma e disse que não há substância para o impeachment. Ainda sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que vai fazer o seu papel e que não cabe a ele cuidar do tema.

Cunha ainda disse que é contra a volta da CPMF e que acha que a recriação do imposto não passa e, se passar, não será possível aprovar antes de julho de 2016. 

Destaques da Bolsa
As ações da Vale (VALE3, R$ 16,68, -6,97%; VALE5, R$ 13,34, -6,32%) operam em queda em meio à baixa nas cotações internacionais do minério de ferro. A commodity spot com entrega no porto de Qingdao caiu 0,21% a US$ 56,86. As commodities em geral têm queda no mundo interio depois dos dados fracos dos lucros industriais de empresas chinesas. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 OIBR4 OI PN 2,88 -8,86 -66,55 4,21M
 VALE3 VALE ON 16,72 -6,75 -21,16 72,74M
 VALE5 VALE PNA 13,35 -6,25 -27,84 274,84M
 BRAP4 BRADESPAR PN 8,15 -5,78 -40,04 12,90M
 SMLE3 SMILES ON 28,48 -5,07 -35,78 10,45M

 

Assim como elas, recuam os papéis da Petrobras (PETR3, R$ 7,77, -3,84%; PETR4, R$ 6,56, -3,81%), que também repercutem as quedas de commodities. O barril do petróleo Brent para dezembro cai 2,26% a US$ 47,50. 

As ações da Cielo (CIEL3, R$ 34,66, -3,56%) caem em meio à notícia de que o Safra vai concorrer com a Cielo e Rede no segmento chamado de adquirência, mas conhecido popularmente como das maquininhas de cartão, segundo fontes ouvidas pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Com a queda, os papéis voltam para a mínima desde fevereiro deste ano. Da máxima histórica (alcançada em 21 de julho), quando era negociada a R$ 45,93, as ações já caíram 23,5% até hoje.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 MRFG3 MARFRIG ON 6,77 +1,35 +10,98 5,46M
 EMBR3 EMBRAER ON 25,48 +0,91 +4,88 19,95M
 CSNA3 SID NACIONAL ON 4,04 +0,75 -21,83 16,32M
 RUMO3 RUMO LOG ON 5,83 +0,52 -66,61 2,81M
 MULT3 MULTIPLAN ON N2 41,47 +0,31 -11,55 24,90M
* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

Cenário externo
As bolsas asiáticas tiveram um dia misto nesta sessão, de olho novamente nos dados da economia chinesa. Os investidores permanecem cautelosos enquanto dados mostraram que os lucros das companhias industriais chinesas tiveram queda mais forte em quatro anos. Enquanto Xangai teve leve alta de 0,2% e Hang Seng subiu 0,43%, o japonês Nikkei liderou as perdas, com queda de 1,32%.

O lucro das maiores empresas do setor industrial da China teve queda de 8,8% em agosto ante igual mês do ano passado, após recuar em ritmo mais moderado em julho, de 2,9%, em meio à desaceleração da segunda maior economia do mundo, segundo dados publicados pelo Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês) do país. Os ganhos de companhias da indústria chinesa com receita anual superior a 20 milhões de yuans totalizaram 448,1 bilhões de yuans em agosto, de acordo com a agência de notícias Xinhua.

A agência disse na sexta-feira que o crescimento econômico da China será constante em geral no terceiro trimestre, com impacto limitado da queda do mercado acionário.

O cenário também é de cautela cautela antes dos próximos anúncios de dados econômicos, incluindo o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) de indústria e serviços da China pelo Markit na quinta-feira e os números do mercado de trabalho fora do setor agrícola dos Estados Unidos na sexta-feira.

"Os investidores não vão assumir grandes posições até digerirem os resultados desses dados importantes, assim são esperadas nesta semana operações sem direção e com volume pequeno", disse o estrategista do Daiwa Securities Takuya Takahashi. "Se os dados forem melhores do que o esperado, o mercado provavelmente começará sua recuperação na próxima semana."

O dia é de perdas mais fortes para as bolsas europeias, com os principais índices com queda entre 1,4% e 2% em meio aos dados industriais chineses, enquanto as mineradoras registram fortes baixas.

O rendimentos dos treasuries e de títulos europeus caem. Já as taxas dos papéis da Espanha são destaques de queda após separatistas não conseguirem 50% dos votos na Catalunha.

Lá fora, além dos dados da China, os investidores esperam por cinco discursos de representantes regionais do Federal Reserve, e da própria presidente da instituição Janet Yellen que ocorrerão ao longo da semana.

O presidente do Federal Reserve de Nova York, William Dudley, afirmou que o banco central dos Estados Unidos continua no caminho para uma provável alta da taxa de juros neste ano, e pode fazer o movimento já na próxima reunião de outubro. Em um evento patrocinado pelo Wall Street Jounal em Nova York, Dudley afirmou estar confiante de que a fraqueza nas condições econômicas globais e que o dólar forte não vão manter permanentemente a inflação baixa nos Estados Unidos, ou deslocar a expectativa sobre a trajetória do aumento dos preços.

Hoje, ainda terão declarações do presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, discursa às 14h30 e o do Fed de San Francisco, John Willians, às 18 horas.

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