Em mercados / acoes-e-indices

Ibovespa cai 1% com mercado zerando posições antes do fim de semana; dólar cai

Mercado ganhou volatilidade na medida em que o cenário político e a deterioração da macroeconomia voltaram a pesar

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em queda pela sexta vez consecutiva nesta sexta-feira (25), com investidores novamente mostrando que não querem manter posições durante o fim de semana em meio às expectativas de que o Brasil possa ser rebaixado a qualquer momento pela agência de classificação de risco, Fitch. A queda hoje se consolidou depois da divulgação dos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que mostrou números piores do que o esperado. Lá fora, as bolsas subiram depois da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, falar que a turbulência nos países emergentes não comprometerá o crescimento dos Estados Unidos.

A Bolsa brasileira teve baixa de 1,02%, a 44,831 pontos. O índice teve seu menor fechamento do mês voltando ao patamar de 25 de agosto. O volume financeiro negociado foi de R$ 5,501 bilhões. Com isso, na semana que ficou marcada pela forte volatilidade e pela desconfiança do mercado na possbilidade do governo conseguir passar as medidas de ajuste fiscal no Congresso, o índice acumulou perdas de 7,6%.

Já o dólar comercial registrou perdas de 0,39% a R$ 3,9757 na venda, enquanto o dólar futuro para outubro subiu 0,9% a R$ 3,982. O BC ofertou 20.000 contratos de swap cambial entre as 9h30 e as 9h40, além do leilão regular de até 9.450 contratos de swap cambial para rolagem em outubro das 11h30 às 11h40. A autoridade monetária ainda fez leilão de linha de até US$ 1 bilhão. Em conjunto com o BC, o Tesouro Nacional tem recomprado diariamente NTN-Fs para influenciar os juros para baixo. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 virou para alta de 15 pontos-base a 0,64%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 caiu 15 pb a 2%. 

Como motivo para o desempenho errático da Bolsa, além do cenário negativo interno, já que a crise política continua e os investidores ainda esperam um possível rebaixamento do rating brasileiro pela Fitch, contribui também a fala de Yellen de ontem. Segundo Ricardo Kim, analista da XP Investimentos, apesar de ter animado os mercados lá fora, uma vez que pôs de lado os temores com o crescimento da economia global, a chairwoman também deixou mais próxima a possibilidade de aumento dos juros nos EUA, que deve provocar uma queda no apetite por risco nos mercados internacionais. 

Às 9h30 foi divulgada a terceira prévia do PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA no segundo trimestre de 2015. Houve um avanço de 3,9% na atividade econômica do país. Acima dos 3,7% apurados pela segunda prévia e também acima da mediana das expectativas do mercado segundo a pesquisa Bloomberg, que era de 3,7% de expansão. O melhor desempenho da economia norte-americana também é um ponto que fortalece as apostas para um aumento de juros do Fed este ano. 

Voltando ao cenário doméstico, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, mostrou discurso alinhado com Tombini e disse que o uso das reservas internacionais para conter volatilidade é uma possibilidade. Anteriormente, o presidente do BC tinha dito: "a gente não contém alta (do dólar). A gente evita que os mercados deixem de funcionar bem. Para a gente é importante garantir a liquidez”.

Já o diretor de Assuntos Econômicos do BC, Luiz Awazu, disse que o componente fiscal pode desancorar expectativa de inflação e que é preciso fortalecer a política econômica e os fundamentos.

Caged
O Brasil perdeu 86,7 mil empregos em agosto, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) anunciados hoje. O resultado ficou muito pior do que a mediana das projeções da Pesquisa Bloomberg, que apontava para perda de 74.900 vagas de emprego.

O setor de indústria foi o que mais perdeu empregos, foram 47.944 vagas destruídas contra 4.111 no mesmo período do ano passado. Em segundo lugar, ficou o setor de construção civil que perdeu 25.069 vagas, contra a criação de 2.239 em agosto de 2014, já o comércio destruiu 12.954 empregos, ante a geração de 40.619 vagas no ano passado. No mesmo período, o setor de serviços empregou apenas 4.965 pessoas contra 71.292 ano passado, e a agricultura perdeu 4.448 vagas, ante 9.623 perdas em 2014.

Fed
Depois de Janet Yellen, o presidente da distrital do Federal Reserve em Saint Louis, James Bullard, voltou a pressionar hoje pela elevação das taxas de juros, ao dizer que o estado atual da economia norte-americana não exige mais juros de curto prazo em níveis próximos de zero. "Uma política monetária prudente, baseada nos princípios tradicionais de um banco central, começaria a normalizar as características da política gradualmente, uma vez que as metas...foram basicamente cumpridas", disse Bullard em discurso.

Bullard, que não vota nas reuniões de política monetária do Fed este ano, voltou a dizer que o BC norte-americano está mais perto de atingir o que busca nos campos de emprego e inflação. Sendo assim, defendeu ele, está na hora de tirar os juros das mínimas em que estão desde o fim de 2008.

Segundo o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Jr., a melhora em ativos de risco apesar do Fed indicar alta dos juros se deu porque historicamente, a alta das taxas não tende a elevar o dólar no primeiro momento, mas o dólar tende a subir 6 meses após o início do ciclo de alta dos juros. Além disso, a alta dos juros combate a ideia de economia global fraca.

Cenário político
No front político, o anúncio da reforma ministerial ficou para a próxima semana - provavelmente terça-feira. No primeiro momento, Dilma pretendia entregar aos peemedebistas apenas cinco ministérios, menos do que eles têm hoje, mas com a vantagem de levarem o cobiçado Ministério da Saúde e seus mais de R$ 100 bilhões de Orçamento. A composição, contudo não privilegiava o vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) e, alertada por Lula, ela aumentou a cota para seis pastas, desistindo de fundir a Aviação Civil com os Portos e segurando o deputado Eliseu Padilha na equipe. 

Ao mesmo tempo em que a reforma administrativa fica indefinida, o debate sobre o impeachment da presidente Dilma volta ao plenário da Câmara dos Deputados. Na semana que vem, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pode começar a despachar os pedidos de impeachment. 

Destaques de ações
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 8,08, -2,65%; PETR4, R$ 6,82, -2,01%) perderam força depois de ter registrado alta de mais de 2% nesta manhã, apesar da alta do petróleo do brent no mercado internacional, que subiu 0,60% a US$ 48,46. No radar da companhia, o Bank of America Merrill Lynch cortou sua projeção de crescimento da produção da Petrobras em 12,5% do período entre 2015 e 2019, para US$ 126 bilhões. Além disso, segundo informações da Bloomberg, a Fundação de Bill Gates está processando a Petrobras e PWC por esquema de corrupção.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 49,59 -4,62 -49,14 76,97M
 CSNA3 SID NACIONAL ON 4,01 -4,52 -22,41 45,57M
 RUMO3 RUMO LOG ON 5,80 -3,81 -66,78 23,96M
 USIM5 USIMINAS PNA 3,41 -3,67 -32,10 29,68M
 MRVE3 MRV ON 6,22 -3,57 -12,98 13,05M

 

As ações da Vale (VALE3, R$ 17,93, -2,82%; VALE5, R$ 14,24, -3,52%) perderam força e fecharam no negativo, apesar dos contratos futuros de minério de ferro na China terem registrado recuperação nesta sexta-feira, mas ainda apresentando a segunda queda semanal consecutiva, com a demanda mantendo-se fraca e comerciantes de aço tentando reduzir os seus estoques antes de uma semana de feriado nacional a partir de 1º de outubro. O minério de ferro para entrega em janeiro na bolsa de Dalian subiu 1,2%, fechando a 382 iuanes (US$ 59,93) por tonelada nesta sexta-feira. O contrato registrou baixa de 2,4% na semana.

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 HYPE3 HYPERMARCAS ON 14,98 +4,10 -10,03 43,83M
 HGTX3 CIA HERING ON 14,51 +3,50 -26,15 37,96M
 BRKM5 BRASKEM PNA 16,80 +3,45 +1,08 30,21M
 ELET3 ELETROBRAS ON 5,17 +3,40 -10,86 8,71M
 LAME4 LOJAS AMERIC PN 16,18 +2,67 -5,48 55,16M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1Vol 30d1Neg 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 26,05 -2,43 343,72M 570,95M 24.467 
 PETR4 PETROBRAS PN 6,82 -2,01 306,96M 446,67M 30.807 
 VALE5 VALE PNA 14,24 -3,52 300,16M 374,14M 29.601 
 BBDC4 BRADESCO PN 21,68 -2,30 216,14M 331,80M 21.456 
 ITSA4 ITAUSA PN 7,00 -2,10 214,60M 207,39M 54.811 
 JBSS3 JBS ON 16,83 +0,30 206,08M 167,96M 22.542 
 BRFS3 BRF SA ON 69,56 +0,39 199,77M 197,08M 12.564 
 CCRO3 CCR SA ON 11,49 +2,32 194,52M 101,29M 30.320 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 19,30 +0,94 171,44M 313,16M 16.815 
 PETR3 PETROBRAS ON 8,08 -2,65 136,42M 208,79M 16.782 

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão) 

 

A semana na Bolsa
O destaque de segunda-feira (21) ficou com as declarações do presidente da Câmara dos Deputados sobre as "pautas-bomba". Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que provavelmente o Congresso não irá derrubar os vetos presidenciais às “pautas-bomba”. Além disso, Cunha deve decidir sobre o pedido de impeachment feito pelo fundador do PT, Hélio Bicudo, no final de outubro, de acordo com informações da Veja. A análise, segundo a reportagem, deve começar pelos pedidos mais frágeis. Enquanto isso, o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, pediu para Cunha segurar os pedidos. As informações do Valor Econômico são de que Lula estaria assumindo a interlocução com o PMDB por ora.

Na terça-feira (22), do lado internacional, ficou a fala do presidente do Federal Reserve de Atlanta, Dennis Lockhart, que sinalizou que os juros do Fed podem subir este ano. “O Fed está tentando acalmar o mercado, mas está tendo o efeito oposto”, disse Bernard Aw, estrategista da IG Asia Pte em Cingapura. Por aqui, o destaque foi a reunião do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, com representantes da agência de classificação de risco, Fitch. O encontro aconteceu em meio a rumores de que um rebaixamento do rating brasileiro pela agência pode sair a qualquer momento. 

A Bolsa fechou estável nesta última quarta-feira (23) com a fala do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que deixou em aberto a possibilidade do governo usar as reservas internacionais para controlar o câmbio. Tombini falou em entrevista sobre o Relatório Trimestral de Inflação. Ele afirmou que o BC tem visto estabilidade nas previsões de inflação para 2016 e que a depreciação cambial dos últimos 12 meses pressiona o nível geral de preços no curto prazo. Ele ainda disse que a atuação da política monetária do governo deve ser tal que não adicione volatilidade ao mercado e reafirmou a estratégia de manter a Selic inalterada por um período prolongado. 

Após deixar em aberto por várias vezes as insistentes perguntas dos jornalistas sobre o uso das reservas internacionais para conter a alta do dólar, o presidente do Banco Central também acabou dando uma sinalização um pouco mais clara a respeito do seu pensamento sobre o uso dessa ferramenta. "As reservas são um seguro. Pode e deve ser utilizado", afirmou durante uma entrevista que surpreendeu os jornalistas por não estar agendada.

Lá fora, ficou no radar a fala da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen de que acredita ser "apropriado" para o banco central dos EUA aumentar as taxas de juros ainda neste ano. Em um discurso na Universidade de Massachusetts Amherst, Yellen disse que espera que a inflação voltará a 2% "ao longo dos próximos anos".

Yellen sustentou que o banco central teria de apertar a política em um "tempo hábil", acrescentando que o adiamento poderia levar a movimentos abruptos no mercado. Ela reiterou a posição do Fed de que o momento da primeira elevação importa menos do que fazer os movimentos seguintes gradualmente.

Cenário externo
As bolsas chinesas caíram nesta sexta-feira, lideradas pela venda generalizada de ações de empresas com menor valor de mercado, enquanto os principais índices terminaram a semana praticamente estáveis em meio à diminuição do volume de negócios.

Na Ásia, o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 1,61 por cento, para 3.231 pontos. O índice de Xangai caiu 1,62 por cento, para 3.091 pontos. Durante a semana, o resultado preliminar do Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria chinesa mostrou que a atividade do setor no país caiu ao nível mais fraco desde 2009, alimentando temores sobre a economia global, mas uma alta no preço dos imóveis pelo quarto mês seguido trouxe alguma tranquilidade.

Os volumes semanais caíram quase 80% desde o pico de julho, com as médias permanecendo em trajetória de queda com os investidores esperando sinais mais claros sobre o horizonte à frente.

Já o Nikkei subiu 1,76%, impulsionado pela demanda dos investidores por ações com desconto.

Nos EUA, as bolsas oscilaram entre perdas e ganhos com o Dow Jones subindo 0,70%, a 16.315 pontos, e o S&P 500 caindo 0,06%, a 1.931 pontos.

 

Contato