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Ibovespa zera perdas perto do fim do pregão com Tombini; dólar e DIs despencam

Mercado é chacoalhado por declarações de presidente do BC de que Selic vai se manter estável apesar do nível do câmbio

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O mercado mudou de vez de trajetória perto do fim do pregão desta quinta-feira (24) em meio à fala do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que deixou em aberto a possibilidade do governo usar as reservas internacionais para controlar o câmbio. Às 16h09 (horário de Brasília), o Ibovespa passava a operar em leve baixa de 0,03%, a 45.326 pontos. Enquanto isso, o dólar comercial tinha queda de 2,10% a R$ 4,0590 na venda, ao mesmo tempo em que o dólar futuro para outubro caía 3,01% a R$ 4,064.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 recuava 73 pontos-base, a 15,82%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 tem queda de 94 pbs, a 16,00%. Os limites de alta para os contratos DIs hoje são 17,27% no caso do DI para janeiro de 2017 e 17,60% no caso do DI para janeiro de 2021. O DI de janeiro de 2017 chegou a bater seu limite de alta no intraday. 

Hoje, o Banco Central oferta 20.000 contratos de swap, após atuação ontem fracassar em impedir salto de 3,2% do câmbio. Segundo informações do Estado de S. Paulo, o presidente do BC, Alexandre Tombini, deixou por duas vezes sua reunião com membros da Fitch ontem para coordenar a estratégia de política cambial. 

Às 11 horas, Tombini, começou a falar em entrevista sobre o Relatório Trimestral de Inflação. Ele afirmou que o BC tem visto estabilidade nas previsões de inflação para 2016 e que a depreciação cambial dos últimos 12 meses pressiona o nível geral de preços no curto prazo. Ele ainda disse que a atuação da política monetária do governo deve ser tal que não adicione volatilidade ao mercado e reafirmou a estratégia de manter a Selic inalterada por um período prolongado. 

Após deixar em aberto por várias vezes as insistentes perguntas dos jornalistas sobre o uso das reservas internacionais para conter a alta do dólar, o presidente do Banco Central acabou dando uma sinalização um pouco mais clara a respeito do seu pensamento sobre o uso dessa ferramenta. "As reservas são um seguro. Pode e deve ser utilizado", afirmou durante uma entrevista que surpreendeu os jornalistas por não estar agendada.

Segundo Ari Santos, trader da H. Commcor, o mercado enfrenta um dia de forte volatilidade causada pela aversão a risco. Para ele, são tantas notícias conflitantes que o investidor passa o dia sem saber se compra ou se vende. "Continuam os receios de rebaixamento por alguma agência de classificação de risco, o BC reduziu a previsão para PIB (Produto Interno Bruto), o nível de emprego piorou, as votações não foram concretizadas, apesar de se ver um avanço na questão dos vetos e não se sabe se terá impeachment. Então você não tem mais parâmetro no mercado", explica.

Indicadores
No RTI divulgado hoje, o BC mostrou que vê o cenário recessivo mais do que compensando impacto do câmbio na inflação. O BC elevou a previsão de IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ao fim de 2016 de 4,8% para 5,3% no cenário de referência do RTI e vê IPCA em 4% no terceiro trimestre de 2017. O BC ainda vê convergência da inflação em 2016 apesar da deterioração agravada pelo downgrade, mas o documento cita preocupação maior do investidor com perspectiva fiscal. 

Entre os indicadores brasileiros, também foi divulgada agora às 9h a PME (Pesquisa Mensal do Emprego) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que mostrou um leve avanço da taxa de desemprego de 7,5% em julho para 7,6% em agosto deste ano. Em relação a agosto de 2014, a alta foi de 2,6%. Segundo a pesquisa Bloomberg, a mediana das expectativas dos economistas era de que a desocupação fosse para 7,7%.

Tensão política
A tensão no ambiente político cresceu, com reflexos no mercado, quando o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) acenou com a possibilidade de afastamento de Dilma baseado em atos do primeiro mandato, a partir de uma provável decisão do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre as contas do governo. Cunha respondeu à questão de ordem da oposição com o rito necessário para o processo e disse que deve despachar pedidos a partir próxima semana. 

Ele ainda reforçou a sua posição de que o PMDB deve romper com o governo e disse que a tentativa da presidente Dilma Rousseff de oferecer cargos ao partido como forma de manter o apoio "não é a melhor forma de fazer". "A reforma ministerial é de iniciativa da presidente da República e o que ela vai fazer ou não vai fazer eu não sei. Continuo defendendo que meu partido, o PMDB, saia do governo e não que ocupe cargos", afirmou, segundo informações do Estado de S. Paulo.

Enquanto isso, o ex-presidente Lula aconselhou Dilma a adiar reforma ministerial e atender a pedidos do PMDB. Ele teria dito que é melhor perder ministérios do que a Presidência e a ideia é por nos ministérios quem tem voto e pode ajudar o governo no Congresso, de acordo com informações do Estado de S. Paulo. A Avaliação dos presidentes e líderes partidários é pessimista sobre a possibilidade da reforma ministerial resolver o problema de governabilidade.

Dilma cogita deixar de lado a fusão das Secretarias de Portos e Aviação Civil e deixar o PMDB com 6 pastas. Ela também ofereceu o Ministério das Comunicações ao PDT. 

Destaques de ações
As ações da Vale (VALE3, R$ 18,76, -0,74%; VALE5, R$ 14,87, -0,34%) registram mais um dia de queda, seguindo o cenário de maior aversão ao risco do mercado brasileiro e também em meio às preocupações com a economia chinesa. As preocupações de que um eventual aperto da política monetária dos Estados Unidos e a desaceleração do crescimento da China possam afetar a economia global assustaram os investidores, particularmente aqueles que investiram em ações e commodities.   

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 USIM5 USIMINAS PNA 3,66 +10,57
 CSNA3 SID NACIONAL ON 4,39 +7,86
 GGBR4 GERDAU PN 6,26 +6,10
 PETR4 PETROBRAS PN 7,06 +3,52
 PETR3 PETROBRAS ON 8,54 +3,39


 

 

Depois de cairem forte durante a maior parte da sessão os bancos como Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 26,63, +0,87%), Bradesco (BBDC3, R$ 24,53, +0,95%; BBDC4, R$ 22,04, +0,50%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 15,60, -0,64%) passam a operar entre perdas e ganhos. Juntas, estas três instituições financeiras respondem por mais de 20% do peso da carteira teórica do Ibovespa. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

 

Cód.AtivoCot R$% Dia
 RUMO3 RUMO LOG ON 6,01 -3,99
 SBSP3 SABESP ON 15,16 -3,13
 EMBR3 EMBRAER ON 25,35 -2,54
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA 18,87 -2,23
 FIBR3 FIBRIA ON 56,55 -2,16

Cenário externo
As bolsas asiáticas tiveram baixa em sua maioria nesta quinta-feira diante das preocupações com a China e os Estados Unidos, o que aumenta a pressão sobre os ativos de risco. Os mercados mantêm cautela antes da fala da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, que pode dar mais sinalizações sobre os próximos passos da autoridade monetária norte-americana. Yellen fala a partir das 18h (horário de Brasília). 

As preocupações de que um eventual aperto da política monetária dos Estados Unidos e a desaceleração do crescimento da China possam afetar a economia global assustaram os investidores, particularmente aqueles que investiram em ações e commodities. As ações de Xangai reduziram os ganhos e fecharam as operações com alta de 0,89%, refletindo como a confiança do investidor na economia permanece instável.

O Nikkei do Japão, que teve operações nesta quinta-feira pela primeira vez na semana após uma sequência de feriados nacionais. As ações das montadoras japonesas caíram em uma reação tardia ao escândalo da Volkswagen. "Os investidores ficarão cautelosos por enquanto. Os mercados irão se tornar mais estáveis apenas quando as incertezas sobre a economia da China e a política monetária norte-americana diminuírem", disse o estrategista sênior da Mitsui Asset Management Masahiro Ichikawa

As bolsas europeias também registraram fortes quedas, com destaque para a baixa de 1,92% do alemão DAX, enquanto o francês CAC 40 registrou uma queda de 194%. No noticiário corporativo, chama a atenção a recuperação das ações da Volkswagen de cerca de 7% em meio ao escândalo de fraudes nas emissões de poluentes, enquanto a BMW vê suas ações afundarem na bolsa hoje, chegando a ter baixa 8,6% após a revista Auto Bild dizer, em um relatório, que o modelo X3 da montadora alemã fraudou as emissões de forma semelhante à Volkswagen.

Entre os dados econômicos, boa notícia para a Alemanha: o ndice IFO clima de negócios na Alemanha superou as estimativas, mostrando resiliência da maior economia europeia.

 

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