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Ibovespa recua mais de 1% com incerteza política; dólar ameniza após bater R$ 4,00

Índice fecha em queda depois do Futuro ameaçar uma recuperação pós-rumor de rebaixamento da Fitch

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira (21) depois de passar a maior parte da sessão entre perdas e ganhos. As declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de que provavelmente o Congresso não vai derrubar os vetos presidenciais às “pautas-bomba” ajudaram, no entanto, as ações a ficarem longe das mínimas. Além do cenário político, com investidores preocupados com o envio das medidas do "pacotão" do ajuste fiscal, as notícias de que a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) deve ser elevada para 7% também ficaram no radar do mercado. 

A Bolsa brasileira teve queda de 143%, a 46.590 pontos. A queda hoje se acentuou depois do vencimento de opções sobre ações, que movimentou R$ 2,3 bilhões, sendo R$ 1,02 bilhão em opções de compra e R$ 1,28 bilhão em opções de venda. O volume financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 7,728 bilhões. Já o dólar comercial subiu 0,57% a R$ 3,9809 na venda, enquanto o dólar futuro para outubro registrou ganhos depois de abrir em queda, subindo 0,78% a R$ 3,993. No radar, o Banco Central oferta um leilão de linha após o câmbio bater R$ 3,96 na sexta-feira. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 subiu 20 pontos-base a 15,62%, ao mesmo tempo em que o DI para janeiro de 2021 teve alta de 13 pbs a 15,80%.

Lá fora continua a incerteza sobre a economia global após a decisão do Fomc (Federal Open Market Committee) de adiar a alta dos juros nos Estados Unidos na semana passada. As bolsas europeias subiram, mas os índices Dow Jones e S&P 500 fecharam estáveis. O presidente do Federal Reserve de Atlanta, Dennis Lockhart, disse que a alta dos juros nos EUA foi adiada porque os riscos aumentaram, mas manteve em aberto uma elevação em outubro. Lockhart afirmou que a preocupação não é sobre os mercados propriamente ditos, mas sim com o fato de que "a volatilidade pode ser um sintoma de mais problemas fundamentais", explica.

Dia de queda por cenário político
Segundo Ari Santos, trader da H. Commcor, o cenário político e a deflagração de mais uma fase da Operação Lava Jato, criaram essa volatilidade que deve durar boa parte do dia e impediu a Bolsa de ter uma correção frente às perdas recentes. Da mesma opinião é o economista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, que vê possibilidade de ficar claro já esta semana que o Planalto não tem governabilidade para fazer o ajuste fiscal. A presidente Dilma encaminha proposta da CPMF ao Congresso hoje.

Com relação aos vetos presidenciais, a Eurasia acredita que a derrubada de qualquer um dos 3 principais vetos presidenciais é improvável porque deputados mesmo da oposição percebem o dano político e fiscal que isso provocaria, diz consultoria política Eurasia em relatório a clientes.

Além disso, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deve decidir sobre o pedido de impeachment feito pelo fundador do PT, Hélio Bicudo, no final de outubro, de acordo com informações da Veja. A análise, segundo a reportagem, deve começar pelos pedidos mais frágeis.

Enquanto isso, o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, pediria para Cunha segurar os pedidos. As informações do Valor Econômico são de que Lula estaria assumindo a interlocução com o PMDB por ora.

Também teve algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 oscilou de uma retração de 2,55% para uma de 2,70%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 9,34% este ano. A maior revisão, contudo, ficou por conta do câmbio para o fim de 2016. As expectativas subiram de R$ 3,80 para R$ 4,00 no período.

Destaques da Bolsa
As ações da Vale (VALE3, R$ 19,936, +0,10%VALE5, R$ 15,70, -0,57%) fecharam entre perdas e ganhos em dia de baixa dos preços do minério de ferro e relatório mais pessimista do Credit Suisse. Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 9,74, -2,01%), holding que detém participação na Vale, além da siderúrgica Usiminas (USIM5, R$ 4,26, -2,964%). 

O banco suíço cortou em 12% a projeção do Ebitda da Vale para 2017. Segundo o relatório, os resultados da mineradora de 2016 e 2017 serão "desafiadores". Nesta segunda-feira, o preço do minério do porto de Qingdao, na China, recuou 0,67%, para US$ 57,30 a tonelada. 

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 GOLL4 GOL PN N2 4,09 -10,31 -73,06 5,99M
 OIBR4 OI PN 3,54 -8,29 -58,89 28,23M
 RUMO3 RUMO LOG ON 6,87 -7,16 -60,66 7,52M
 SMLE3 SMILES ON 33,99 -7,08 -23,35 44,47M
 CCRO3 CCR SA ON 11,72 -6,24 -23,69 70,07M

 

Já as ações da Petrobras (PETR3, R$ 8,62, -3,25%PETR4, R$ 7,30, -3,95%) fecharam em queda apesar da alta dos preços do petróleo no mercado internacional. O petróleo Brent para dezembro subiu 1,76%, a US$ 49,08 o barril.

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 CMIG4 CEMIG PN 7,18 +2,28 -43,61 37,67M
 RENT3 LOCALIZA ON 22,89 +2,28 -34,93 14,54M
 FIBR3 FIBRIA ON 54,59 +2,13 +68,98 105,18M
 BRKM5 BRASKEM PNA 15,71 +1,88 -5,48 23,02M
 ELET3 ELETROBRAS ON 5,34 +1,71 -7,93 7,52M

 

As ações de bancos consolidaram queda após um início volátil de sessão. Caíram Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 27,23, -2,23%) e Bradesco (BBDC3, R$ 25,16, -1,83%BBDC4, R$ 22,61, -3,09%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 16,29, -3,21%). 

Entre as quedas também ficou a Oi (OIBR4, R$ 3,54, -8,29%). A companhia contratou o banco Rothschild para reestruturar sua dívida, segundo informações da Veja. Do dia 9 de setembro até a sexta-feira passada, os papéis da companhia dispararam 56%, em um movimento que operadores atribuíram a "short squeeze" (pressão de vendidos), em meio à crescente demanda pelo aluguel do papel e falta de doadores no mercado.


As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1Vol 30d1Neg 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 27,23 -2,23 424,47M 573,05M 42.557 
 VALE5 VALE PNA 15,70 -0,57 308,78M 357,25M 24.305 
 PETR4 PETROBRAS PN 7,30 -3,95 301,47M 443,68M 34.364 
 BBDC4 BRADESCO PN 22,61 -3,09 269,89M 339,46M 24.087 
 JBSS3 JBS ON 16,49 +1,35 199,02M 136,86M 23.831 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 19,33 -0,72 159,28M 325,76M 20.042 
 ITSA4 ITAUSA PN 7,36 -2,52 135,29M 203,40M 50.630 
 BRFS3 BRF SA ON 68,73 -1,04 127,46M 198,77M 8.192 
 CIEL3 CIELO ON EDJ 37,53 +0,24 106,56M 179,21M 11.549 
 FIBR3 FIBRIA ON 54,59 +2,13 105,18M 113,23M 8.515 

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

Cenário externo
As bolsas asiáticas caíram nesta segunda-feira após a decisão do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, de manter a taxa de juros em mínima histórica levantar novas preocupações com o crescimento global, particularmente na China. O presidente do Federal Reserve de Atlanta, Dennis Lockhart, falou sobre economia às 14h (horário de Brasília). 

A decisão do Federal Reserve de adiar o aumento da taxa de juros na semana passada foi um exercício de "gerenciamento de risco" para garantir que a recente volatilidade do mercado não se tornará um peso para a economia do país, disse Lockhart. Ele afirmou que a preocupação não é sobre os mercados propriamente ditos, mas sim com o fato de que "a volatilidade pode ser um sintoma de mais problemas fundamentais... Achei prudente aguardar para avaliar se os recentes acontecimentos mudam o cenário".

A China foi o único mercado asiático a desafiar a tendência de baixa, com o índice de Xangai tendo alta de 1,91% e o CSI300 com ganho de 1,75%.

Investidores vão se focar nas leituras preliminares do Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) sobre a indústria da China e da zona do euro na quarta-feira para avaliar para onde a economia global está caminhando. "Parece uma continuação das preocupações com o crescimento que prejudicaram os mercados nos últimos meses", disse o chefe de estratégia de investimento da AMP Capital, Shane Oliver.

Em destaque ainda, estão as bolsas gregas. As ações gregas recuaram nesta segunda-feira depois da vitória do partido Syriza nas eleições nacionais e os rendimentos dos papéis do governo avançavam levemente conforme as atenções se voltavam para a formação de um novo gabinete e a implementação do terceiro resgate do país.

Na eleição de domingo, os eleitores deram a Alexis Tsipras e seu partido de esquerda uma segunda chance para levar a economia à recuperação, apesar de sua dramática virada em relação ao resgate internacional. A bolsa grega, com perdas de 15,6 por cento até agora no ano, apresentou uma recuperação de quase 22 pro cento antes da votação, após atingir mínima de 568 pontos em 24 de agosto. Nesta segunda-feira, a bolsa operava em baixa de 0,6 por cento, com os papéis de bancos tendo desempenho pior, recuo de 3,3 por cento.

No noticiário alemão, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) do país caiu 0,5% em agosto ante julho e teve queda de 1,7% na comparação anual, segundo dados publicados hoje pela agência de estatísticas do país, a Destatis. Os números indicam recuos mais fortes nos preços de porta de fábrica do que o esperado. Analistas consultados pela Dow Jones Newswires previam declínio mensal de 0,3% e redução anual de 1,6%.

(com Reuters)

 

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