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Ibovespa segue exterior e vira para alta minutos antes de decisão do Fed; dólar sobe

Mercado fica de olho em reunião de decisão de juros nos EUA ao mesmo tempo em que questão política preocupa no Brasil depois de Lula criticar o ajuste fiscal e propor um governo sem Levy e Tombini

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa vira para alta nesta quinta-feira (17) a pouco menos de 30 minutos para a decisão de juros do Fomc (Federal Open Market Committee). Com isso, o índice segue as bolsas dos Estados Unidos, que também operavam entre perdas e ganhos pela manhã e agora passavam a subir 0,3%. Por aqui, no ambiente político, fica o novo arranjo do governo, ao mesmo tempo em que causam algum mal estar as especulações de que o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, estaria organizando com o PT uma nova política econômica contra o ajuste fiscal.

Às 14h51 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira tinha alta de 0,60%, a 48.842 pontos. Se continuar subindo até o fim do pregão, o índice vai fazer sua quarta alta consecutiva. Já o dólar comercial sobe 1,03% a R$ 3,8731 na venda, ao passo que o dólar futuro para outubro sobe 1,23% a R$ 3,896. Nos EUA, os índices Dow Jones e S&P 500 operavam em alta de 0,34% a 16.796 pontos e de 0,39% a 2.003 pontos, cada um. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 subia 20 pontos-base, a 15,20%, enquanto o DI para janeiro de 2021 tinha alta de 25 pbs a 15,26%. 

Cenário político
Notícia do Valor Pro da quarta-feira foi de que o ministro seria substituído pela ministra da Agricultura, Kátia Abreu, mas o colunista do G1, Gerson Camarotti, disse hoje que Dilma manterá Mercadante e colocará o petista Ricardo Berzoini na coordenação política.

Já o Instituto Lula e o PT, segundo informação do Valor Econômico, formulam uma nova política econômica, abandonando ajuste e baixando juros para influenciar eleição de 2018. Neste novo ordenamento, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, seriam substituídos. Lula vai a Brasília hoje e deve encontrar Dilma e as informações são de que o ex-presidente quer participar das decisões sobre o ajuste e discutir propostas junto com a presidente Dilma e seus ministros.

O Instituto Lula negou a proposta de mudança na política econômica. Segundo o jornal, o ex-presidente e alguns integrantes do PT estariam formulando uma política econômica para criar condições de retomar a atividade econômica por meio de redução de juros e afrouxamento do gasto público. De acordo com o instituto, o texto publicado pelo jornal Valor Econômico não corresponde de forma alguma à verdade, segundo comunicado da assessoria de imprensa, enviado por email. 

Ao mesmo tempo, Levy teria dito a interlocutor que não aquenta mais ser contrariado. O ministro teria defendido medidas que não foram acatadas por Dilma no último pacote. Ele e o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, têm encontro reservado na Comissão Mista do Orçamento para explicar as medidas de ajuste fiscal anunciadas pelo governo. 

Nos bastidores, Levy defendeu uma reforma na Previdência. A interlocutores, o ministro Levy tem sinalizado a urgência de o governo tomar posição e apresentar a reforma atrelada diretamente ao novo imposto do cheque, batizado desta vez de CPPrev. O ministro da Fazenda também disse que um eventual reajuste da Cide, tributo cobrado sobre os combustíveis, é impossível neste momento. 

Pacote fiscal cada vez menor
Em menos de uma semana após ser anunciado, o pacote fiscal já deve ter pontos cruciais alterados na proposta. O Planalto recuou, por exemplo, na suspensão do reajuste do funcionalismo, no direcionamento das emendas parlamentares e na diminuição de recursos do Sistema S.

Abrir mão dessas medidas pode diminuir em até R$ 14,6 bilhões a meta dos cortes, estimada em R$ 26 bilhões. O passo atrás do Executivo na negociação com o Congresso também pode comprometer outros R$ 6 bilhões dos R$ 45,6 bilhões previstos como elevação de receita. O governo aceita ainda discutir a redução do prazo de vigência da CPMF. A duração, segundo fontes, não está definida.

Destaques da Bolsa
As ações da Vale (VALE3, R$ 19,80, +3,99%; VALE5, R$ 15,65, +3,37%), operavam em alta depois de abrirem em forte queda. No radar da companhia, o minério de ferro spot (à vista), negociado no porto de Qingdao com 62% de pureza, fechou em alta de 0,28%, a US$ 57,37.

Enquanto isso, as ações das siderúrgicas voltam a operar em alta. No noticiário das companhias, segundo o Valor, a Usiminas (USIM5, R$ 4,47, +0,90%) vai aplicar reajuste de 5% a 7% nos preços de aço fabricado pela companhia - que envolverá toda a linha de produtos. A estimativa é que atinja 60% da carteira da companhia. Ficarão de fora as montadoras de veículos e outros grandes clientes (com contratos anuais). Desde o dia 25 de agosto, as ações da companhia subiram 64%, em meio às expectativas pelo reajuste. No mesmo caminho, os papéis da CSN (CSNA3, R$ 5,30, +2,91%) e Gerdau (GGBR4, R$ 6,52, +0,62%) avançaram 84% e 42%, respectivamente.

A expectativa é que CSN e ArcelorMittal sigam o mesmo caminho de Usiminas, nos mesmos níveis. A Gerdau já aplicou alta de 7% a 8% este mês para laminado a quente. Os reajustes da Usiminas são necessários, conforme fontes, para reforçar seu resultado financeiro. A expectativa é que a companhia terá um resultado bem fraco no terceiro trimestre.

Já os bancos como Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 28,21, +0,76%) e Bradesco (BBDC3, R$ 27,18, +0,59%; BBDC4, R$ 24,94, +0,81%) viram para alta. O Banco do Brasil (BBAS3, R$ 17,99, -1,32%) segue em queda.  

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 OIBR4 OI PN 3,80 +8,57
 RENT3 LOCALIZA ON 24,22 +5,67
 KROT3 KROTON ON 9,10 +4,60
 VALE3 VALE ON 19,80 +3,99
 BRAP4 BRADESPAR PN 9,92 +3,87

 

 

As ações da Oi (OIBR4, R$ 3,80, +8,57%) seguem em disparada pelo quinto pregão, acumulando no período alta de 45%. Operadores de mercado comentam que o movimento é devido a um "short squeeze" com o papel. Isto é, sem doadores no BTC, investidores que estão na ponta vendedora precisam zerar sua posição, destravando esse movimento. Segundo a mesa de BTC da XP Investimentos, o "recall" (quando o doador pede a ação emprestada de volta) tem sido crescente com as ações preferenciais da empresa e não há doadores no mercado.

Operadores atribuem a falta de doadores à proposta da companhia de conversão voluntária de ações preferenciais em ordinárias. O prazo para que detentores de ações preferenciais solicitem a conversão já teve início e vai até 1° de outubro. A conversão se dará na proporção de 0,9211 ação ON para cada ação PN.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 SMLE3 SMILES ON 37,43 -3,28
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 60,88 -3,24
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 6,10 -2,71
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 11,59 -2,44
 RUMO3 RUMO LOG ON 7,80 -2,13


As ações da Petrobras (
PETR3, R$ 9,47, -0,11%; PETR4, R$ 8,02, -1,47%) caíam forte em meio à notícia da renúncia do presidente da sua divisão de distribuição de combustíveis, a BR Distribuidora. José Lima de Andrade Neto apresentou sua renúncia nesta quarta-feira (16). Segundo a estatal, saída ocorreu por motivos de saúde. O diretor financeiro da companhia, Carlos Alberto Tessarollo, permanece na presidência da empresa em caráter interino. Ele já ocupava o cargo cobrindo as férias de José Lima.

A saída ocorreu ao mesmo tempo em que o presidente do conselho de administração da estatal, Murilo Ferreira, entra de licença em meio a rumores de que sua relação com o presidente da petroleira, Aldemir Bendine, está fragilizada. 

Cenário externo
O principal evento do dia é a decisão de juros do Fomc, para a qual operadores dão 34% de chances de alta dos juros do Fed, enquanto 54 entre 113 economistas pesquisas esperam alguma elevação na reunião de hoje. Nos Estados Unidos, ainda vale lembrar que foram divulgados os initial claims, os pedidos por auxílio-desemprego nos EUA, que caíram 11.000 na semana passada, para 264.000. Eram esperados 275 mil novos pedidos no período.

Já os housing starts, que se referem ao número de casas que começam a ser construídas nos EUA, foi de 1.126 em agosto contra 1.158 esperados pelos analistas

As bolsas de valores da China recuaram mais de 2% nesta quinta-feira, com uma forte queda nos últimos 30 minutos de pregão revertendo os ganhos de mais cedo, o que revela a fragilidade da confiança dos investidores diante do aprofundamento da ofensiva anticorrupção de Pequim sobre o setor financeiro. Enquanto isso, o mercado segue na expectativa pela decisão do Federal Reserve, que acontece nesta quinta-feira e pode dar sinais sobre uma alta de juros.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 2,18% para 3.236 pontos, enquanto o índice de Xangai teve queda de 2,08%, para 3.086 pontos.

Na quarta-feira, a China anunciou investigação envolvendo o presidente assistente do regulador de valores mobiliários, um dia após a CITIC Securities dizer que muitos executivos de alto escalão, incluindo seu gerente geral, estavam sendo investigados.

"O combate à corrupção é bom para o mercado no longo prazo", disse Samuel Chien, um sócio do gestor de fundos de hedge BoomTrend Investment Management. "Mas no curto prazo, o mercado vai provavelmente vai oscilar conforme os investidores observam o que virá a seguir." Por outro lado, o dia foi de alta para o índice Nikkei, do Japão, com alta de 1,43%.

Já as bolsas europeias fecharam entre perdas e ganhos. No noticiário econômico da região, destaque para o boletim do BCE (Banco Central Europeu), afirmando que cresceram os riscos de que o crescimento da zona do euro e a inflação fiquem abaixo das expectativas, mas é cedo demais para concluir se isso coloca em xeque o cenário para a inflação no médio prazo.

O crescimento continuará na zona do euro, embora a um ritmo mais fraco do que projetado anteriormente e o BCE está pronto para agir para garantir uma trajetória sustentável da inflação na direção de seu objetivo de médio prazo de pouco abaixo de 2%, completou o boletim.

 

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