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Ibovespa cai com exterior e contas públicas e tem pior mês do ano; dólar e DIs sobem

Queda no último dia do mês coroa agosto de fraqueza no mercado brasileiro; Vale e Petrobras sobem, mas não salvam Bolsa de queda

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em queda, mas ficou longe da mínima após reduzir perdas com a força de Petrobras e Vale, que ganharam força do bom desempenho das commodities. Contudo, agosto acabou ficando mesmo o pior mês do ano, em uma queda de 8,33% por conta do pânico pela China e das preocupações com as contas públicas. Hoje o dado do Orçamento ficou em R$ 30,5 bilhões de déficit para o ano que vem. 

O benchmark da Bolsa brasileira caiu 1,12%, a 46.625 pontos. Já o dólar comercial subiu 1,16% a R$ 3,6271 na venda, ao passo que o futuro para setembro tem alta de 1,79% a R$ 3,646. No mercado de juros futuros o DI para janeiro de 2017 sobe 25 pontos-base a 14,20% ao passo que o DI para janeiro de 2021 sobe 38 pbs a 14,09%. 

A proposta do Orçamento da União de 2016, encaminhada ao Congresso Nacional nesta segunda-feira, prevê um déficit primário de R$ 30,5 bilhões no próximo ano - ou 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto) -, disse o relator-geral do Orçamento, deputado Ricardo Barros (PP-PR). Além disso, o governo estima que a economia vá crescer 0,2% em 2016 em relação a este ano, enquanto a inflação deva avançar 5,4% no próximo ano. O salário mínimo deve subir para R$ 865,50 de acordo com o projeto. "Esse é o início de um novo ciclo orçamentário", afirmou o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, após entregar o projeto ao presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL).

"Mesmo após um esforço de contensão de crescimento de gastos, tanto obrigatórios como discricionários, ainda assim não será possível cumprir a nossa meta anterior de resultado primário, que era de [superávit de] R$ 34 bilhões", disse, ao justificar a mudança da previsão para um déficit primário de R$ 30,5 bilhões.

Petróleo
Os preços do petróleo viraram para forte alta, apagando as perdas de agosto, depois dos dados de produção de petróleo nos EUA, mostrando uma queda na produção para 9,296 milhões de barris por dia (bpd) em junho, ante 9,4 milhões de bpd em maio e um pico de 9,6 milhões de bpd em abril. O petróleo disparava 7,47%, atingindo os US$ 48,62.

Além disso, a OPEP sinalizou sua preocupação com a queda dos preços. Em documento publicado hoje, o grupo produtor disse que está preocupado com a queda nos preços do petróleo e pronto para conversar com outros produtores. "Como a Organização tem sublinhado em diversas ocasiões, ela está pronta para conversar com todos os outros produtores. Mas isso tem que ser em um campo de jogo nivelado. A Opep irá proteger os seus próprios interesses", disse o comentário no Boletim mais recente da OPEP.

Tensão no mercado
No radar do mercado ainda estão rumores da possibilidade da perda do grau de investimento e da saída do ministro Joaquim Levy do Ministério da Fazenda. Do lado internacional as bolsas caem antes de dados dos PMIs (Índices Gerentes de Compras) de serviços e da indústria da China que sairão à noite, além das expectativas conflitantes sobre aumento dos juros pelo Federal Reserve.

Além das notícias negativas no fiscal, uma nova instabilidade surge dos rumores de que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, estaria com planos de deixar o cargo.

Também teve algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 foi reduzida de uma retração de 2,06% para uma de 2,26%, sendo também derrubada em 2016 de uma queda de 0,24% para 0,40%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 9,28% este ano.

Mais pessimistas estão o Credit Suisse e o BTG Pactual. O primeiro cortou a sua previsão do PIB de 2015 de 2,4% de retração para 2,6%. Já o segundo cortou de 1,4% para 2,7% de recuo da economia este ano. 

Destaques de ações
Os bancos recuaram em meio à piora do cenário macroeconômico brasileiro. Caíram os papéis de Bradesco (BBDC3, R$ 25,17, -4,70%; BBDC4, R$ 23,05, -4,08%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 26,55, -3,56%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 17,83, -5,06%). Juntas, as três ações respondem por mais de 20% da participação da carteira teórica do Ibovespa. 

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 RENT3 LOCALIZA ON 22,41 -6,63 -36,29
 BBAS3 BRASIL ON EDJ 17,83 -5,06 -20,26
 CSAN3 COSAN ON 18,15 -4,97 -36,42
 BBDC3 BRADESCO ON 25,17 -4,70 -10,67
 GOLL4 GOL PN N2 4,16 -4,59 -72,60

As empresas altamente endividadas e as varejistas também sofreram hoje com rumores de que o Banco Central terá que dar continuidade na alta da Selic em meio à escalada do dólar. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 subiu 27 pontos-base a 14,22%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 subia 43 pontos-base para 14,14%. 

Na Bolsa, também caíram forte as ações das empresas de concessão de rodovia, como CCR (CCRO3, R$ 14,88, -3,13%) e Ecorodovias (ECOR3, R$ 6,99, -0,99%), as administradoras de shoppings center BR Malls (BRML3, R$ 11,20, -4,03%) e Multiplan (MULT3, R$ 41,18, -4,50%), além da locadora de veículos Localiza (RENT3, R$ 22,41, -6,63%). 

No setor de consumo sofreram hoje na Bolsa os papéis das Lojas Renner (LREN3, R$ 98,52, -2,46%), Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 63,50, -1,12%) e Hypermarcas (HYPE3, R$ 16,47, -3,23%) - todas com queda superior a 2%. A atividade sente na pele qualquer aumento de taxa de juros, que, aliado a uma inflação elevada, tem roubado o poder de compra da população e provocado queda nas vendas do setor.

No caso das concessionárias e empresas do setor de shoppings center, que operam altamente alavancadas, elas sentem porque o custo de suas dívidas fica praticamente em linha com a taxa de retorno de seus investimentos. Normalmente, essas empresas têm uma TIR (Taxa Interna de Retorno) elevada - acima dos juros -, ou seja, essa diferença trabalha a seu favor, mas quando os juros sobem essa diferença diminui, impactando negativamente essas empresas.

Outra penaliza nesse sentido é a Localiza, que precisa captar crédito para financiar a compra de seus automóveis e uma taxa mais alta, consequentemente, aumenta o custo de sua dívida. Além disso, a alta de juros impacta no seu segmento de aluguel de veículos, explica o estrategista-chefe da XP, Celson Placido.

O mercado temeu hoje que o BC precise elevar ainda mais a Selic. Segundo o economista-chefe da Kinea, Luis Fernando Horta, o ciclo de alta de juros tende a continuar, dado que o dólar deve ultrapassar os R$ 3,80. Ele, no entanto, não projeta uma elevação da Selic já na próxima reunião do Copom. 

Já as ações da Petrobras (PETR3, R$ 10,62, +3,31%; PETR4, R$ 9,19, +2,11%) viraram para forte alta depois de cair pela manhã. No radar da estatal, o senador José Serra (PSDB-SP) espera que até o final do ano o projeto de alteração nas regras de exploração do pré-sal seja aprovado no Congresso Nacional. Segundo ele, o projeto conta com apoio do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que deve colocá-lo em pauta no plenário. "Na Câmara aprova, acho que em um ou dois meses. Cunha já se manifestou a favor, ele é o presidente da Câmara. Ao entrar na pauta, é provável que aprove logo", afirmou o senador, em palestra no Rio. 

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 BRKM5 BRASKEM PNA 14,07 +4,84 -15,35
 CSNA3 SID NACIONAL ON 3,50 +4,17 -32,28
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA 17,58 +3,59 +57,62
 VALE3 VALE ON 17,92 +3,52 -15,50
 PETR3 PETROBRAS ON 10,62 +3,31 +10,74

Do lado das altas ficaram também as ações de companhias exportadoras de papel e celulose que são beneficiadas pela alta do dólar por possuírem suas receitas na divisa norte-americana. Sobem Fibria (FIBR3, R$ 51,22, +3,27%) e Suzano (SUZB5, R$ 17,58, +3,59%). 

Também subiram Vale (VALE3, R$ 17,92, +3,52%; VALE5, R$ 14,15, +3,21%) e siderúrgicas nesta segunda-feira com dia negativo no mercado e recuo dos preços das commodities.

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 PETR4 PETROBRAS PN 9,19 +2,11 670,37M
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 26,55 -3,56 550,92M
 BBDC4 BRADESCO PN 23,05 -4,08 446,79M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 19,09 -0,57 393,54M
 VALE5 VALE PNA 14,15 +3,21 374,99M
 PETR3 PETROBRAS ON 10,62 +3,31 350,09M
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA 17,58 +3,59 233,89M
 BRFS3 BRF SA ON 69,52 +0,39 230,82M
 ITSA4 ITAUSA PN 7,28 -3,19 228,22M
 CIEL3 CIELO ON 38,35 -2,09 227,69M

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

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