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Vale, Bradesco, Santander e Ambev superam expectativas no 2º tri; veja mais balanços

Além delas, Cielo, Tecnisa, OdontoPrev, Embraer, Weg e Tecnisa também divulgaram os seus resultados referentes a abril a junho deste ano

SÃO PAULO - Diversas blue chips divulgaram os seus números referentes ao segundo trimestre entre a noite da última quarta-feira e a manhã desta quinta-feira, com destaque para os bancos Bradesco e Santander e para a mineradora Vale, além da Ambev, todas elas superando as expectativas do mercado. 

Além delas, Cielo, Tecnisa, OdontoPrev, Embraer, Weg e Tecnisa também divulgaram os seus resultados referentes a abril a junho deste ano. Confira abaixo os destaques. 

Vale
A Vale (VALE3;VALE5) divulgou os resultados do segundo trimestre na manhã desta quinta-feira (30) e superou as expectativas dos analistas. O lucro líquido foi de R$ 5,144 bilhões, superando em mais de 4 vezes a expectativa média de R$ 1,15 bilhão de 12 casas de análise compiladas pela Bloomberg e revertendo o prejuízo de R$ 9,538 bilhões do primeiro trimestre de 2015. Em dólares, o lucro líquido foi de US$ 1,675 bilhão entre abril e junho deste ano. 

A melhora de R$ 14,682 bilhões no lucro líquido deveu-se, principalmente, ao efeito não-caixa nos resultados financeiros de apreciação de 3% do real contra o dólar no segundo trimestre em comparação à depreciação de 21% do real contra o dólar no primeiro trimestre, informou a companhia. O lucro líquido básico totalizou R$ 2,993 bilhões no segundo trimestre, contra um prejuízo líquido básico de R$ 2,052 bilhões no primeiro trimestre.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado foi de R$ 6,817 bilhões, ficando 47,1% acima do primeiro trimestre e maior do que os R$ 3,986 bilhões esperados, principalmente como resultado da melhor realização de preço de minério de ferro e dos maiores volumes de vendas na maioria dos segmentos de negócios. 

Já a dívida bruta totalizou US$ 29,773 bilhões, um aumento de US$ 1,286 bilhão da posição de dívida em 31 de março de 2015. A dívida líquida totalizou US$ 26,509 bilhões com posição de caixa de US$ 3,264 bilhões. A média do prazo da dívida foi de 8,4 anos com um custo médio de 4,43% por ano.

A receita líquida, por sua vez, foi de R$ 21,441 bilhões, uma alta de 18,9% na comparação com os números do primeiro trimestre e uma queda de 3% ao se comparar com os R$ 22,08 bilhões do mesmo período de 2014. 

Os investimentos totalizaram US$ 2,119 bilhões no trimestre e US$ 4,329 bilhões no primeiro semestre, com queda de US$ 727 milhões se comparados com os que foram feitos nos primeiros seis meses do ano passado. Os investimentos na execução de projetos totalizaram US$ 1,434 bilhão no segundo trimestre de 2015, enquanto os investimentos na manutenção das operações existentes totalizaram US$ 685 milhões. Os desinvestimentos somaram US$ 445 milhões no 2T15, com a conclusão da venda de quatro navios VLOCs (very large ore carriers) para a China Ocean Shipping Company (Cosco).

Confira os resultados do 2º trimestre da Vale:

 Em R$ milhões 2T15  2T15E* Variação
2T15/2T15E
 1T15 Variação 2T15/1T15  2T14 Variação 2T15/2T14
 Receita Líquida  21.441  21.668  -1,05%   18.027,00   +18,9%   22.080,00   -3%
 Ebitda  6.817   3.986  +71,02%   4.600,00   +47,1%   9.136,00   -25,4%
 Lucro Líquido  5.144   1.152  +346,53%  -9.538,00   -  3.187,00   +61,4%
Margem Ebitda  31,8% 18,40%  +13,4 p.p. 22%  +9,8 p.p. 41,4%  -9,6 p.p.
*Média das projeções compiladas pela pesquisa Bloomberg com 12 analistas de mercado.

Bradesco
O Bradesco (BBDC4), segundo maior banco privado do país, informou  nesta quinta-feira (30) lucro líquido de R$ 4,473 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 18,4% frente a igual período do ano anterior.

Excluindo efeitos extraordinários, o lucro da instituição foi de R$ 4,504 bilhões entre os meses de abril a julho, aumento também de 18,4% sobre um ano antes. A média das projeções compiladas pela Bloomberg apontavam para lucro recorrente de R$ 4,402 bilhões.

Além do resultado, o banco informou nesta manhã que revisou suas projeções de crescimento para o ano. O Bradesco alterou a faixa entre 6% a 10% a expectativa para margem financeira de juros para 10% a 14%. As projeções para carteira de crédito, receita de prestação de serviços, despesas operacionais e receita de prêmios de seguros foram mantidas.

Santander
O lucro líquido do Santander Brasil (SANB11) superou as estimativas do mercado nesta quinta-feira (30), após uma revisão de provisão tributária.

O banco registrou lucro líquido societário de 3,881 bilhões de reais no segundo trimestre, contra média da projeção da pesquisa da Bloomberg com seis analistas, que apontava para lucro de R$ 767 milhões, mas é preciso considerar que as casas fazem diferentes ajustes nas previsões para o banco. O lucro líquido gerencial - excluindo o impacto extraordinário - ficou em R$ 1,675 bilhão, 2,6% acima do registrado no mesmo trimestre do ano passado. 

No período houve um efeito extraordinário que gerou uma receita referente à reversão de provisões fiscais relativas à Cofins, contabilizado na linha de outas receitas operacionais e despesas tributárias. Além disso, o banco explicou que foram efetuadas provisões complementares para reforço de balanço, contabilizadas nas linhas de margem financeira bruta, provisões de crédito de liquidação duvidosa e outras despesas/receitas operacionais. O impacto disso no lucro líquido foi positivo em R$ 3,2 bilhões, explicou o banco.  

Embraer
A fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3) teve lucro líquido de R$ 405,5 milhões no segundo trimestre, avanço de 24 por cento sobre o mesmo período do ano anterior, divulgou nesta quinta-feira, quando também revisou previsões para seu resultado no ano.

O Ebitda da empresa somou R$ 548,2 milhões, queda de 6%. A Embraer revisou para baixo sua estimativa de receita líquida em 2015 para uma faixa entre US$ 5,8 bilhões e 6,3 bilhões de dólares, ante US$ 6,1 bilhões e US$ 6,6 bilhões anteriormente.

Ambev
A fabricante de bebidas Ambev (ABEV3) teve lucro líquido de R$ 2,83 bilhões no segundo trimestre, alta de 27,3% em relação ao mesmo período do ano passado, informou nesta quinta-feira. A média das expectativas dos analistas eram de uma alta de 17,17% no resultado líquido da empresa, atingindo R$ 2,545 bilhões. 

Já o Ebitda foi de R$ 4,123 bilhões, avanço de 23,9%. A média das projeções era de uma aproximação da geração de caixa chegando a R$ 3,986 bilhões, o que representaria uma elevação de 19,77%. 

Por fim, a Receita Líquida foi de R$ 9,910 bilhões, uma alta de 21,2% na comparação ano a ano. Os analistas esperavam que o dado viesse em R$ 9,586 bilhões, um incremento de 17,22%.

O resultado vem mesmo com efeitos negativos como a desaceleração econômica no Brasil, que afeta o consumo em geral e o benchmark elevado do balanço do 2º tri de 2014, quando ocorreu a Copa do Mundo. O evento alavancou as vendas de cerveja no País. 

Confira os resultados do 2º trimestre da Ambev:

Em R$ milhões 2T15 2T15E* Variação
2T15/2T15E
1T15 Variação 2T15/1T15  2T14 Variação 2T15/2T14
Receita Líquida 9.910 9.586 3,4% 10.769 -8% 8.178 21,2%
Ebitda 4.123  3.986 3,4% 5.073  -18,7% 3.328 23,9%
Lucro Líquido 2.830 2.545  11,2% 2.816 0,5% 2.172  27,3%
Margem Ebitda 41,6 41,6 0 47,1 -5,50 40,7 0,9

*Resultados compilados pela pesquisa Bloomberg com 7 analistas de mercado.

Cielo
A Cielo (CIEL3reportou seu balanço do segundo trimestre deste ano com números levemente abaixo do que se esperava. A companhia administradora de cartões fechou o período com lucro líquido atribuível aos acionistas de R$ 869,44 milhões, uma alta de 9% sobre o mesmo período de 2014, mas ficando abaixo dos R$ 893,00 milhões esperado pelo mercado. Porém, o resultado ajustado, incluindo os números da Cateno - joint-ventura com o Banco do Brasil - foi de R$ 936,9 milhões.

A receita líquida da companhia atingiu R$ 2,795 bilhões, enquanto a média de 10 analistas compilados pela Bloomberg esperava uma receita de R$ 2,936 bilhões. Mesmo assim, a receita da companhia teve um forte salto de 52%. Enquanto isso, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) avançou 42%, para R$ 1.335 bilhão, levemente abaixo dos R$ 1,609 bilhão projetados pelos analistas.

No trimestre, o volume financeiro de compras com cartão capturado foi de R$ 129,7 bilhões, alta de 3,5% sobre igual período de 2014. Em cartões de crédito, o volume capturado foi de R$ 77,4 bilhões, com crescimento de 1,9% na mesma comparação. No débito, as compras totalizaram R$ 52,3 bilhões, com alta de 5,9%.

OdontoPrev
A OdontoPrev (ODPV3) divulgou ontem seu balanço após o pregão e alcançou lucro líquido de R$ 49,620 milhões, 3,9% superior ao segundo trimestre de 2014. No semestre, o lucro líquido atingiu R$ 117,437 milhões, 10,7% acima do igual período do ano passado.

A receita líquida da companhia foi de R$ 301,790 milhões, alta de 6,5% ante o segundo trimestre do ano passado. Neste semestre, a receita atingiu R$ 603,953 milhões, aumento de 6,8% em relação ao período de 2014.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da empresa foi de R$ 81,912 milhões, 6,5% acima dos R$ 76,883 do segundo trimestre de 2014, com a margem Ebitda (receita/Ebitda) de 27,1%. No semestre, o EBITDA ajustado alcançou R$ 174,772, 8,8% superior aos R$ 160,607 dos primeiros seis meses de 2014, com margem de 28,9%.

Além disso, a companhia comunicou que a distribuição de dividendos foi aprovada hoje, em um montante total de R$ 39,739 milhões, correspondendo a R$ 0,075353776 por ação. O dia do pagamento será 3 de setembro de 2015 e as ações da companhia serão negociadas 'ex' a partir de 30 de julho de 2015, amanhã. 

Metal Leve
Uma surpresa pegou os investidores desprevenidos no final do pregão da última quarta-feira (29). A Mahle Metal Leve (LEVE3) publicou no site da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) um documento classificado como "Calendário de Eventos Corporativos", mas ao clicar no download, o relatório aberto era o resultado do segundo trimestre deste ano, que estava agendado para 10 de agosto.

InfoMoney entrou em contato com o RI da companhia que confirmou o erro na divulgação do balanço, ressaltando ainda que os números não são oficiais pois ainda não foram aprovados pelo Conselho de Administração. Após o fechamento do mercado o erro foi corrigido e no site da CVM o único documento disponível era o calendário de eventos da empresa.

Weg
Weg (WEGE3divulgou seus resultados do segundo trimestre à noite e viu seu lucro líquido alcançar R$ 260,9 milhões e crescer 14,4% em relação ao segundo trimestre de 2014 ,R$ 227,9 milhões, e 6,1% em relação ao primeiro trimestre deste ano, R$ 245,8 milhões.

No primeiro semestre a companhia registrou lucro de R$ 506,740 milhões, uma alta de 17% em relação aos R$ 432,872 milhões dos primeiros seis meses de 2014. A receita operacional líquida da empresa foi de R$ 2,349 milhões e cresceu 29% sobre os R$ 1,821 milhões do segundo trimestre de 2014, puxada principalmente pelo mercado externo. 

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) cresceu 13% ao encerrar o trimestre com R$ 352,1 milhões frente aos R$ 311,5 milhões do segundo trimestre de 2014, e a margem EBITDA atingiu 15,0%.

Tecnisa
A Tecnisa (TCSA3) divulgou seu balanço trimestral registrando queda de 60,7% em seu lucro líquido de R$ 31,336 milhões frente aos R$ 79,714 milhões do segundo trimestre do ano passado. No primeiro semestre deste ano, a companhia totalizou R$ 61,374 milhões, uma queda de 47% em relação aos R$ 115,790 milhões dos primeiros seis meses de 2014.

A receita líquida da Tecnisa foi de R$ 502,640 milhões, registrando queda de 26,7% ao encerrar o trimestre com R$368,290 milhões. Neste semestre, a companhia perdeu 14,2%, saindo de R$ 874,658 milhões para R$ 750,568 milhões.

O Ebitda da companhia foi de R$ 148,073 milhões para R$ 96,598 milhões, com queda de 34,8% em relação ao trimestre do ano passado. A queda na margem Ebitda foi de 3,2 pontos percentuais, indo de 29,5% para 26,2% este trimestre.

No dia 16 deste mês, a S&P's reafirmou o rating ‘brBBB+‘ atribuído na Escala Nacional Brasil à companhia, incluindo o rating de crédito corporativo. A perspectiva do rating de emissor é estável. Segundo a agência, “a perspectiva estável reflete nossa expectativa de uma forte geração de fluxo de caixa operacional livre durante os próximos trimestres, que deve ser utilizada para redução significativa de dívida nos próximos 12 a 18 meses".

(Com Reuters)

 

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