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Ibovespa cai 6% na pior semana do ano após fracasso do governo; dólar e DI sobem

Além das notícias negativas no cenário doméstico, o mercado ainda estendeu as perdas nesta sexta com a queda das commodities no ambiente externo

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em queda de 1% nesta sexta-feira (24) estendendo perdas da semana e fazendo com que o índice caísse 5,92% nos últimos dias. Foi com isso, a pior semana do ano e a pior sequência desde setembro de 2014, com seis quedas consecutivas. Além do corte na meta fiscal, que trouxe um pessimismo generalizado para os mercados, os dados fracos da economia chinesa divulgados hoje ajudaram a trazer ainda mais pessimismo para o mercado brasileiro, causando uma verdadeira fuga da Bolsa. 

Hoje o benchmark fechou em queda de 1,13%, a 49,245 pontos. O volume negociado neste pregão foi de R$ 6,754 bilhões. Enquanto isso, o dólar comercial subiu 1,55%, a R$ 3,3453 na compra e a R$ 3,3470 na venda. O real continuou a sua trajetória negativa, acompanhando o desempenho da maioria das moedas ligadas a commodities em meio aos dados fracos da economia chinesa. Na semana, a alta do dólar foi de 2,97%. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 estendeu os ganhos da véspera nesta sexta e subiu 17 pontos-base a 13,84%. Por outro lado, o DI para janeiro de 2021 caiu 5 pontos-base, a 12,99%. 

Uma informação importante para o mercado de ações foi que o índice Ibovespa em dólar hoje atingiu um fundo na faixa de 15.146 pontos, o que pode fazer com que alguns investidores estrangeiros vejam a nossa Bolsa como barganha nos próximos dias, mesmo com todas as notícias negativas.

Levy e Barbosa
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que o governo "não jogou a toalha" e que a política fiscal vai continuar a ser feita com vigor, mas de maneira realista. Em teleconferência a analistas e investidores, Levy disse que a redução da meta fiscal não significa o fim do ajuste. Ele falou na abertura do capital da IRB e de outros setores. 

Já o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, defendeu nesta sexta-feira que a política fiscal continua neutra ou contracionista, mesmo após a redução das metas de superávit primário, mas reconheceu que, no curto prazo, ela pode pressionar a inflação e obrigar uma resposta de política monetária. Segundo Barbosa, o esclarecimento da estratégia fiscal de médio e longo prazos tende a atenuar "essa resposta inicial na taxa de cambio e na taxa de juros, de modo a não criar nenhum problema para a política monetária"

Além disso, Barbosa não quis comentar o discurso do diretor de Política Econômica do BC (Banco Central), Luiz Awazu Pereira da Silva, afirmando que novos riscos inflacionários surgiram no Brasil e que é primordial que o Banco Central continue vigilante.

Dados fracos na China
As bolsas asiáticas caíram nesta sexta-feira depois que a pesquisa Índice de Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês) mostrou que a atividade industrial da China despencou para uma mínima de 15 meses, reanimando preocupações sobre as exportações da região.

O PMI preliminar do Caixin/Markit sobre a indústria da China recuou para 48,2, abaixo da previsão de economistas de 49,7 e a menor leitura desde abril do ano passado. Esse foi o quinto mês consecutivo abaixo de 50, o nível que separa contração da expansão. O PMI fraco vem na sequência de alguns dados ruins em algumas das maiores economias da região. A economia sul-coreana registrou o crescimento mais fraco em seis anos no segundo trimestre, enquanto as exportações japonesas para a China foram relativamente fracas, provocando receios de desaceleração nos lucros corporativos na Ásia.

Hoje o Rand, moeda da África do Sul, e o dólar australiano lideram queda das principais divisas contra moeda americana; moedas de produtores de commodities entre maiores perdas.

Enquanto isso, o dia foi negativo com leves perdas para as bolsas europeias, em meio aos dados ruins da China e a pressão sobre o mercado de commodities. O minério de ferro do porto de Qingdao teve queda de 0,58%, a US$ 51,42, enquanto o cobre atingiu o menor nível de 2009. A Anglo American reportou seus números para o segundo trimestre, com queda de 36% nos ganhos. O PMI industrial do bloco recuou para 52,2 em julho, de 52,5 em junho, também ficando abaixo da expectativa, que era de estabilidade a 52,5.

Destaques da Bolsa
As ações do setor financeiro voltaram a cair forte. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 28,87, -0,45%), Bando do Brasil (BBAS3, R$ 20,41, -0,97%) fecharam em queda, enquanto Santander (SANB11, R$ 15,89, +0,25%) e Bradesco (BBDC3, R$ 26,32, +0,15%; BBDC4, R$ 26,71, +0,79%) terminaram o pregão em alta.

Assim como os bancos, as ações da Petrobras (PETR3, R$ 11,09, -1,77%; PETR4, R$ 10,04, -1,28%) recuaram. Hoje houve reunião do conselho de administração da companhia, que discutiu os ativos que deverão ser vendidos pela companhia. Nela estava prevista a "reestruturação" da Transportadora Associada de Gás (TAG), braço da subsidiária Gaspetro responsável pela rede de gasodutos da estatal. A informação é do conselheiro Deyvid Bacelar, representante dos funcionários no colegiado. A pauta também contemplou a renovação de registro da companhia na SEC, nos Estados Unidos, segundo a publicação.


As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ELET3 ELETROBRAS ON 5,26 -6,57 -9,31 7,25M
 RUMO3 RUMO LOG ON 0,92 -6,12 -47,31 18,77M
 CMIG4 CEMIG PN 9,07 -5,72 -28,77 48,08M
 GFSA3 GAFISA ON 2,41 -5,49 +9,55 9,66M
 BRKM5 BRASKEM PNA 12,05 -4,14 -27,50 21,64M

As ações da Vale (VALE3, R$ 16,79, -3,06%; VALE5, R$ 14,03, -2,30%) viraram para queda depois de chegar a subir 1% apesar da queda do minério de ferro na esteira dos indicadores fracos do gigante asiático. A commodity spot no porto de Qingdao caiu 0,58%, a US$ 51,42.

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 ESTC3 ESTACIO PART ON 17,10 +3,64 -26,93 29,46M
 KROT3 KROTON ON 10,09 +1,71 -34,60 169,35M
 HGTX3 CIA HERING ON 11,21 +1,63 -42,94 10,17M
 SMLE3 SMILES ON 53,45 +1,52 +20,53 24,11M
 FIBR3 FIBRIA ON 44,08 +1,26 +36,44 196,24M

As ações do setor de papel e celulose como Suzano (SUZB5, R$ 15,69, +1,23%) voltaram a subir hoje com a alta do dólar. Ontem, esses papéis aproveitaram para subir entre alta da moeda americana e resultados do segundo trimestre de Fibria (FIBR3, R$ 44,08, +1,26%) e Klabin (KLBN11, R$ 21,11, +0,19%) - lembrando que Suzano só divulgará balanço no dia 12 de agosto. 

Entre as sete altas do dia, o setor de educacionais subiucom Estácio (ESTC3, R$ 17,10, +3,67%) e Kroton (KROT3, R$ 10,09, +1,71%).


As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1Vol 30d1Neg 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 28,87 -0,45 729,09M 308,27M 53.628 
 PETR4 PETROBRAS PN 10,04 -1,28 439,26M 492,66M 42.158 
 BBDC4 BRADESCO PN 26,71 +0,79 323,15M 184,60M 33.615 
 VALE5 VALE PNA 14,03 -2,30 297,94M 290,38M 33.053 
 ITSA4 ITAUSA PN 8,00 -2,79 293,20M 116,63M 73.794 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 19,04 -1,30 235,70M 180,52M 21.663 
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON 30,45 -0,65 203,99M 124,77M 21.763 
 FIBR3 FIBRIA ON 44,08 +1,26 196,24M 54,16M 10.414 
 PETR3 PETROBRAS ON 11,09 -1,77 174,75M 191,20M 19.917 
 KROT3 KROTON ON 10,09 +1,71 169,35M 133,97M 16.779 

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão) 

A semana na Bolsa
Além do corte na meta fiscal, esta semana ficou marcada pelo resultado da taxa de desemprego no Brasil que saltou de 6,7% em maio para 6,9% em junho, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado ficou dentro da expectativa do mercado, que trabalhava mesmo com um avanço para 6,9% no indicador. Em relação a junho de 2014, a variação foi de 2,1 pontos percentuais, saindo de 4,8% para o patamar atual.

Além disso, diante da piora na economia, o Bradesco BBI cortou a estimativa para o PIB de 2016 de 0,3% de crescimento para uma retração de 0,8%. Por sua vez, o Itaú reduziu a previsão da a alta da Selic na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de 0,5 ponto percentual para 0,25 p.p..

Por aqui, também é bom lembrar que a Justiça Federal no Paraná decretou hoje nova prisão preventiva do presidente da construtora Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e de outros quatro diretores da empresa que são alvos da Operação Lava Jato - que apura um esquema criminoso que desviou milhões de reais da Petrobras. Os cinco já estão presos, em caráter preventivo, desde o dia 19 de junho, quando a Polícia Federal (PF) deflagrou a 14ª fase da operação.

Para o juiz federal Sergio Moro não há como não reconhecer que a libertação dos investigados representa um risco à ordem pública. Na avaliação do juiz, a Odebrecht dispõe dos meios para “interferir de várias maneiras na coleta da provas, seja pressionando testemunhas, seja buscando interferência política”. Assim, o magistrado defende a manutenção das prisões preventivas como necessária para interromper o ciclo de “crimes desenvolvidos de forma habitual, profissional e sofisticada”.

Do lado internacional, na segunda-feira (20) a Grécia reabriu os bancos, apesas das restrições. A reabertura cautelosa, e o aumento a partir do imposto sobre valor agregado incidente nas refeições em restaurantes e no transporte público, visam restaurar a confiança dentro e fora da Grécia, após um acordo de ajuda em troca de reformas na semana passada ter evitado a falência do país.

 

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