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Ibovespa cai 1,5% e dólar sobe quase 2% antes de anúncio de corte na meta fiscal

Bolsa tem sua quarta queda consecutiva em dia de notícias negativas no cenário doméstico; nova baixa em preços de commodities pressiona o câmbio

Operador da Bolsa (Bloomberg)
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa opera em queda de mais de 1% nesta quarta-feira (22) à espera do anúncio redução da meta fiscal, atualmente em 1,1% do PIB (Produto Interno Bruto) que deve ocorrer no final do dia. Os investidores ainda ficam atentos para as explicações do governo sobre as "pedaladas fiscais", uma vez que hoje é o último dia para que a presidente Dilma Rousseff (PT) explicar a questão das "pedaladas" com o objetivo de não ter as suas contas do ano de 2014 reprovadas pelo TCU (Tribunal de Contas da União). 

Às 15h16 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira recuava 1,48%, a 50.714 pontos. É a quarta queda consecutiva do Ibovespa. Enquanto isso, o dólar comercial dispara 1,73%, a R$ 3,2267 na compra e a R$ 3,2280 na venda. Além da expectativa pela redução da meta da meta fiscal, a moeda também avança pressionada por uma nova queda das commodities no exterior.

Ainda sobre as pedaladas, vale lembrar que caso as contas públicas de 2014 sejam reprovadas pelo TCU, alguns membros da oposição e analistas políticos acreditam que abre-se o caminho para um eventual pedido de impeachment, de modo que aumenta a indefinição no cenário político. Além disso, hoje será anunciado o relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas do Orçamento e que será enviado ao Congresso Nacional.

Entre as poucas notícias que aliviam o clima negativo no mercado hoje está o veto de Dilma ao projeto que reajusta o salário dos servidores do Poder Judiciário, aprovado no Senado no fim de junho. Segundo a justificativa da presidente, o veto se deu por "inconstitucionalidade" e "contrariedade ao interesse público" do projeto.

Já na agenda de indicadores, destaque para o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15), considerado uma prévia da inflação oficial do País por utilizar a mesma metodologia do IPCA, mas com a coleta dos dados entre os dias 15 de cada mês. O resultado foi levemente abaixo do esperado pelos analistas, ficando em 0,59% em julho ante o mês anterior. Trata-se, no entanto, do maior resultado para meses de julho desde 2008, quando o avanço foi de 0,63%. No acumulado de 12 meses o indicador chegou a 9,25%.

Segundo a equipe da Rico Corretora, estes fatores internos devem guiar os negócios, com a expectativa pelo anúncio da redução da meta de superávit primário para este ano, e também de novos cortes no Orçamento, "o que certamente deverá continuar pesando sobre o mercado e abre mais especulações sobre a possibilidade de rebaixamente da nota de crédito do país", disseram os analistas.

Destaques de ações
Dentre os papéis que fazem parte da carteira teórica do Ibovespa, o destaque fica para os papéis da mineradora Vale (VALE3, R$ 17,26, -1,65%; VALE5, R$ 14,18, -3,08%), que recuam e aparecem entre as maiores quedas do índice pressionados pela desvalorização do minério de ferro no exterior. A commodity afundou 2,7% hoje na China, fechando a US$ 50,70 a tonelada. Seguem as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 9,36, -2,80%), holding que detém participação na Vale.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 RUMO3 RUMO LOG ON 1,04 -7,14
 GOAU4 GERDAU MET PN 3,65 -6,89
 GGBR4 GERDAU PN 5,85 -5,19
 BBAS3 BRASIL ON 21,03 -4,41
 HGTX3 CIA HERING ON 11,40 -4,20

 

 

Os bancos caem forte hoje, em meio a todas as notícias negativas no mercado. Recuam Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 30,28, -1,50%) e Bradesco (BBDC3, R$ 27,20, -1,41%; BBDC4, R$ 27,45, -1,79%). O grande destaque do setor fica com Banco do Brasil (BBAS3, R$ 21,02, -4,45%). O banco de economia mista continuará sofrendo com as vendas do fundo soberano segundo notícias recentes. 

As ações da Braskem (BRKM5, R$ 12,56, +1,87%) chamam atenção após abrirem em forte queda e virarem para o positivo. A Petrobras confirmou na terça-feira que uma comissão interna encontrou irregularidades na aprovação de um contrato de 2009 para fornecer nafta à petroquímica Braskem e que enviou um relatório com essas informações ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal. A petroquímica negou a informação.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 12,86 +3,96
 FIBR3 FIBRIA ON 41,15 +3,76
 NATU3 NATURA ON 27,22 +2,45
 ESTC3 ESTACIO PART ON 17,67 +2,08
 BRKM5 BRASKEM PNA 12,56 +1,87

 

Entre as maiores altas, destaque para Suzano (SUZB5, R$ 14,52, +1,33%) e Fibria (FIBR3, R$ 41,15, +3,76%), que lideram os ganhos ajudadas pela nova alta do dólar.

Exterior
No exterior as bolsas asiáticas fecharam em queda após resultados fracos pressionarem os papéis norte-americanos na sessão anterior. Na Europa, o dia também é de baixa, também repercutindo os resultados corporativos nos EUA, com destaque para os dados decepcionantes da Apple e também da Microsoft, que registrou  maior prejuízo de sua história com baixas contábeis relacionadas à compra da unidade de celulares da Nokia.

Pelo 12º trimestre consecutivo a Apple superou a expectativa dos analistas em seu balanço. Neste terceiro trimestre fiscal, a companhia vendeu US$ 31,37 bilhões em iPhones, US$ 6,03 bilhões em iMac e outros US$ 4,5 bilhões de iPads. Mas mesmo assim, as ações da companhia não resistiram e afundaram 8% ontem no after market em Wall Street.

Na Europa, além dos EUA, a Grécia também está sendo observada pelos investidores uma vez que o parlamento do país se prepara para votar nesta quarta-feira um segundo conjunto de reformas que são vitais para poder garantir um terceiro pacote de resgate.

 

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