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Ibovespa recua e dólar dispara 1,5% de olho em redução de meta fiscal

A presidente Dilma tem hoje o último dia para apresentação de uma resposta ao TCU na tentativa de evitar que as contas públicas de 2014 sejam reprovadas

SÃO PAULO - O Ibovespa volta a recuar nesta quarta-feira (22), registrando às 11h42 (horário de Brasília) queda de 0,80%, aos 51.060 pontos, acompanhando uma agenda política bastante agitada, com os investidores atentos às explicações do governo sobre as "pedaladas fiscais" e com o anúncio da redução da meta fiscal, que deve ocorrer no final do dia. O índice acompanha o desempenho visto no exterior, onde os mercados na Europa e Ásia ficaram pressionados com os fracos resultados das companhias norte-americanas, caso da Apple e a Microsoft.

Enquanto isso, o dólar comercial volta a subir forte após uma sessão de alívio na véspera, avançando 1,52%, cotado a R$ 3,2208 na compra e R$ 3,2213 na venda. Além da expectativa pela redução da meta da meta fiscal, a moeda também avança pressionada por uma nova queda das commodities no exterior.

A presidente Dilma tem hoje o último dia para apresentação de uma resposta ao TCU (Tribunal de Contas da União) na tentativa de evitar que as contas públicas de 2014 sejam reprovadas pelo órgão por conta das pedaladas fiscais e que, se isso ocorrer, abra caminho para um eventual pedido de impeachment (apesar das contestações se as pedaladas seriam justificativa para pedir o impedimento da presidente). Além disso, hoje será anunciado o relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas do Orçamento e que será enviado ao Congresso Nacional.

Na agenda de indicadores, destaque para o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15), considerada uma prévia da inflação oficial do País por utilizar a mesma metodologia do IPCA, mas com a coleta dos dados entre os dias 15 de cada mês. O resultado foi levemente abaixo do esperado pelos analistas, ficando em 0,59% em julho ante o mês anterior. Trata-se do maior resultado para meses de julho desde 2008, quando o avanço foi de 0,63%. No acumulado de 12 meses o indicador chegou a 9,25%. 

Segundo a equipe da Rico Corretora, estes fatores internos devem guiar os negócios, com a expectativa pelo anúncio da redução da meta de superávit primário para este ano, e também de novos cortes no Orçamento, "o que certamente deverá continuar pesando sobre o mercado e abre mais especulações sobre a possibilidade de rebaixamente da nota de crédito do país", disseram os analistas.

Destaques de ações
No Ibovespa, o destaque fica para os papéis da mineradora Vale (VALE3; VALE5), que recuam e aparecem entre as maiores quedas do índice pressionados pela desvalorização do minério de ferro no exterior. A commodity afundou 2,7% hoje na China, fechando a US$ 50,70 a tonelada. Seguem as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 9,49, -1,45%), holding que detém participação na Vale.

As ações da Braskem (BRKM5) chamam atenção após abrirem em forte queda e virarem para o positivo. A Petrobras confirmou na terça-feira que uma comissão interna encontrou irregularidades na aprovação de um contrato de 2009 para fornecer nafta à petroquímica Braskem e que enviou um relatório com essas informações ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal. A petroquímica negou a informação.

Entre as maiores altas, destaque para Suzano (SUZB5) e Fibria (FIBR3), que lideram os ganhos ajudadas pela nova alta do dólar.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 GOAU4 GERDAU MET PN 3,72 -5,10 -66,80 9,95M
 HGTX3 CIA HERING ON 11,39 -4,29 -42,03 2,45M
 GGBR4 GERDAU PN 5,94 -3,73 -37,19 16,08M
 RUMO3 RUMO LOG ON 1,08 -3,57 -38,15 13,85M
 POMO4 MARCOPOLO PN N2 2,38 -2,86 -26,05 1,14M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 12,69 +2,59 +43,23 13,69M
 FIBR3 FIBRIA ON 40,57 +2,29 +25,58 23,35M
 OIBR4 OI PN 5,04 +1,82 -41,46 2,22M
 SBSP3 SABESP ON 18,90 +1,61 +13,34 4,71M
 BRKM5 BRASKEM PNA 12,52 +1,54 -24,67 5,39M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

 

 

Exterior
No exterior as bolsas asiáticas fecharam em queda após resultados fracos pressionarem os papéis norte-americanos na sessão anterior. Na Europa, o dia também é de baixa, também repercutindo os resultados corporativos nos EUA, com destaque para os dados decepcionantes da Apple e também da Microsoft, que registrou  maior prejuízo de sua história com baixas contábeis relacionadas à compra da unidade de celulares da Nokia.

No pré-market da Nasdaq, os papéis da Apple caem 7%, a US$ 121,69. Pelo 12º trimestre consecutivo a Apple superou a expectativa dos analistas em seu balanço. Neste terceiro trimestre fiscal, a companhia vendeu US$ 31,37 bilhões em iPhones, US$ 6,03 bilhões em iMac e outros US$ 4,5 bilhões de iPads. Mas mesmo assim, as ações da companhia não resistiram e afundaram 8% ontem no after market em Wall Street.

Na Europa, além dos EUA, a Grécia também está sendo observada pelos investidores uma vez que o parlamento do país se prepara para votar nesta quarta-feira um segundo conjunto de reformas que são vitais para poder garantir um terceiro pacote de resgate.

 

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