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Ibovespa espera definição grega sobre pacote e cai; Vale e siderúrgicas lideram baixas

Índice acompanha mercado internacional, que aguarda por votação de medidas pelo Parlamento grego; notícias sobre visita da Moody's ao Brasil agitam cenário doméstico, assim como dados de vendas do varejo nos EUA e Brasil

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa segue um dia de cautela após a forte alta de ontem seguindo o cenário internacional, em meio às expectativas sobre se o Parlamento grego aceitará as condições de austeridade previstas no acordo assinado ontem com os credores. No Brasil, a expectativa é pela chegada da agência de classificação de risco Moody's, enquanto o mercado repercute os dados de vendas no varejo no Brasil e nos EUA. Às 10h21(horário de Brasília), o índice tinha baixa de 0,58%, a 52.813 pontos, puxado para baixo também por ações de blue chips como Vale, Petrobras e siderúrgicas. 

Em destaque, estão as ações da Vale (VALE3;VALE5), com baixa de cerca de 2,5% após terem disparado na véspera.O diretor da Vale do negócio de metais ferrosos, Peter Poppinga, disse ontem que a companhia vai começar a retirar a partir deste mês 25 milhões de toneladas de sua oferta de minério de ferro, mas manteve inalterada sua oferta da commodity em 340 mil toneladas em 2015. Em relatório, o Morgan Stanley disse que essa decisão de substituir o minério de alto custo/menor qualidade por de menor custo/maior qualidade seja positiva e se reflita em maior Ebitda/tonelada, ele pode ter um efeito nulo ou até negativo sobre os preços globais do minério.

As ações das siderúrgicas deixam para trás os fortes ganhos da véspera e caem hoje: Gerdau (GGBR4, R$ 6,70,-4,69%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 5,05, -3,44%), Usiminas (USIM5, R$ 4,24, -2,08%) e CSN (CSNA3, R$ 4,78, -1,65%). O Instituto Aço Brasil refez suas estimativas para o desempenho do setor neste ano. Segundo o estudo, a produção de aço bruto deverá mostrar uma queda de 3,4% sobre o ano passado, contra uma estimativa anterior de alta de 6,4%. 

Sobre a Gerdau, a companhia anunciou nesta terça-feira uma reestruturação dos negócios nas Américas, com redistribuição das operações em três divisões para América do Norte, América do Sul e Brasil. Para simplificar e unificar as participações societárias na companhia fechadas da Gerdau S.A. no Brasil, o conselho de administração da empresa aprovou a compra de fatias minoritárias na Gerdau Aços Longos, Gerdau Açominas, Gerdau Aços Especiais e Gerdau América Latina Participações, por um total de R$ 1,986 bilhão. As aquisições permitirão à Gerdau S.A. deter mais de 99% do capital total de cada uma das controladas.  

O Instituto Aço Brasil refez suas estimativas para o desempenho do setor neste ano. Segundo o estudo, a produção de aço bruto deverá mostrar uma queda de 3,4% sobre o ano passado, contra uma estimativa anterior de alta de 6,4%. 

As ações da Petrobras (PETR3;PETR4) caem cerca de 2% em meio à queda dos preços do petróleo no mercado internacional. No mesmo momento, o Brent, negociado em Londres, recuava 0,52%, a US$ 57,55. As ações da Gol (GOLL4) registram queda de cerca de 2,5% após a forte alta de mais de 15% ontem com o acordo de US$ 446 milhões com a Delta. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 GGBR4 GERDAU PN 6,70 -4,69
 CSNA3 SID NACIONAL ON 4,66 -4,12
 GOAU4 GERDAU MET PN 5,06 -3,25
 USIM5 USIMINAS PNA 4,21 -2,77
 VALE3 VALE ON 18,02 -2,59

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 RENT3 LOCALIZA ON 29,86 +1,22
 QUAL3 QUALICORP ON 22,01 +1,20
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 74,85 +1,08
 CIEL3 CIELO ON 43,83 +0,90
 KROT3 KROTON ON 11,92 +0,68
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)



Moody's e meta fiscal
No Brasil, o cenário também é bastante movimentado, em meio à expectativa pela visita da agência de classificação de risco Moody's ao Brasil. Segundo o jornal Valor Econômico, a equipe econômica, convencida de que rebaixamento do rating pela Moody’s é inevitável, aposta nas medidas de ajuste fiscal para impedir que downgrade venha acompanhado de viés negativo. A tarefa de convencimento não será fácil, destaca o jornal citando fontes, que atribuem situação ao cenário político que dificulta aprovação das medidas do ajuste e o baixo crescimento econômico.

Ainda no campo econômico, pelo menos por enquanto, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, conseguiu evitar a admissão oficial de que o superávit primário de 1,13% do PIB (cerca de R$ 66,3 bilhões) prometido para este ano não será alcançado, como é voz corrente tanto entre analistas privados quanto entre membros do próprio governo. Ele bloqueou a redução imediata da meta, como defendida, entre outros, pelos ministros Nelson Barbosa (Planejamento) e Aloizio Mercadante (Casa Civil).

Chama atenção ainda a expectativa pela votação do projeto da diminuição das desonerações. "Se mudar o texto, a votação fica para agosto", afirmou o líder do governo no Senado, senador Delcídio Amaral (PT-MS). Entre os dados econômicos, chamam a atenção as vendas no varejo em maio: as vendas caíram 0,9% em maio ante abril, na série com ajuste sazonal, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que esperavam desde uma queda de 1,00% até uma alta de 0,60%.

Vendas no varejo
Já as vendas no varejo dos Estados Unidos caíram inesperadamente em junho com famílias diminuindo compras de automóveis e uma série de outros produtos, o que pode levantar receios de que a economia está desacelerando novamente. O Departamento do Comércio informou nesta terça-feira que as vendas no varejo recuaram 0,3% no mês passado, a leitura mais fraca desde fevereiro. Os números do varejo em maio foram revisados para baixo para mostrar uma alta de 1%, em vez do salto informado anteriormente de 1,2%.

O Brasil também apresentou números para o varejo. O recuo de 0,9% nas vendas do varejo restrito em maio ante abril é o mais intenso para o mês desde 2001, informou nesta terça-feira, 14, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Naquele ano, a queda também foi de 0,9%, segundo o instituto. Já a queda de 4,5% nas vendas em relação a maio de 2014 foi a maior, considerando todos os meses, desde agosto de 2003 (-5,7%). Levando em conta apenas os meses de maio, a retração foi a mais intensa desde 2003 (-6,2%).

Na Europa, destaque ainda para a produção industrial da zona do euro, que caiu em maio, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira, contra expectativas de leve crescimento, sugerindo que a recuperação econômica da região estagnou no segundo trimestre, depois de um começo de ano bem sólido.

A agência de estatísticas da União Europeia, Eurostat, disse que a produção industrial nos 19 países que usam o euro caiu 0,4 por cento em comparação com o mês anterior, e com ganho de 1,6 por cento em comparação com o mesmo período do ano passado. Foi o terceiro mês seguido de estagnação ou retração.

Economistas consultados pela Reuters esperavam em média um aumento mensal de 0,2 por cento e um aumento anual de 1,6 por cento. A queda mensal foi mais acentuada para o setor de produção de energia, com o consumo de bens não-duráveis também em queda.

(Com Reuters)

 

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