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Após Grécia dizer "não", Ibovespa cai 0,76% e fecha na mínima em mais de 3 meses

Mercado caiu menos do que no começo do dia e o Ibovespa finalmente rompeu a zona de congestão entre 54.300 pontos de 52.500 pontos que já durava mais de um mês

Operador da Bolsa (Bloomberg)
(Bloomberg)

SÃO PAULO - Depois de cair forte pela manhã, zerar ganhos e chegar a ter leve alta, o Ibovespa fechou em queda de 0,76%, a 52.119 pontos esta segunda-feira (6), ainda assim acima da mínima do dia. A Bolsa repercutiu negativamente o resultado do referendo grego no domingo, no qual a população optou por não aceitar as medidas de austeridade fiscal impostas pelos credores internacionais ao país. Com isso, o Ibovespa finalmente rompeu a zona de congestão que já durava mais de um mês entre 52.500 pontos e 54.300 pontos. O volume negociado no pregão de hoje foi de R$ 5,352 bilhões.

O dólar comercial também operou volátil nesta segunda e fechou registrando leves ganhos de 0,089%, a R$ 3,1404 na compra e a R$ 3,1421 na venda, depois de chegar a cair em determinado momento do pregão. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 subiu 2 pontos-base, 13,75%, ao mesmo tempo em que o DI para janeiro de 2021 subiu 7 pontos-base, a 12,65%. 

Segundo o economista da Elite Corretora, Hersz Ferman, a Bolsa brasileira seguiu o movimento das internacionais, embora de maneira muito mais brusca. Para ele, também teve impacto a notícia de que BCE (Banco Central Europeu) continuará o programa de liquidez emergencial para bancos gregos, mas aumentará as restrições, o que pode fazer de uma notícia boa um sinal de alerta para os gregos. 

No mercado externo, o  Stoxx 600, maior índice europeu, caiu 2,22%, enquanto o alemão Dax, de Frankfurt, e o FTSE 100, do Reino Unido, caíram 1,51% e 0,76%. Já os países mais emergentes, parecidos com a Grécia, como França, CAC 40 de Paris, e Itália, FTSE MIB, caíram 2,00% e 4,03% respectivamente. Nos EUA o Dow Jones, o Nasdaq e o S&P 500 caem 0,26%, 0,34% e 0,37% respectivamente.

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 12,85, -0,77%; PETR4, R$ 11,48, -2,13%) fecharam em queda apesar das expectativas para esta semana serem positivas. O Senado pode votar o projeto de lei que retira a obrigatoriedade da estatal de participar com pelo menos 30% nos consórcios de exploração do pré-sal. Mesmo com a oposição do Planalto e principalmente do PT, senadores querem aproveitar o enfraquecimento político da presidente Dilma Rousseff e de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, para votar ainda nesta semana a proposta do senador José Serra (PSDB-SP) que acaba com a obrigação de a estatal ser a operadora única e ter participação mínima de 30% dos consórcios na exploração do pré-sal, segundo escreveu a equipe de análise da XP Investimentos em relatório.

Além disso, em evento realizado hoje em São Paulo, o presidente da companhia, Aldemir Bendine, disse que a "queda no preço do petróleo e a volatilidade cambial criaram a tempestade perfeita para a companhia". Bendine ainda comentou que todas as empresas do setor enfrentaram dificuldades com a queda do petróleo e reduziram investimento para se adequar. O esforço da companhia agora será muito forte para rentabilizar a empresa e gerar caixa, afirmou o presidente.

Vale ressaltar que o preço do petróleo sofreu uma queda anormal no pregão desta segunda-feira ao cair 7,3% o barril do WTI (West Texas Intermediate) e atingir sua mínima em três meses. 

A Vale (VALE3, R$ 17,65, -0,17%; VALE5, R$ 14,97, -1,71%) também teve queda seguindo o recuo de 5% do minério de ferro. Assim como ela, bancos que chegaram a subir 2,6% desde a mínima do dia caem com força e fecharam o pregão no negativo. Recuaram Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 33,92, -1,71%) e Bradesco (BBDC3, R$ 27,34, -1,94%; BBDC4, R$ 28,00, -1,82%). Do lado das altas esteve o Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,85, +0,76%).

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 CPLE6 COPEL PNB 34,09 -3,62 -2,48 18,94M
 CSAN3 COSAN ON 23,00 -3,32 -19,44 36,63M
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA 16,35 -2,79 +46,59 83,65M
 GOLL4 GOL PN N2 6,51 -2,69 -57,11 9,11M
 FIBR3 FIBRIA ON 41,70 -2,57 +29,08 34,53M

Grande parte da melhora do desempenho da Bolsa hoje foi provocada pela forte alta das siderúrgicas como Usiminas (USIM5, R$ 4,18, +3,72%), Gerdau (GGBR4, R$ 6,81, +2,25%), CSN (CSNA3, R$ 4,87, +2,10% e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 5,60, +0,72%), que tiveram uma forte inversão de movimento, depois de cair durante vários pregões nos últimos tempos. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 USIM5 USIMINAS PNA 4,18 +3,72 -16,77 28,47M
 QUAL3 QUALICORP ON 22,25 +3,49 -18,57 63,00M
 BRKM5 BRASKEM PNA 12,83 +3,22 -22,81 13,75M
 ELET6 ELETROBRAS PNB 8,75 +2,94 +8,21 5,37M
 MRFG3 MARFRIG ON 5,46 +2,63 -10,49 10,65M


As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 11,48 -2,13 573,56M 501,72M 45.775 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 33,92 -1,71 283,66M 419,11M 24.554 
 VALE5 VALE PNA 14,97 -1,71 232,59M 305,00M 27.839 
 CIEL3 CIELO ON 44,55 -0,60 222,52M 154,42M 15.136 
 PETR3 PETROBRAS ON 12,85 -0,77 220,34M 202,85M 22.454 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 28,00 -1,82 202,20M 218,85M 15.873 
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON 33,85 -0,56 160,63M 134,67M 5.576 
 BRFS3 BRF SA ON EJ 65,63 +0,20 142,87M 164,89M 7.516 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 19,20 +0,10 133,54M 194,05M 12.516 
 KROT3 KROTON ON 11,64 -1,77 130,60M 129,79M 12.089 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Grécia vota "não"; Varoufakis sai
Um dia após o referendo que decidiu pelo "não" ao acordo com os credores na Grécia, o dia foi de queda para as principais bolsas mundiais. Assim como as bolsas asiáticas, com exceção de Xangai, registraram perdas superiores a 2%, as bolsas europeias fecharam no negativo. 

O "não" às propostas dos credores obteve 61,31% no referendo, segundo números definitivos divulgados pelo Ministério do Interior. Com a totalidade dos votos contados, o sim foi a escolha de 38,69% dos gregos, enquanto 5,8% foram brancos ou nulos. A abstenção foi 37,5%, em um universo de quase 10 milhões de eleitores.

As perdas das bolsas europeias, assim como a queda do euro, chegaram a diminuir, contudo, em meio ao pedido de demissão do ministro das Finanças Yanis Varoufakis. Ele disse que pouco depois de serem anunciados os resultados do referendo, foi informado de certa preferência de alguns participantes do Eurogrupo, e de vários parceiros, pela sua ausência nas reuniões. "Uma ideia que o primeiro-ministro considerou ser potencialmente útil para que conseguisse chegar a um acordo. Por esse motivo, deixo o Ministério das Finanças hoje”, disse Varoufakis, em seu blog, depois de ter feito o anúncio em sua conta no Twitter.

Embora muitos bancos importantes tenham afirmado que os riscos de uma saída da Grécia da zona do euro cresceram desde o voto "não" no domingo, investidores apontaram para a capacidade do Banco Central Europeu (BCE) de limitar o contágio financeiro e intervir se as turbulências no mercado se disseminarem.

"O mercado está, corretamente ou erroneamente, atribuindo uma credibilidade elevada ao fato de que o BCE tem muito mais mecanismos de defesa em vigor do que tinha em 2011 e 2012", disse o estrategista-chefe global do Standard Life Investments, Andrew Milligan.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, confirmou que os chefes de governo dos países da zona do euro vão se reunir na noite desta terça-feira em Bruxelas, para discutir as consequências da rejeição de novas medidas de austeridade fiscal pelos eleitores da Grécia. Com mais de 90% dos votos do plebiscito deste domingo já apurados, o "não" venceu com mais de 61% dos votos.

Indicadores
Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 oscilou de uma retração de 1,49% para uma de 1,50%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 9,04% este ano.

Saiu hoje também o resultado da balança comercial brasileira, que registrou superávit de US$ 636 milhões na primeira semana de julho (de 1 a 5). De acordo com dados divulgados na tarde desta segunda-feira, 6, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o resultado das exportações totalizou R$ 2,556 bilhões e as importações, US$ 1,920 bilhão no período.

No ano, a balança comercial brasileira acumula um superávit de US$ 2,857 bilhões, resultado de vendas externas que somam US$ 96,885 bilhões e importações de U$S 94,028 bilhões.

Além disso, o Banco Central divulgou dados que mostram a quantia de saques da poupança superando a de depósitos em junho, num valor de R$ 6,261 bilhões. Os depósitos na caderneta somaram R$ 162,853 bilhões no mês passado, enquanto as retiradas foram de R$ 169,114 bilhões. Não havia um junho tão ruim desde 1999, quando ficou negativo em R$ 1,4 bilhão. 

 

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