Em mercados / acoes-e-indices

Ibovespa cai pelo 2º dia após "não" grego e caminha para menor fechamento desde março

Mercado caiu menos do que no começo do dia e o Ibovespa finalmente rompeu a zona de congestão entre 54.300 pontos de 52.500 pontos que já durava mais de um mês

ações
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa chegou a zerar perdas nesta segunda-feira (6), mas caminha para fechar em queda de 0,95%, a 52.022 pontos. A Bolsa repercutiu negativamente o resultado do referendo grego no domingo, no qual a população optou por não aceitar as medidas de austeridade fiscal impostas pelos credores internacionais ao país. Com isso, apesar de cair menos do que no início do pregão, o Ibovespa finalmente rompe a zona de congestão que já durava mais de um mês entre 52.500 pontos e 54.300 pontos. 

O dólar comercial opera volátil nesta segunda e agora registra ganhos de 0,26%, a R$ 3,1457 na compra e a R$ 3,1476 na venda. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 sobe 2 pontos-base, 13,75%, ao mesmo tempo em que o DI para janeiro de 2021 sobe 6 pontos-base, a 12,64%. 

Segundo o economista da Elite Corretora, Hersz Ferman, a Bolsa brasileira seguiu o movimento das internacionais, embora de maneira muito mais brusca. Para ele, também teve impacto a notícia de que BCE (Banco Central Europeu) continuará o programa de liquidez emergencial para bancos gregos, mas aumentará as restrições, o que pode fazer de uma notícia boa um sinal de alerta para os gregos. 

No mercado externo, as bolsas europeias fecharam em queda. Nos EUA, o Dow Jones, o Nasdaq e o S&P 500 caem 0,36%, 0,48% e 0,47% respectivamente. Do lado europeu, o FTSE 100 de Londres recuou 0,76%, o DAX, de Frankfurt, caiu 1,51%, o CAC 40, de Paris, teve queda de 2,00%, o FTSE MIB, italiano, registrou perdas de 4,03%, o IBEX 35, de Madri e o Stoxx 600 da Europa caíram 2,22% e 1,15% respectivamente. 

Além disso, o Banco Central divulgou dados que mostram a quantia de saques da poupança superando a de depósitos em junho, num valor de R$ 6,261 bilhões. Os depósitos na caderneta somaram R$ 162,853 bilhões no mês passado, enquanto as retiradas foram de R$ 169,114 bilhões. Não havia um junho tão ruim desde 1999, quando ficou negativo em R$ 1,4 bilhão. 

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 12,77, -1,39%; PETR4, R$ 11,38, -2,98%) operam em queda apesar das expectativas para esta semana serem positivas. O Senado pode votar o projeto de lei que retira a obrigatoriedade da estatal de participar com pelo menos 30% nos consórcios de exploração do pré-sal. Mesmo com a oposição do Planalto e principalmente do PT, senadores querem aproveitar o enfraquecimento político da presidente Dilma Rousseff e de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, para votar ainda nesta semana a proposta do senador José Serra (PSDB-SP) que acaba com a obrigação de a estatal ser a operadora única e ter participação mínima de 30% dos consórcios na exploração do pré-sal, segundo escreveu a equipe de análise da XP Investimentos em relatório.

A Vale (VALE3, R$ 17,65, -0,17%; VALE5, R$ 15,01, -1,44%) também tem queda seguindo o recuo de 5% do minério de ferro. Assim como ela, bancos que chegaram a subir 2,6% desde a mínima do dia caem com força e devem fechar o pregão no negativo. Recuam Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 33,87, -1,85%) e Bradesco (BBDC3, R$ 27,98, -1,89%; BBDC4, R$ 27,15, -2,62%). Do lado das altas estava o Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,79, +0,51%).

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 CSAN3 COSAN ON 22,93 -3,62
 CPLE6 COPEL PNB 34,13 -3,51
 GOLL4 GOL PN N2 6,46 -3,44
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA 16,29 -3,15
 PETR4 PETROBRAS PN 11,38 -2,98

 

Grande parte da melhora do desempenho da Bolsa hoje foi provocada pela forte alta das siderúrgicas como Usiminas (USIM5, R$ 4,17, +3,47%), Gerdau (GGBR4, R$ 6,77, +1,65%) e CSN (CSNA3, R$ 4,83, +1,26%), que tiveram uma forte inversão de movimento. As ações do setor sofrem com fortes baixas há muitas semanas e hoje. Já a Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 5,56, 0,00%) não tem forças para se recuperar das recentes perdas. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 QUAL3 QUALICORP ON 22,39 +4,14
 MRFG3 MARFRIG ON 5,51 +3,57
 USIM5 USIMINAS PNA 4,17 +3,47
 ELET6 ELETROBRAS PNB 8,71 +2,47
 BRKM5 BRASKEM PNA 12,73 +2,41

 

Grécia vota "não"; Varoufakis sai
Um dia após o referendo que decidiu pelo "não" ao acordo com os credores na Grécia, o dia foi de queda para as principais bolsas mundiais. Assim como as bolsas asiáticas, com exceção de Xangai, registraram perdas superiores a 2%, as bolsas europeias fecharam no negativo. 

O "não" às propostas dos credores obteve 61,31% no referendo, segundo números definitivos divulgados pelo Ministério do Interior. Com a totalidade dos votos contados, o sim foi a escolha de 38,69% dos gregos, enquanto 5,8% foram brancos ou nulos. A abstenção foi 37,5%, em um universo de quase 10 milhões de eleitores.

As perdas das bolsas europeias, assim como a queda do euro, chegaram a diminuir, contudo, em meio ao pedido de demissão do ministro das Finanças Yanis Varoufakis. Ele disse que pouco depois de serem anunciados os resultados do referendo, foi informado de certa preferência de alguns participantes do Eurogrupo, e de vários parceiros, pela sua ausência nas reuniões. "Uma ideia que o primeiro-ministro considerou ser potencialmente útil para que conseguisse chegar a um acordo. Por esse motivo, deixo o Ministério das Finanças hoje”, disse Varoufakis, em seu blog, depois de ter feito o anúncio em sua conta no Twitter.

Embora muitos bancos importantes tenham afirmado que os riscos de uma saída da Grécia da zona do euro cresceram desde o voto "não" no domingo, investidores apontaram para a capacidade do Banco Central Europeu (BCE) de limitar o contágio financeiro e intervir se as turbulências no mercado se disseminarem.

"O mercado está, corretamente ou erroneamente, atribuindo uma credibilidade elevada ao fato de que o BCE tem muito mais mecanismos de defesa em vigor do que tinha em 2011 e 2012", disse o estrategista-chefe global do Standard Life Investments, Andrew Milligan.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, confirmou que os chefes de governo dos países da zona do euro vão se reunir na noite desta terça-feira em Bruxelas, para discutir as consequências da rejeição de novas medidas de austeridade fiscal pelos eleitores da Grécia. Com mais de 90% dos votos do plebiscito deste domingo já apurados, o "não" venceu com mais de 61% dos votos.

Indicadores
Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 oscilou de uma retração de 1,49% para uma de 1,50%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 9,04% este ano.

Saiu hoje também o resultado da balança comercial brasileira, que registrou superávit de US$ 636 milhões na primeira semana de julho (de 1 a 5). De acordo com dados divulgados na tarde desta segunda-feira, 6, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o resultado das exportações totalizou R$ 2,556 bilhões e as importações, US$ 1,920 bilhão no período.

No ano, a balança comercial brasileira acumula um superávit de US$ 2,857 bilhões, resultado de vendas externas que somam US$ 96,885 bilhões e importações de U$S 94,028 bilhões.

 

Contato