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Ibovespa apaga "efeito Lula" e sobe na semana, mas continua sem sair do lugar em junho

Índice tem mais uma alta semanal, mas continua a operar dentro da banda do fim de maio entre 52.550 pontos e 4.350 pontos

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira (26) e alcançou mais uma leve valorização semanal, a quarta seguida, mas sem sair da tendência lateral que perdura desde maio. Nesta sexta o índice apagou as perdas da véspera, quando caiu com a piora do cenário político em meio à aprovação de uma MP onerosa ao Orçamento e ao habeas corpus pedido para o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Lá fora, as bolsas norte-americanas e europeias subiram. Na China, o índice Xangai recuou 7,4% com investidores questionando o nível da bolsa, que muitos acreditam estar passando por uma bolha. 

O benchmark da Bolsa brasileira teve alta de 1,58%, a 54.016 pontos. O volume financeiro negociado na BM&FBovespa foi de R$ 5,501 bilhões. Enquanto isso, o dólar comercial teve leve variação positiva de 0,003%, a R$ 3,1260 na compra e a R$ 3,1282 na venda. 

De acordo com o analista da Leme Investimento, João Pedro Brugger, um pouco da pressão de ontem em meio à notícia de Lula se arrefece em um dia de agenda fraca, praticamente vazia de indicadores. Para ele, a alta também reflete a decisão da CMN, que apesar de indicar uma elevação mais contundente dos juros, que aumentaria a atratividade da renda fixa em relação à Bolsa, também traz uma sinalização mais forte e mais positiva.

"É lógico que o BC está subindo juros no curto prazo, mas a mensagem de estar comprometido com o objetivo de alcançar a meta daqui para frente é mais positiva. A médio prazo a gente vê o BC conseguindo atingir a meta. Então se colocar na balança é mais positivo do que negativo", explica.

A semana da Bolsa
Os últimos cinco dias foram novamente de muita promessa de mudança no cenário e pouca alteração efetiva. A Grécia continua sem acordo com os seus credores internacionais às vésperas do vencimento de uma dívida de 1,6 bilhão de euros. 

Do lado doméstico, a grande notícia da semana foi a aprovação da Medida Provisória 672, com a emenda que passa a reajustar todas as aposentadorias pela regra do salário Mínimo. Foi mais uma prova da dificuldade que o governo enfrenta em aprovar as medidas do ajuste fiscal na Bolsa. Caso a medida passe do jeito que está pelo Senado e não sofra veto da presidente Dilma Rousseff (PT), ele gerará um gasto adicional para o Executivo de R$ 9,2 bilhões por ano. 

Durante a semana ainda foi destaque a notícia de que o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, teria entrado com um pedido de habeas corpus para não ser preso na Operação Lav jato. A informação, no entanto, se provou falsa e o pedido foi feito pelo consultor Mauricio Ramos Thomaz. 

Ainda ficou no radar a redução da meta de inflação pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), de 6,5% para 6% ao ano. É a menor em governos do PT e a primeira redução desde 2006. Entre outros indicadores, o desemprego subiu de 6,4% para 6,7% em maio, segundo a PME (Pesquisa Mensal do Emprego) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A piora no mercado de trabalho revela a fragilidade da economia brasileira atualmente. 

Semana de Grécia
Na semana que vem, dia 30, vence a parcela bilionária da dívida grega ao FMI (Fundo Monetário Internacional). Ou seja, saberemos com certeza se a Grécia pagará ou se dará um default e sairá da zona do euro. Os próximos sete dias também serão de divulgação do resultado das contas públicas, mostrando quanto tem sido efetivo o ajuste fiscal e qual o tamanho do trabalho de Levy nos próximos meses.  

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 14,65, +4,79%PETR4, R$ 13,21, +4,84%) caíram antes da reunião que definirá o plano de investimentos da estatal. Segundo informa o jornal O Globo, a diretoria da estatal apresentará ao conselho de administração três propostas de corte nos investimentos para o período de 2015 a 2019: R$ 44,1 bilhões, R$ 66,2 bilhões e R$ 88,2 bilhões. A companhia deve lançar plano de investimentos ‘por agora’, disse o gerente-executivo Fernando Homem da Costa, e os desinvestimentos também estão na pauta, segundo Deyvid Bacelar, membro do conselho da estatal. A companhia ainda negocia a venda de 23 navios segundo informações do Valor Econômico.

Depois de cair pela manhã, os papéis da Vale (VALE3, R$ 19,62, +1,55%VALE5, R$ 16,70, +1,21%) tiveram alta apesar da cotação do minério de ferro. A commodity recua 0,29%, a US$ 62,01 no porto de Qingdao. Esses papéis das siderúrgicas e Vale sobem forte hoje após derrocada desses papéis na véspera com a notícia sobre o habeas corpus de Lula, que aumentou a tensão do mercado. 

Após dois dias de forte queda em meio à decisão do STJ  (Superior Tribunal de Justiça) negar pedido de renovação de concessão da hidrelétrica de Jaguara, as ações da Cemig (CMIG4, R$ 11,85, +2,69%) voltaram a subir na Bolsa. Em destaque, a Cemig foi elevada para neutra pelo banco JP Morgan. 

Do lado das perdas, Kroton (KROT3, R$ 12,16, -5,96%) e Estácio (ESTC3, R$ 17,92, -4,83%) caíram mais de 3%. Em destaque, está o anúncio do Fies, que foi feito na manhã desta sexta-feira pelo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, pelo Facebook. 

O MEC informou que a 2ª edição do FIES terá 61,5 mil novas vagas e que os editais devem ser diponibilizados a partir de 3 de julho. As novas vagas se somam às 252.500 do 1º semestre, totalizando 314 mil vagas do Fies este ano. “Esperamos nos próximos anos manter neste patamar, é essa a intenção do governo”. Os juros serão de 6,5%, ainda subsidiados.

Aluno do Fies terá desconto de 5% no preço do curso mais barato da instituição. E, somados todos os programas federais de acesso ao ensino superior, serão mais de 900.000 vagas ofertadas em 2015.

Altas e quedas semanais

Já do lado positivo ficam os papéis da Marfrig (MRFG3), com uma alta semanal de 15,94% depois que a companhia anunciou a venda da sua subsidiária europeia Moy Park para a JBS (JBSS3), o que deve reduzir substancialmente o seu endividamento. Braskem (BRKM5) subiu 10,81% apesar das investigações da Lava Jato. Hoje a petroquímica reafirmou que segue empenhada "na elucidação dos fatos e à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações" da Operação Lava-Jato. Os bancos como Banco do Brasil (BBAS3) e Santander (SANB11) tiveram fortes altas de 5,97% e 4,16% respectivamente. 

Cabe lembrar que as units do Santander foram do inferno ao céu após "troca" de ações. Desde 31 de outubro, quando foi finalizada a operação para trocar ações da unidade brasileira por uma participação na controladora, o Santander Brasil acumula alta de 26% contra uma valorização de 7% em reais para os papéis do grupo na Espanha. O Santander Brasil é o banco com o melhor desempenho do País este ano, conforme destaca matéria da Bloomberg

A maior queda da semana foi de Estácio (ESTC3), que caiu 10,18% primeiro com a espera e depois com a confirmação das mudanças no Fies. Quem também caiu forte foi a Cemig (CMIG4), cujos papéis recuaram quase 9,40% na semana depois que o STJ negou o pedido de renovação da concessão da hidrelétrica de Jaguara. Eletrobras (ELET3; ELET6) também registrou fortes perdas diante dos boatos de habeas corpus de Lula ontem. Foi 7,74% de desvalorização para as ordinárias e 7,29% para as preferenciais. 

 

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