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Petrobras e Bradesco caem mais de 2% e Ibovespa recua; dólar sobe a R$ 3,09

Dia agitado é majoritariamente negativo para o mercado de ações brasileiro; inflação em junho atinge o maior nível desde 1996

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa cai nesta sexta-feira (19) refletindo o cenário doméstico. O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) mostrou alta maior do que a esperada em junho ao mesmo tempo em que o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) recuou 0,84% em abril, uma queda de 3,13% na comparação anual. Além disso, executivos da Odebrecht foram presos na Operação Lava Jato pela manhã e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, mostrou preocupação com possível rebaixamento de rating do Brasil. 

Às 16h04 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira caía 1,40%, a 53.479 pontos, enquanto o dólar comercial subia 1,20%, a R$ 3,0944 na compra e a R$ 3,0956 na venda. Nos Estados Unidos, as bolsas caem com as dificuldades em negociações da Grécia ainda no radar apesar de uma perspectiva de que o contágio talvez não seja tão forte como o imaginado. Os índices europeus subiram. 

A inflação avançou 0,99% em junho, acumulando alta de 8,8% em 12 meses, foi a maior para meses de junho desde 1996. Já o IBC-Br, considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto), atingiu o nível mais baixo desde maio de 2012. 

Para João Pedro Bugger, analista da Leme Investimentos, o temor em relação à Grécia ainda traz volatilidade, principalmente para os mercados emergentes. Além disso, os dados econômicos preocupam, porque com o avanço bem acima do esperado da inflação o Banco Central deve elevar ainda mais as taxas de juros, o que pode trazer uma migração dos ativos de risco para a renda fixa. 

A piora na economia se junta à notícia de que o governo já se prepara para reduzir a meta de superávit primário deste ano devido à dificuldade de manter as receitas do governo. Em relatório, a equipe de análise da XP Investimentos lembra que Levy segue em conversas com as agências de rating e o Congresso para mudar a meta de superávit após a forte queda das receitas da União, Estados e Municípios e a retração econômica acumulada no ano. O ministro tenta evitar que qualquer mudança afete a nota de grau de investimento brasileira. A agência de rating Standard & Poor’s precisaria de apenas um movimento para retirar a nota. A Moody’s estudará a nota em julho.

Enquanto o Ministro se desdobra, a votação do projeto de lei das desonerações, um dos principais pontos do ajuste fiscal, foi adiado para a próxima semana, mas já é dito que com as festas de São João existe um risco de novo adiamento por falta de quórum.

Ações em destaque
Quem puxa a queda nesta sexta são os bancos, que são prejudicados devido à exposição a empresas da Lava Jato e também recuam por estarem mais expostos a condições econômicas adversas como as mostradas pelos indicadores divulgados no início do dia. Sofrem desvalorização as ações de Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 34,21, -1,64%), Bradesco (BBDC3, R$ 27,26, -1,87%; BBDC4, R$ 28,01, -2,61%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 22,90, -1,63%). 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 BRKM5 BRASKEM PNA 12,54 -9,39
 ESTC3 ESTACIO PART ON 19,89 -3,87
 CMIG4 CEMIG PN 13,02 -3,13
 MULT3 MULTIPLAN ON N2 47,35 -3,03
 VIVT4 TELEF BRASIL PN 42,43 -2,77

 

 

Já as ações da Vale (VALE3, R$ 20,19, -1,03%; VALE5, R$ 17,24, -0,86%) recuam com a queda de 0,66% do minério de ferro hoje. A commodity está cotada a US$ 61,36 no porto de Qingdao. 

A Petrobras (PETR3, R$ 14,49, -2,09%; PETR4, R$ 13,13, -2,31%) volta a cair refletindo a Lava Jato e notícia de que o reajuste dos combustíveis ficará mais difícil por conta da crise econômica brasileira, que reduz o consumo. A Polícia Federal (PF) cumpre desde a madrugada desta sexta-feira (19) a 14ª fase da Operação Lava Jato, com o cumprimento de  59 mandados judiciais em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo e o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, além de outros executivos, foram presos, de acordo com informações de diversos jornais. Esta nova fase foi batizada de Erga Omnes, como recado de que "a lei vale para 'todos'". 

Do lado positivo estão os papéis da Cyrela (CYRE3, R$ 10,00, +2,98%) que aprovou programa de recompra de até 20 milhões de ações, equivalentes a 7,61% do total das ações ordinárias da companhia, pelo prazo máximo de um ano, iniciando-se em 19 de junho. O objetivo do programa é adquirir as ações para manutenção em tesouraria e posterior cancelamento ou alienação, com vistas à aplicação eficiente de recursos disponíveis para investimentos, com o fim de maximizar valor para os acionistas, disse a empresa, em comunicado ao mercado.

O desempenho também não é negativo para os papéis de exportadoras de papel e celulose como Fibria (FIBR3, R$ 42,60, +1,79%) e Suzano (SUZB5, R$ 15,95, +1,40%), que são beneficiadas pela alta do dólar uma vez que possuem suas receitas na moeda norte-americana. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

 

Cód.AtivoCot R$% Dia
 CYRE3 CYRELA REALT ON 10,02 +3,09
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 11,37 +1,97
 FIBR3 FIBRIA ON 42,57 +1,72
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 18,43 +1,43
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA 15,95 +1,40


Europa se recupera
Depois de repetidas quedas por causa dos temores de um default da Grécia, as bolsas europeias subiram nesta sexta com especulação de que mesmo com crise de liquidez o país não causará contágio. Já o grande destaque das bolsas mundiais hoje são os índices chineses, que caíram forte corrigindo o rali recente. 

Os ministros das Finanças da zona do euro vão realizar outra reunião em Bruxelas na segunda-feira às 10h (horário de Brasília) sobre a Grécia para preparar a cúpula de líderes da zona do euro que começa às 14h, afirmou o presidente do grupo, Jeroen Dijsselbloem.

Entre os indicadores, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da Alemanha ficou estável em maio ante abril, segundo dados publicados hoje pela agência de estatísticas do país, a Destatis. O resultado veio abaixo da expectativa de analistas consultados pelo Wall Street Journal, que previam alta de 0,2%. Na comparação anual, o PPI alemão recuou 1,3% em maio, mais do que a queda prevista de 1,1%.

Já na Ásia, as ações do índice Xangai despencaram mais de 6%, a 4.478 pontos, acumulando queda de mais de 9% da semana e de mais de 10% ante máxima atingida no começo de junho. A correção desta semana foi causada por novas medidas de reguladores para apertar o financiamento de margens - um importante motor por trás do rali frenético do mercado - e foi piorada por uma onda gigante de ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês), que aumentou muito a oferta de papéis.

No Japão, o banco central do país manteve a política monetária e sua avaliação otimista sobre a economia nesta sexta-feira, sinalizando sua convicção de que a inflação irá atingir a meta de 2% sem estímulo monetário adicional. O índice Nikkei subiu 0,92%, a 20.174 pontos. 

Como esperado, o BoJ (Bank of Japan) reiterou sua promessa de elevar a base monetária, ou dinheiro e depósitos no banco central, a um ritmo anual de 80 trilhões de ienes (US$ 648 bilhões) através de compras de títulos do governo e ativos de risco. O banco central também informou que vai reduzir o número de reuniões de política monetária para oito a cada ano, contra as atuais 14.

(Com Reuters)

 

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