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Ibovespa cai 0,3% com correção de bancos, ata do Copom e Grécia; dólar recua

Índice e dólar viram desvalorização em dia de pessimismo no mercado; moeda dos EUA caiu com espera por captações trazendo fluxo de dólares para cá

Operador da Bolsa (Bloomberg)
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa fecha em queda nesta quinta-feira (11) com notícias do cenário externo se mesclando à correção depois da forte alta de ontem e à ata do Copom (Comitê de Política Monetária) mais "hawkish" (agressiva) para afundar o mercado de ações. Lá fora, as bolsas norte-americanas tiveram um rali e subiram apesar das preocupações com Grécia, que não conseguiu chegar a um acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional) hoje. O benchmark da Bolsa brasileira registrou queda de 0,35%, a 53.688 pontos. O volume financeiro negociado na BM&FBovespa foi de R$ 6,324 bilhões.

Ao mesmo tempo, o dólar comercial teve perdas da ordem de 0,28%, a R$ 3,1053 na compra e a R$ 3,1060 na venda. O câmbio reagiu pela manhã à decisão do Banco Central de reduzir os contratos em leilão de swaps, mas acabou viando para o terreno negativo perto do fim do pregão. Para especialistas em câmbio, o mercado interpretou tardiamente o real significado do anúncio do BC. Acredita-se que isso é decorrente da entrada prevista de fluxo devido às captações. 

"Tivemos um susto com a redução nas rolagens e dados positivos nos EUA. Passado isso, o mercado foi interpretar, de fato, o anúncio do BC. O que o mercado está vendo é que esse corte pode sinalizar mais captações em curso", disse José Faria Júnior, diretor de câmbio da Wagner Investimentos.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 sobe 16 pontos-base para 13,89% enquanto o DI para janeiro de 2020 sobe 5 p.bs. para 12,89%, refletindo a ata do Copom. 

Ata do Copom
A ata da última reunião do Copom registrou que a inflação está mostrando persistência e que os avanços no enfrentamento a ela não têm se mostrado suficientes para combatê-la. Na semana passada, o comitê elevou a taxa básica de juros da economia brasileira em 0,5 ponto percentual de 13,25% para 13,75%. 

"A propósito, o Copom avalia que o cenário de convergência da inflação para 4,5% no final de 2016 tem se fortalecido. Para o Comitê, contudo, os avanços alcançados no combate à inflação – a exemplo de sinais benignos vindos de indicadores de expectativas de médio e longo prazo – ainda não se mostram suficientes. Nesse contexto, o Copom reafirma que a política monetária deve manter-se vigilante", diz a ata.

Para Bruno Gonçalves, analista da WinTrade, a sinalização de mais juros que vem com a comunicação mais hawkish (agressiva) do Banco Central traz maior atratividade para a renda fixa enquanto reduz o apetite de risco para Bolsa. 

Ações em destaque
Quem mais pesou sobre o índice hoje foram as ações de bancos, que corrigiram depois de subir ontem depois que notícia do Valor Econômico trouxe informações de que a tributação de dividendos e o fim dos juros sobre capital próprio estariam longe dos horizontes do Ministério da Fazenda dentro do contexto do ajuste fiscal. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 33,55, -0,62%), Bradesco (BBDC3, R$ 26,69, -0,22%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,07, -0,60%) registraram queda. 

Junto com os bancos pesaram as incorporadoras como Cyrela (CYRE3, R$ 10,18, -1,93%) e Gafisa (GFSA3, R$ 2,33, -3,72%). O setor de construção é um dos mais afetados pela alta dos juros, já que a compra de imóveis está muito relacionada à quantidade de crédito disponível. 

As ações da Cielo (CIEL3, R$ 41,66, -2,82%) caíram forte hoje, figurando entre as maiores perdas dentro do Ibovespa depois de uma arrancada de 6% na véspera sem motivo aparente. O volume movimentado com os papéis na quarta-feira também chamou atenção, atingindo quase R$ 370 milhões, contra média diária de R$ 148 milhões nos últimos 21 pregões. 

As ações da Sabesp (SBSP3, R$ 17,81, -2,36%) também apareceram entre as maiores quedas do Ibovespa. Em relatório final que foi entregue na quarta-feira, a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Sabesp, iniciada em agosto do ano passado, responsabilizou a companhia por falta de água em São Paulo, recomendou mudanças na relação entre a Prefeitura da capital e a empresa e sugeriu que o município de São Paulo tenha autoridade reguladora e fiscalizadora municipal, para monitorar a política de saneamento básico. Para a Sabesp, houve "muitas imprecisões no relatório da CPI".  

Já as ações da Petrobras (PETR3, R$ 14,15, 0,00%PETR4, R$ 13,05, 0,00%) operaram entre perdas e ganhos após o BTG Pactual ter cortado o preço-alvo dos ADRs (American Depositary Receipts) da estatal hoje, passando de US$ 10,00 para US$ 9,00, em meio a perspectivas menores para o preço do petróleo depois da reunião da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). O banco reduziu as projeções para o preço da commodity esse ano de US$ 90 para US$ 75, enquanto para 2016 passou de US$ 85 para US$ 80. 

Hoje, as cotações do petróleo recuam depois de seguidas sessões de alta. O barril do WTI (West Texas Intermediate) cai 0,60%, a US$ 61,06, ao passo que o Brent tem queda de 0,68%, a US$ 65,25.

Os papéis da Embraer (EMBR3, R$ 23,45, +0,13%) zeraram ganhos depois de liderar as altas pela manhã. Com perfil exportador, a companhia é impactada pela queda do dólar, já que sua receita se dá na moeda norte-americana. 

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 DTEX3 DURATEX ON 8,02 -3,72 +0,71
 GFSA3 GAFISA ON 2,33 -3,72 +5,91
 CIEL3 CIELO ON 41,66 -2,82 +21,33
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 18,96 -2,47 +30,78
 SBSP3 SABESP ON 17,81 -2,36 +6,80

 

Por outro lado, as ações da Vale (VALE3, R$ 21,33, +0,57%VALE5, R$ 18,02, +1,24%) subiram. Um relatório do BTG Pactual disse que a chance do minério de ferro cair abaixo de US$ 50 a tonelada diminuiu, mas que o recente rali da commodity é temporário. "Lembramos que nos próximos anos temos 250 milhões de toneladas de nova capacidade no mercado", afirma a equipe de análise do banco de investimentos. 

Assim como a mineradora, siderúrgicas subiram nesta quinta. Elas ganharam impulso dos dados da China de investimento em ativo fixo, que reforçam as expectativas de estímulo no país. CSN (CSNA3, R$ 6,13, +1,49%), Gerdau (GGBR4, R$ 8,71, +3,57%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 7,70, +2,94%) e Usiminas (USIM5, R$ 4,82, +0,84%) tiveram altas.  

As ações do setor de educação também subiram, seguindo o movimento de disparada dos últimos tempos. Kroton (KROT3, R$ 12,45, +3,75%) e Estácio (ESTC3, R$ 20,55, +2,39%) subiram pelos últimos cinco pregões. Os papéis ganham força em meio ao anúncio do Ministério da Educação, Janine Ribeiro, de que reabrirá o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) no segundo semestre, com a possibilidade de abertura de aproximadamente 100 mil vagas. Segundo ele, o programa vai priorizar as instituições das regiões Norte e Nordeste - que tem apelo, em especial para a Ser, que possui forte exposição nas regiões.  

Quem também subiu forte foi a Marfrig (MRFG3, R$ 4,05, +3,85%). Analistas não souberam explicar a alta, que também não faz sentido pelo movimento do dólar, já apesar do perfil exportador, sua dívida está atrelada à moeda dos EUA. Na terça, as ações da empresa bateram as mínimas desde março do ano passado. 

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 MRFG3 MARFRIG ON 4,05 +3,85 -33,61
 KROT3 KROTON ON 12,45 +3,75 -19,30
 GGBR4 GERDAU PN 8,71 +3,57 -7,90
 GOAU4 GERDAU MET PN 7,70 +2,94 -31,28
 ESTC3 ESTACIO PART ON 20,55 +2,39 -12,19

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 33,55 -0,62 484,96M
 VALE5 VALE PNA 18,02 +1,24 464,65M
 PETR4 PETROBRAS PN 13,05 0,00 448,12M
 ITSA4 ITAUSA PN ED 8,58 -1,49 268,17M
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 28,30 +0,25 265,56M
 BRFS3 BRF SA ON 68,17 -0,99 231,28M
 CIEL3 CIELO ON 41,66 -2,82 215,02M
 ABEV3 AMBEV S/A ON EJ 18,75 -0,27 210,60M
 PETR3 PETROBRAS ON 14,15 0,00 181,41M
 KROT3 KROTON ON 12,45 +3,75 152,73M

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão) 

Dilma e Banco Mundial preocupados
Também no radar, a presidente Dilma Rousseff demonstrou nesta quinta, preocupação com alta da inflação, que em maio chegou a 0,74%, o maior índice mensal do IPCA desde 2008, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dilma afirmou que "o Brasil não pode conviver com inflação alta", mas "já está tomando todas as medidas" para estabilizar os preços. Indagada sobre a crise internacionais e seus desdobramento, a presidente afirmou que a "marolinha" "virou onda".

Ainda tem impacto no mercado hoje, o corte da previsão de crescimento do Brasil em 2015 e para os próximos dois anos pelo Banco Mundial. A previsão para este ano é de que a economia brasileira encolha 1,3%. Em um documento anterior, divulgado em janeiro, a instituição estimava expansão de 1% para o País. O Brasil foi o país que teve o maior corte de projeções entre as principais economias mundiais avaliadas no documento do Banco Mundial. Além do corte em 2015, a projeção para o ano que vem foi reduzida de crescimento de 2,5% previsto em janeiro para 1,1%. Para 2017, a nova estimava é de expansão de 2% no Produto Interno Bruto (PIB), ante 2,7% do documento anterior.

Varejo melhor nos EUA
Nos Estados Unidos, as vendas do varejo subiram 1,1% em maio, mostrando recuperação da economia norte-americana. Dados melhores nos EUA são geralmente vistos como negativos na Bolsa porque aumentam as chances de uma elevação dos juros na maior economia do mundo mais cedo que o esperado. As bolsas norte-americanas fecharam em alta. 

Pressão volta na Grécia
Segundo informações da Bloomberg, o presidente da União Europeia, Donald Tusk, disse a Tsipras para aceitar as condições de auxílio financeiro depois que o FMI (Fundo Monetário Internacional) deixou a reunião de Bruxelas de mãos vazias. O FMI disse que a equipe do fundo saiu da reunião depois de falhar em conseguir progresso com um acordo para a dívida que ajudasse a Grécia a evitar um default. 

"Nós precisamos de decisões e não de negociações agora", afirmou Tusk. 

Dados da China
Enquanto isso, na Ásia, o dia também foi de ganhos, com destaque para o Nikkei, que subiu 1,68%. Em destaque, estão os dados da China. O investimento em ativo fixo da China cresceu mais lentamente do que o esperado em maio e a uma taxa que não era vista desde 2000, embora a expansão das vendas no varejo e da produção industrial tenha se estabilizado, alimentando argumentos a favor de Pequim aumentar o suporte de política para evitar uma desaceleração mais forte. Com isso, continuam as expectativas por estímulo no país. 

A produção industrial cresceu 6,1% no mês passado em comparação com o mesmo período do ano anterior, informou nesta quinta-feira a Agência Nacional de Estatísticas, ante expectativa de alta de 6% e 5,9% em abril.

As vendas no varejo da China cresceram 10,1% em maio ante igual mês do ano passado, apresentando ligeira aceleração frente ao acréscimo anual de 10,0% visto em abril, segundo dados divulgados hoje pelo Escritório Nacional de Estatísticas do país. O resultado de maio veio em linha com a previsão de economistas consultados pelo Wall Street Journal.

 

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