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Kroton dispara 12% e Hering despenca 10% com resultados e MSCI em destaque

Última semana de balanços do primeiro trimestre e mudança em índice do Morgan Stanley definem as maiores altas e baixas de semana

SÃO PAULO - A semana termina com o Ibovespa praticamente estável em um período marcado pela temporada de resultados do primeiros trimestre, que termina nesta sexta-feira (15). Entre as 66 ações que formam o índice foram 6 papéis encerrando a semana com alta de mais de 5%, enquanto outros 11 ativos tiveram queda de mais de 5%. Após sofrer desde o início do ano com as mudanças no Fies, a Kroton (KROT3) conseguiu ter ganhos sucessivos e fechou esta sexta com alta acumulada de 12,15% em 5 dias, para R$ 12,38, liderando o Ibovespa.

A companhia disparou 8,5% na terça-feira após a divulgação de seu balanço. A empresa viu seu lucro líquido ajustado subir 56,9% no primeiro trimestre, com R$ 455,3 milhões, com o controle mais rígido de custos e despesas compensando as mudanças no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Segundo a Kroton, o parcelamento especial privado, linha criada para alunos ingressantes como alternativa ao Fies, foi um dos fatores que ajudou a empresa a adicionar 319.700 novos alunos de graduação, (+6,2% ante 2014). 

Para a XP Corretora, o resultado foi levemente acima do esperado. Apesar da forte desaceleração na captação e crescimento da base, os números foram acima do projetado pela Kroton. "Mesmo com a forte queda na margem, por conta da aquisição da Anhanguera, já observamos uma boa evolução na comparação pro-forma", comentaram os analistas.

Gol
Também entre as maiores altas, a Gol (GOLL4) subiu forte após seu balanço de início de ano. A companhia anunciou que encerrou o primeiro trimestre com prejuízo líquido de R$ 672,7 milhões, aumento de 599,7% em relação aos R$ 96,1 milhões negativos em 2014. Segundo a XP Investimentos, o resultado veio pior do que o esperado, enquanto o BTG Pactual comentou que não trouxe grandes surpresas. A companhia terminou a semana com ganhos de 7,88%, a R$ 8,35.

Os analistas do BTG destacaram que esperam resultados fracos nos próximos trimestres e aumento da alavancagem dado que o dólar é um dos principais drivers do case de investimento da Gol (75% da dívida e 60% do opex - custos de operação, na sigla em inglês - são atrelados à moeda americana), os preços dos combustíveis têm se movido na direção contrária (o preço à vista no Brasil aumentou cerca de 20% contra média do primeiro trimestre) e os yields baixos devem continuar pressionando a rentabilidade da companhia e, portanto, aumentando a alavancagem.

Cia. Hering
Desde que divulgou seu balanço trimestral, a Hering (HGTX3) segue sofrendo na Bolsa. Após despencar 22% apenas na última sexta-feira, a companhia termina esta semana com desvalorização de 9,37%, cotada a R$ 13,15. A varejista teve lucro líquido de R$ 41,5 milhões entre janeiro e março, queda de 35,7% ante mesmo período do ano passado. Segundo a empresa, o resultado foi afetado pela queda do resultado operacional e pelo aumento de 83,1% da despesa financeira líquida, a R$ 12,3 milhões, refletindo aumento dos juros.

Sem trazer novos ares, o mercado voltou a penalizar a empresa hoje após o resultado do primeiro trimestre. O consenso dos analistas é de um resultado "fraquíssimo". Não bastasse os números ruins, com as vendas para franqueados e lojas multimarcas caindo 14% e 16%, respectivamente, a expectativa da empresa também preocupa. A empresa disse que as vendas mais fracas para franqueados e multimarcas foi por conta do ambiente macro mais complicado e o foco da empresa é normalizar isso.

O problema veio com a perspectiva da empresa de quando isso será normalizado: apenas a partir do quarto trimestre de 2015. As vendas de franqueados e multimarcas representam, atualmente, 86% da receita da companhia. Vale destacar ainda o corte de recomendação feito pelo Deutsche Bank, que colocou as ações em manutenção, baixando seu preço-alvo de R$ 24,50 para R$ 16,00.

MSCI
Tirando a temporada de resultados, um outro fator acabou decidindo as maiores altas e baixas nesta semana. Na noite de terça foi divulgado o relatório do MSCI (Morgan Stanley Capital Internacional) com sua expectativa para o próximo rebalanceamento semianual do índice previsto para o próximo dia 29 de maio. Conforme documento Eletrobras ON (ELET3, R$ 7,22, -10,97%), Bradespar (BRAP4, R$ 11,51, -6,80%) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 9,08, -9,65%) serão excluídos do índice, o que deixou estas ações entre as maiores quedas.

Do lado de entradas, os papéis da Klabin (KLBN11, R$ 19,95, +5,78%), Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 92,08, -5,92%), Suzano (SUZB5, R$ 15,49, +2,38%), Cetip (CTIP3, R$ 35,00, +2,27%), Oi (OIBR4, R$ 6,14, +6,97%) e Qualicorp (QUAL3, R$ 24,97, +0,97%) devem ganhar uma participação maior, mas não tão relevante, segundo Credit Suisse. Mesmo assim, Oi e Klabin acabaram ficando entre as maiores altas da semana com essa informação.  

Essas revisões costumam ter impacto direto no desempenho das ações, tendo em vista que os papéis que fazem parte desses índices ganham maior atratividade de fundos de investimentos internacionais - que movimentam grande quantia de capital. 

Confira as maiores altas da semana:

Ação Preço Alta na semana
Kroton ON R$ 12,38 +12,15%
Marcopolo PN R$ 3,19 +8,14%
Gol PN R$ 8,35 +7,88%
Rumo ON R$ 1,34 +7,20%
Oi PN R$ 6,14 +6,97%

Confira as maiores quedas da semana:

Ação Preço Queda na semana
Eletrobras ON R$ 7,22 -10,97%
Metalúrgica Gerdau PN R$ 9,08 -9,65%
Cia. Hering ON R$ 13,15 -9,37%
Usiminas PNA R$ 5,45 -8,25%
Marfrig ON R$ 4,08 -7,27%

 

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