Em mercados / acoes-e-indices

Mudanças à vista: BTG vê Smiles dentro e PDG, Even e Light fora do Ibovespa

Para o banco, primeira de três prévias da carteira que vigorará no 2º quadrimestre de 2015 deverá ter mais saídas que entradas; PDG é a grande vítima, deixando o Ibovespa, o IBr-X 50 e o IBr-X 100

Compra e venda
(Shutterstock)

SÃO PAULO - No dia 1º de abril, o mercado conhecerá a 1ª das três prévias da nova carteira do Ibovespa, que vigorará no 2º quadrimestre do ano (entre maio e agosto). Como as mudanças na composição do principal índice de ações da BM&FBovespa costumam ter impacto imediato nas ações alvo de revisão, muitos analistas tentam se antecipar a essas alterações, tentando "adivinhar" através da metodologia utilizada pela Bovespa quais serão as novidades neste novo quadrimestre.

A equipe de análise do BTG Pactual fez uma avaliação de quais deverão ser essas mudanças. Em relatório, o banco de investimentos disse esperar a entrada da empresa de programas de descontos e milhas Smiles (SMLE3), que já havia sido apontada como possível novidade no índice por relatório da Citi Corretora.

Ao contrário da Citi, no entanto, o BTG vê saídas do índice. Para o banco, devem sair PDG Realty (PDGR3), Even (EVEN3) e Light (LIGT3). Não só, ele crê que a chance de outra ação, além de Smiles, passar a compor o benchmark é pequena, enquanto que a Citi via como possibilidades os ingressos de Equatorial Energia (EQTL3), e Raia Drogasil (RADL3). 

Além destas mudanças, o BTG também espera que o rebalanceamento dos pesos do Ibovespa dê um peso maior ao setor de bens de capital (+0,42%), graças à demanda extra de fundos indexados gerada pela Embraer e avaliada em R$ 33,6 milhões. Outros setores que ganharão mais peso deverão ser os de companhias aéreas (+0,31%), bancos (+0,29%) e telecomunicações (+0,25%). Dentre os que devem ver sua participação na carteira teórica reduzida estão comida e bebida, que deve perder 0,37% do seu peso, indústria química (-0,27%), energia e saneamento (-0,21%) e mineradoras (-0,18%). 

E no IBr-X?
Dentre os outros índices acionários da BM&FBovespa, o IBr-X 50 e o IBr-X 100 também devem sofrer modificações. No primeiro, devem entrar Multiplan (MULT3) e Cesp (CESP6) e sair PDG e Br Properties (BRPR3). Já no segundo, entrariam Anima (ANIM3), Arteris (ARTR3) e Lojas Americanas (LAME3), de acordo com o banco. As saídas ficariam por conta de, novamente o PDG, além de M. Dias Branco (MDIA3) e Queiroz Galvão Exploração e Produção Participações (QGEP3). 

Operando com as mudanças
O mais interessante destas alterações, contudo, é que elas possibilitam operações praticamente livres de risco. Este fenômeno acontece porque as mudanças promovidas tanto no Ibovespa quanto nos IBrX-100 e 50 podem resultar em fortes movimentos de alta no preço destas ações que entraram nos índices ou de queda nos papéis que saíram das carteiras teóricas. Isso ocorre pelo alto montante de capital aplicado em fundos de investimentos que possuem como objetivo acompanhar ou superar estes benchmarks do mercado. Segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), havia até o dia 20 de março um total de R$ 15,176 bilhões distribuídos nos patrimônios de fundos Ibovespa Ativo (cujo objetivo é superar a performance do índice) e Ibovespa Passivo (objetivo de acompanhar o índice). 

No caso dessa primeira prévia do índice, por exemplo, o BTG calcula que as ações que mais se beneficiarão devem ser Smiles e Embraer (EMBR3), que sofreriam pressões compradoras de 0,82 vezes os dias de trade ou 82% do volume diário e 0,24 vezes os dias de trade ou 24% do volume diário, respectivamente. Isso não quer dizer nada mais do que para continuar acompanhando o Ibovespa, os fundos terão que comprar 0,82 vezes o volume diário negociado dos papéis da Smiles e 0,24 vezes o volume diário negociado dos papéis da Embraer. Quem for dono das ações destas empresas, então, poderá vendê-las muito mais caro para os fundos no dia que as alterações forem confirmadas. 

Do outro lado, para que Smiles entre, Bradesco (BBDC3) e Ultrapar (UGPA3) terão suas participações reduzidas. Pelos cálculos do BTG, a pressão vendedora em cima do banco será igual a 0,22 vezes os dias de trade, ou 22% do volume diário e para a companhia de óleo e gás, igual a 0,16 vezes os dias de trade, ou 16% do volume diário. Já no caso da cervejaria Ambev (ABEV3), os fundos teriam que vender R$ 52,4 milhões, o que resulta em 0,19 vezes os dias de trade. 

 

Contato