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Petrobras paralisa perfuração em Libra e cai 4% e Vale fecha na mínima; veja mais

Entre os destaques ainda estiveram os papéis da Qualicorp que após caírem 17,5% em 4 dias fecharam como a maior alta do Ibovespa hoje e as exportadoras, que subiram com dólar

Petrobras
(André Valentim / Banco de Imagens Petrobras)

SÃO PAULO - A sessão desta terça-feira (10) voltou a ser de fortes perdas para a Bolsa, com o Ibovespa fechando com queda de 1,77%, a 48.510. Entre os destaques estiveram novamente os papéis da Vale e das siderúrgicas, que desta vez figuraram no vermelho, passada a euforia do mercado com possíveis estímulos econômicos pela China. O mercado também seguiu de olho na Petrobras, que fechou com perdas nesta sessão em meio à notícia de que a estatal paralisou as perfurações em um poço de Libra.

Ainda se destacaram os papéis das exportadoras, que fecharam com fortes ganhos em meio à alta do dólar, que atingiu hoje os R$ 2,836, batendo seu maior patamar em dez anos. Os papéis da Embraer fecharam entre os principais ganhos do Ibovespa, chegando a valorização de 2,57% na sua máxima intradiária.

Veja os destaques da sessão desta terça-feira:

Siderúrgicas e Vale
As ações do setor de siderurgia fecharam com fortes perdas juntamente com o mercado, passada euforia com expectativas de estímulos na China. Hoje, saiu o Índice de Preços ao Consumidor chinês, que mostrou alta interanual de 0,8% em janeiro, bem abaixo dos últimos cinco anos. O CPI encerrou 2014 em alta de 1,5%, bem abaixo da meta de 3,5% estabelecida por Pequim.

Na Bolsa, Usiminas (USIM5, R$ 3,88, +0,78%) conseguiu segurar seus papéis no positivo, enquanto CSN (CSNA3, R$ 4,96, -0,40%), Gerdau (GGBR4, R$ 9,74, -4,79%) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 10,22, -5,46%) fecharam no vermelho, com as duas últimas acentuando perdas durante a tarde. A Vale (VALE3, R$ 20,40, -5,51%; VALE5, R$ 17,72, -4,78%) fechou entre as principais perdas do Ibovespa em sua mínima intradiária. O analista Flávio Conde falava mais cedo que a alta desses papéis não era sustentável e poderia ser a hora de embolsar os lucros. 

Petrobras (PETR3, R$ 8,83, -4,02%; PETR4, R$ 8,92, -3,88%)
As ações da Petrobras fecharam com forte queda nesta sessão depois de início positivo diante da possibilidade da divulgação do balanço auditado. Uma matéria da Bloomberg apontava que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, iria ajudar a encontrar uma solução para o balanço da estatal, identificando uma metodologia para a baixa contábil. Falou-se hoje em baixa de R$ 10 bilhões a R$ 20 bilhões. Ainda no radar, há notícia de que o Planalto quer Guido Mantega e Miriam Belchior fora do conselho de administração da empresa, segundo reportagem do jornal O Globo.

A estatal paralisou os trabalhos de perfuração em sua maior descoberta em águas profundas, informaram duas fontes à Bloomberg. A perfuração em um poço de Libra foi paralisada por mais de uma semana devido a um procedimento de manutenção não planejado. De acordo com a agência de notícias a Petrobras não respondeu imediatamente ao pedido de comentários sobre o incidente. 

Exportadoras
Em dia de queda do Ibovespa, as ações de empresas com perfil exportador foram beneficiadas pela disparada do dólar, que bateu o maior patamar em mais de dez anos. Em destaque, aparecem os papéis da fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3, R$ 25,00, +2,00%) e da empresa do setor de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 36,06, +0,36%).  

Ambev (ABEV3, R$ 17,98, -0,99%)
Após três dias de alta, os papéis da Ambev fecharam no negativo nesta terça-feira. Hoje, a companhia informou que a Cervejaria Bohemia, da Ambev, se uniu a microcervejaria mineira Wäls. Os ativos das companhias serão unidos para formar uma nova empresa gerida pela Ambev. Em teleconferência nesta tarde, o diretor de marketing da Bohemia, Daniel Wakswaser declarou que a companhia poderá se associar a outras cervejarias artesanais após a aquisição da Wäls. "Podemos nos aliar com outras empresas, mas não é prioridade no momento", afirmou o diretor. 

BB Seguridade (BBSE3, R$ 29,31, -2,40%)
A companhia registrou novamente números fortes no quarto trimestre, com lucro líquido de R$ 1,14 bilhão (+26% contra 4T13), frente a média dos analistas compilada pela Bloomberg de R$ 894,7 milhões. Além disso, o conselho de administração da companhia aprovou o pagamento de R$ 1,57 bilhão em dividendos. Para a XP Investimentos, o resultado operacional veio positivo, com crescimento em todas as linhas do negócio. O único indicador que veio abaixo do guidance foi o segmento Vida, Habitacional e Rural, porém todos os outros mais que compensaram. 

Banco do Brasil (BBAS3, R$ 21,71 -3,34%)
O Banco do Brasil fechou no vermelho juntamente com o mercado um dia antes da divulgação do seu balanço do quarto trimestre. Ele é o último dos bancos grandes a reportar resultado. Os números serão divulgados antes da abertura do pregão de amanhã. 

Educacionais
Os papéis do setor de educação voltaram a cair forte na Bolsa. Esse pregão foi a terceira queda seguida dos papéis da Anima (ANIM3, R$ 16,48, -5,50%) e Estácio (ESTC3, R$ 15,77, -3,19%), quando acumulam perdas de 19,5% e 11,4%, respectivamente. Kroton (KROT3, R$ 10,30, -3,74%) e Ser Educação (SEER3, R$ 12,81, -8,50%) deram uma trégua ontem mas voltaram a fechar no vermelho hoje. 

No radar, o Ministério da Educação disse hoje que não vai abrir mão de exigir média de 450 pontos nas provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) para acessar o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). Segundo o secretário executivo do MEC, Luiz Cláudio Costa, o Sistema Fies estará aberto para novos contratos "muito antes de abril, estamos trabalhando com questão de dias", disse sem informar a data precisa.

Hypermarcas (HYPE3, R$ 17,43, +0,29%)
A companhia disse ontem que vai repassar integralmente o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para os preços a partir de maio. A empresa vai fazer também um reajuste em abril para repasse da inflação e cogita ainda um terceiro aumento dos preços na divisão de consumo na segunda metade do ano. 

BM&FBovespa (BVMF3, R$ 9,30, -1,17%)
A Bolsa deve divulgar após o fechamento deste pregão seu resultado. A estimativa dos analistas compilada pela Bloomberg é de lucro líquido de R$ 391,2 milhões no quarto trimestre.

Qualicorp (QUAL3, R$ 23,29, +4,67%)
Depois de quatro dias seguidos de quedas, quando acumularam perdas de 17,5%, as ações da Qualicorp tiveram um respiro na Bolsa e fecharam como a maior alta do Ibovespa nesta terça. Os papéis caíram com notícias de que haverá mudanças de regras nos planos de saúde individuais, para ampliar a concorrência. A companhia até tentou reverter o cenário pessimista na quinta-feira, afirmando que houve um equívoco na interpretação da matéria, dizendo que não haverá alterações na regra de reajuste dos planos individuais, mas o mercado seguiu vendendo os papéis. A trégua só veio hoje.

Abril Educação (ABRE3, R$ 11,80, -1,17%)
Passado a disparada da véspera, que levou os papéis da Abril Educação mais próximo do patamar de R$ 12, as ações fecharam com leve queda hoje. A expectativa é que os ativos operem próximos a esse patamar até a realização da OPA (Oferta Pública de Aquisição), Thunnus Participações, sociedade detida por fundos de investimentos geridos pela Tarpon Investimentos. Ela informou ontem que tomará o controle da companhia pagando R$ 12,33 por ação ordinária. Vale mencionar que o valor se estenderá aos demais acionistas minoritários uma vez que a ação tem o famoso "tag along". 

São Martinho (SMTO3, R$ 33,70, -0,59%)
A São Martinho registrou lucro líquido de R$ 53,5 milhões no terceiro trimestre fiscal de 2015 e receita líquida de R$ 594,2 milhões.

Santos Brasil (STBP11, R$ 12,40, -7,46%)
A Santos Brasil teve lucro líquido de R$ 18,1 milhões no quarto trimestre de 2014, abaixo da expectativa do mercado de R$ 56,1 milhões, segundo compilado da Bloomberg.

Localiza (RENT3, R$ 33,81, -3,73%)
A Localiza teve seu preço-alvo elevado de R$ 35 para R$ 37,50 pelo BB Investimentos. Ontem, a companhia divulgou seu resultado, com alta de 6,8% do seu lucro líquido em 2014, para R$ 410,6 milhões. 

 

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