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Após disparada repentina, ação ON da Petrobras volta a cair; veja mais destaques

Confira os principais destaques da Bovespa na tarde desta quinta-feira

Petrobras Plataforma P-56
(Agência Petrobras)

SÃO PAULO - As ações ordinárias da Petrobras (PETR3), que registraram forte queda durante quase todo o pregão, tiveram uma disparada repentina logo após o final da teleconferência sobre os resultados. Os papéis ONs chegaram a disparar 6%, indo de R$ 8,25 a R$ 8,74, em 15 minutos, entre 15h50 e 16h05, o que caracterizava alta de 1,3% em relação ao fechamento anterior. No entanto, às 16h20 (horário de Brasília), as ações voltaram ao terreno negativo e registravam às 16h51 queda de 2,32%, a R$ 8,43, mas ainda bem mais ameno do que anteriormente, quando chegaram a recuar 7%. As ações preferenciais (PETR4, R$ 8,70, -3,65%) permaneceram em queda. 

O motivo da disparada é que, sem o pagamento de dividendos tanto para as ações preferenciais quanto para as ações ordinárias, não faria mais sentido que o ratio entre as duas ações fosse maior do que 1. Então, a ação ordinária tentaria alcançar a ação preferencial (atualmente, os papéis ON pagam menos dividendos do que os ativos PN), explicou o estrategista-chefe da XP Investimentos. Durante teleconferência, o diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa, disse que há possibilidade, em caso de uma situação de estresse na companhia, de não haver pagamento de dividendos. 

O dia era de queda também para as ações dos bancos, com o Bradesco (BBDC4) recuando após balanço do quarto trimestre, embora lucro tenha ficado acima do esperado pelos analistas. Ainda no campo negativo, destaque para as ações da PDG Realty (PDGR3), que caíam pelo sexto pregão consecutivo após prévia do quarto trimestre, enquanto do outro lado as ações da Cielo ganhavam força depois do balanço. Chamava atenção também entre as altas os papéis da Gerdau (GGBR4, R$ 8,84, +1,03%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 9,60, +2,56%) e Braskem (BRKM5, R$ 12,46, +4,62%), que apareciam entre os maiores ganhos do Ibovespa nesta tarde. Os papéis da Gerdau descolavam das demais ações do setor Usiminas e CSN e da Vale, que seguiam pressionados por notícias ruins vindas da China. 

No positivo ainda estiveram as ações da Light (LIGT3, R$ 14,90, +7,19%) e da Cemig (CMIG4, R$ 12,28, +4,16%), que sem motivos aparentes operavam entre os principais ganhos do índice. Além delas, destaque também para a Cielo, que divulgou seus resultados nesta quinta.

Fora do Ibovespa, destaque para as ações da Springs Global (SGPS3), que após disparada de 52% na véspera sem motivo, operavam em queda próxima de 2% hoje. 

Confira os principais destaques da Bolsa nesta quinta-feira:

Petrobras 
Além da teleconferência sobre os resultados, aparece no radar da Petrobras o corte de recomendação do HSBC nesta quinta-feira, que passou de neutra para underweight (desempenho abaixo da média). O banco também rebaixou o preço-alvo das ações para R$ 5,70. 

E se a Petrobras tivesse feito a baixa contábil, como ficaria seu balanço?

Vale (VALE3, R$ 18,09, -4,54%; VALE5, R$ 16,18, -3,86%)
As ações da Vale voltam a cair hoje em meio às preocupações sobre a China, o principal destino das suas exportações. Por lá, voltaram a surgir preocupações com as restrições do governo a empréstimos assumidos por corretoras locais. Declarações do vice-presidente da Associação de Minério de Ferro e Aço da China sobre a estabilidade da demanda por aço no País em 2014 (primeira vez em 14 anos que o consumo não crescerá na China). Além disso, o Bank of America Merrill Lynch disse nesta tarde, durante evento no Rio de Janeiro, que espera que o preço do minério de ferro chegue a US$ 55 este ano, contra cotação atual próxima de US$ 63. O preço médio deve ficar em US$ 70 em 2015. 

Acompanham o movimento das ações da Vale hoje os papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 11,35, -5,34%), holding que detém participação na mineradora. Também caem os papéis das siderúrgicas Usiminas (USIM5, R$ 3,62, -2,43%) e CSN (CSNA3, R$ 4,45, -2,84%). 

Em evento hoje, o analista de mineração do Bank of america Merril Lynch, Thiago Lofiego, falou no Rio de Janeiro que o minério de ferro valerá em média US$ 70 a tonelada em 2015, declarando que o minério pode cair a até US$ 55 a tonelada neste ano. 

Bradesco (BBDC3, R$ 33,63, -0,97%; BBDC4, R$ 34,51, -1,79%)
Depois de subir na primeira hora de pregão, as ações do Bradesco viraram para queda depois do seu resultado do quarto trimestre. O banco viu seu lucro subir quase 30% no quarto trimestre, apoiado em maiores margens com crédito, robusta alta em seguros e menos despesas com provisões para calotes, embora o crédito tenha crescido abaixo do previsto. De outubro a dezembro, o lucro líquido do segundo maior banco privado do país somou R$ 3,993 bilhões, aumento ano a ano de 29,7%. Excluindo itens não recorrentes, o lucro somou R$ 4,132 bilhões, alta de 29,2%. A previsão média de analistas consultados pela Reuters apontava para lucro recorrente de R$ 3,971 bilhões.

Para a Votorantim Corretora, os resultados do quatro trimestre reforçam a visão difícil que os bancos estão enfrentando no atual cenário de economia enfraquecida. "Esperamos que o Bradesco mantenha baixo apetite por risco, e continue entregando bons resultados através de um rigoroso controle de custos e geração de receitas provenientes de taxas e seguros", disseram os analistas Flavio Yoshida e George Chen, que assinam o relatório da corretora.

Cielo (CIEL3, R$ 40,25, +2,91%)
Cielo registrou lucro líquido de R$ 803,0 milhões no quarto trimestre, um aumento de 11,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Excluindo os R$ 37,2 milhões referentes às despesas relacionadas à Joint Venture com o Banco do Brasil, o lucro líquido da companhia atingiu R$ 827,6 milhões, aumento de 14,5% em relação ao quarto trimestre de 2013. No acumulado do ano, a Cielo teve lucro de R$ 3,23 bilhões, alta de 20,5% contra os R$ 2,68 bilhões de 2013. A companhia aprovou também programa de recompra de até 2 milhões de ações em um ano. 

O Itaú BBA comentou que o balanço da Cielo mostrou que o volume de crédito e débito e preços de pré-pagamento se deterioraram, enquanto o Bradesco BBI comentou que a empresa deve enfrentar uma "batalha difícil para apresentar alavancagem operacional no curto prazo e provavelmente terá crescimento suave do lucro em 2015". Já mais otimista, a XP Investimentos disse que o resultado operacional foi positivo. Para a corretora, a companhia focará agora mais na melhora da margem operacional, que apresentou queda, tanto na análise anual quanto trimestral, seguindo com uma visão positiva para as ações da Cielo, que segue reportando forte crescimento na sua receita líquida (+14,8%).   

Fibria (FIBR3, R$ 31,17, +2,77%)
Fibria apresentou seu balanço de fim de ano reportando um prejuízo líquido de R$ 128 milhões, uma melhora ante os R$ 185 milhões negativos registrado um ano antes. No anualizado, a companhia encerrou 2014 com lucro líquido de R$ 163 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 698 milhões do ano anterior. 

Para o Itaú BBA, o prejuízo líquido foi devido ao efeito não caixa negativo da variação cambial sobre a dívida denominada em dólar. Os analistas destacaram uma esperada reação positiva do mercado em função de resultados sólidos. O Bradesco BBI comentou que o balanço foi positivo, ajudados por melhores volumes e preços mais fortes, combinados com a redução surpreendente de custos de caixa. 

PDG Realty (PDGR3, R$ 0,55, -3,51%)
Depois de tentar um reação positiva, as ações da PDG voltaram a cair forte, dando sequência ao sexto pregão seguido de perdas, quando acumula queda de 31%. Ontem à noite, a empresa divulgou seus dados operacionais do quarto trimestre. Segundo a incorporadora, o VGV (Valor Geral de Vendas) do período ficou em R$ 624 milhões, contra R$ 768 milhões do terceiro trimestre, enquanto os distratos subiram para R$ 180 milhões, ante R$ 102 milhões no trimestre anterior. 

A XP Investimentos ressaltou, após a divulgação da prévia, que o endividamento da construtora segue preocupante, lembrando que a forte derrocada recente dos papéis estaria relacionada a rumores de que a companhia estaria tendo dificuldades nas negociações com credores em relação às dívidas da companhia. A PDG disse, no entanto, que a empresa está em negociações avançadas com seus credores para o equacionamento das eventuais necessidades de rolagem da dívida a partir de março. A companhia informou que não tem vencimentos relevantes em janeiro e fevereiro no seu cronograma de amortização de dívidas corporativas.

Marfrig (MRFG3, R$ 5,00, +1,63%)
A Marfrig deverá anunciar hoje se aceita a solicitação do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação de Alegrete, no Rio Grande do Sul, de manter o frigorífico localizado no município em atividade por mais seis meses. No momento, a decisão da companhia é pela suspensão das operações por tempo indeterminado, o que coloca em risco o emprego de 600 pessoas. As partes têm uma reunião de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, em Porto Alegre, às 10h.

Na semana passada, a Marfrig comunicou ao governo do Rio Grande do Sul a decisão de fechar a fábrica em Alegrete por tempo indeterminado, concentrando as operações no Estado em Bagé, São Gabriel e Pampeano.

Totvs (TOTS3, R$ 32,89, -3,97%)
A Totvs divulgou ontem à noite seu balanço registrando um crescimento em lucro líquido, receita líquida, receita recorrente, Ebtida e geração de caixa. O lucro líquido anualizado subiu 17,8%, somando R$ 263 milhões no ano passado, com uma margem líquida de 14,8%, a maior desde a abertura de capital da companhia, em 2006. No último trimestre de 2014, o crescimento do lucro líquido foi de 13,7%, em um total de R$ 69 milhões. O Conselho de Administração da companhia aprovou proposta de distribuição de dividendos, ainda a ser submetida à deliberação em assembleia geral, de R$ 124,4 milhões, referentes ao exercício de 2014, e que corresponderia a R$ 0,767518916 por ação. 

Springs Global (SGPS3, R$ 0,90, -2,17%)
Depois da disparada de 52% de ontem, as ações da Springs Global têm pregão de queda nesta quianta-feira. Ontem, o departamento de Relações com Investidores da empresa disse, em resposta ao InfoMoney, que desconhecia o motivo da arrancada dos papéis naquela sessão, mas salientou que pode estar relacionado à divulgação de um relatório de cobertura elaborado pela Empiricus Research. 

 

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