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Mineradora muda de setor e dispara 70% e Sabesp sobe mesmo com falta d'água; veja mais

Ainda entre os destaques estiveram os papéis da Vale, que fecharam em queda nesta sessão com nova derrocada do minério de ferro

Petrobras
(André Valentim / Banco de Imagens Petrobras)

SÃO PAULO - O dia na Bolsa foi de forte oscilação, com o Ibovespa fechando próximo da estabilidade, com leve alta de 0,02%, a 48.587 pontos, após chegar a cair até 2,52%. Nesta terça-feira, ficou no radar dos investidores, além da reunião de Dilma Rousseff com seus novos ministros, as ações da Petrobras, que chegaram a operar com fortes perdas, mas surpreenderam o mercado e viraram para alta, disparando 7,5% em apenas uma hora. A companhia deverá divulgar seu balanço não auditado do 3º trimestre hoje após o fechamento do mercado.

Mas não foi apenas a Petrobras que teve uma sobrevida no mercado: outras ações que fazem parte do Ibovespa ganharam forças após o meio dia. Um exemplo foi a JBS (JBSS3, R$ 11,59, +4,41%), que chegou a cair 2,25% em sua mínima, mas fechou como a maior alta do dia. Alguns outros papéis não conseguiram virar para o positivo, mas amenizaram fortemente suas perdas após o “horário do almoço”. O caso mais emblemático foi o da Vale, cujas ações chegaram a cair até 5% nesta terça.

Ainda entre os destaques estiveram os papéis da PDG Realty, que fecharam no negativo nesta sessão, após chegarem a derrocada de 11% em seus papéis. Segundo operadores, o papel estar sendo penalizado por um sentimento ruim quanto sua prévia operacional do quarto trimestre, que ainda não foi revelada. Outras empresas do setor já apresentaram seus números, como Even, MRV, Gafisa, Eztec, e não vieram muito bons. O esperado é que os dados da PDG venham ainda piores, disseram.

A Sabesp também se destacou após o diretor da companhia para a região metropolitana de São Paulo declarar que a empresa pode cogitar racionamento de cinco dias sem água, com volta de abastecimento nos outros dois dias. No entanto, ele disse que isso só ocorrerá caso eles sintam perigo de que o sistema Cantareira zere sua capacidade. 

Fora do Ibovespa ainda chamaram atenção os papéis da small cap All Ore, que disparou após desistir de operar no setor de exploração mineral no Brasil e anunciar um acordo para comprar negócios de produção e distribuição de cosméticos e produtos de beleza e as atividades de franquia operadas atualmente pela SweetHair. Além dela, os ativos ordinários da Usiminas (USIM3, R$ 13,00, +8,79%) voltaram a despontar, fechando com forte alta enquanto os ativos preferenciais operaram hoje no seu menor patamar deste 2011. Vale mencionar que há alguns meses, o mercado investiu nos papéis USIM3 em meio à rumores de mudança nos controladores da companhia, o que traz uma demanda maior para o tipo de papel que dá poder de voto aos acionistas. 

Confira os destaques desta terça-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 9,64, +1,05%; PETR4, R$ 10,17, +2,62%)
As ações da Petrobras fecharam em alta nesta terça, após chegar a cair 3% antes da divulgação do resultado do terceiro trimestre, que ocorrerá nesta terça. O mercado fica atento para quanto será a baixa contábil que a empresa reportará referentes aos desvios de recursos nos projetos investigados pela Operação Lava Jato (analistas esperam um montante entre US$ 10 e US$ 20 bilhões), além da potencial redução no plano de investimentos da companhia. "Pode ter vazado quanto será a perda contábil ou qual será o guidance da companhia", disse ao InfoMoney um gestor que pediu para não ser identificado, se referindo ao movimento de alta de 7,5% em uma hora da estatal nesta tarde. 

Vale (VALE3, R$ 19,13, -2,30%VALE5, R$ 17,14, -1,95%)
Mesmo chegando a aliviar as perdas, as ações da Vale tiveram a quarta sessão seguida de queda nesta terça-feira, em meio à derrocada das commodities. Acompanharam o movimento os papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 12,38, -2,29%), holding que detém participação na mineradora. Hoje, o minério de ferro - principal produto da Vale - renovou mínima desde maio de 2009, atingindo US$ 62,80 a tonelada no mercado à vista chinês. 

Oi (OIBR4, R$ 6,00, -8,95%)
Os papéis da Oi fecharam com fortes quedas nesta terça em meio à notícia de que os debenturistas da companhia aprovaram a venda dos ativos portugueses da Portugal Telecom à Altice, segundo comunicou a brasileira na noite da véspera. Durante a assembleia, foi discutida a assunção pela companhia de um índice financeiro de alavancagem máxima igual ou inferior a 4,5 vezes em relação aos quatro trimestres de 2015, levando em conta a relação entre sua dívida bruta total e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). A discussão previu uma relação de 6 vezes para situações específicas decorrentes da operação de venda da PT Portugal. A companhia informou que publicará em 28 de janeiro edital de convocação para nova assembleia geral de debenturistas, que será realizada em 12 de fevereiro. 

Siderúrgicas
As ações das siderúrgicas seguiram o mesmo caminho da Vale e fecharam com forte queda hoje em meio à derrocada do minério de ferro. Entre as maiores quedas do Ibovespa, ficaram as ações da Gerdau (GGBR4, R$ 8,75, -1,91%), Usiminas (USIM5, R$ 3,89, -2,26%) e CSN (CSNA3, R$ 4,78, -4,78%). 

No radar das empresas, a Usiminas teve seu rating cortado na véspera pela Moody's, de "Ba2" para "Ba3".

PDG Realty (PDGR3, R$ 0,60, -7,69%)
As ações da PDG Realty fecharam com fortes quedas e operam no negativo desde ontem, acumulando desvalorização de 22% e renovando sua mínima histórica. O movimento vem descolado do restante do setor. Na mínima do dia, os papéis da PDG chegaram a atingir queda de 10,77%, a R$ 0,58. Ontem, as ações da imobiliária fecharam em queda de 13,3%. Esse foi o quarto pregão seguido de quedas dos papéis. 

Segundo operadores, o papel estar sendo penalizado por um sentimento ruim quanto sua prévia operacional do quarto trimestre, que ainda não foi revelada. Outras empresas do setor já apresentaram seus números, como Even, MRV, Gafisa, Eztec, e não vieram muito bons. O esperado é que os dados da PDG venham ainda piores, disseram. 

As últimas empresas que divulgaram seus números foram Gafisa e Eztec, na semana passada. No caso da Gafisa, os lançamentos atingiram R$ 241,5 milhões no quarto trimestre, uma redução de 69% na comparação anual, enquanto as vendas atingiram R$ 303,9 milhões, queda de 51% na mesma base de comparação. Segundo analistas da XP Investimentos, os números ainda foram fracos. As vendas caíram menos do que os lançamentos, o que gerou melhora nos estoques, mas ainda assim o VSO (que mensura a velocidade de vendas) continuou muito baixo. 

Ex-HRT (HRTP3, R$ 4,41, -23,17%)
As ações da PetroRio, ex-HRT Petróleo, fecharam em seu segundo pregão de fortes perdas depois da disparada de 98% na semana passada depois de confirmar a compra de 80% da participação da Shell nos campos de Bijupirá e Salema. Hoje, aparece no radar da companhia a notícia de que a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) indeferiu recurso impetrado pela PetroRio e impediu pela segunda vez que a petroleira compre participação de 40% da dinamarquesa Maersk no campo de Polvo, na Bacia de Campos. Atualmente, a PetroRio é operadora da área e detentora dos outros 60% do ativo. A decisão está em ata de reunião da agência reguladora de 14 de janeiro, publicada nesta segunda-feira na internet.

Sabesp (SBSP3, R$ 13,77, +3,92%) e Copasa (CSMG3, R$ 17,40, +5,84%)
As companhias de saneamento fecharam em alta nesta terça em meio à declaração do diretor da Sabesp da região metropolitana de São Paulo, Paulo Massato, de que em um pior cenário, a companhia poderá adotar racionamento de até cinco dias da semana sem água, com abastecimento retomado nos outros dois; de acordo com ele, a medida só será necessária caso haja perigo de que a Cantareira zere sua capacidade.

Na última sexta-feira, a Copasa surpreendeu ao anunciar oficialmente o risco de racionamento de água. Até então, a empresa afirmava que os reservatórios estavam mais baixos, mas não a ponto de admitir a possibilidade de um racionamento, e que sua situação operacional estava melhor do que a de São Paulo.

Cia Hering (HGTX3, R$ 18,40, -6,41%)
As ações da Cia Hering fecharam com forte queda hoje após divulgação de dados operacionais do quarto trimestre. A varejista encerrou o trimestre com receita bruta de R$ 612 milhões, crescimento 0,5%. As vendas totais da rede Hering Store avançaram 1,6% no período, favorecidas pela adição de 48 lojas este ano. No critério "mesmas lojas", que considera apenas lojas abertas há mais de 12 meses, a venda retraiu 3,8%, reflexo direto da queda de atendimentos ao longo do trimestre. 

Banco Pine (PINE4, R$ 4,28, -0,70%)
As ações do Banco Pine fecharam em queda após a Moody's cortar o rating da instituição, alertando para novo rebaixamento. O corte se deu em função da elevada exposição da carteira de crédito a setores da economia brasileira que enfrentam condições operacionais adversas, tais como açúcar e álcool, energia renovável e construção civil. Refletindo o ambiente de crescimento de crédito esperado para 2015 mais desafiador, os papéis do banco registram queda de 35% no ano.

MMX Mineração (MMXM3, R$ 0,70, +1,45%)
De acordo com informações do Valor, a trading Trafigura teria completado a aquisição da Minerinvest Mineração, produtora de minério de ferro de Minas e se prepara para o próximo negócio, que envolve a compra de uma mina de ferro da MMX Sudeste, que está em recuperação judicial e é subsidiária da MMX Mineração. A assessoria de imprensa da Trafigura não comenta a informação. Segundo apurou a reportagem, a Trafigura estaria ainda em negociação para a compra de mais ativos em regiões próximas ao Porto Sudeste.

All Ore (AORE3, R$ 0,39, +69,57%)
Nesta sessão, a small cap disparou e bateu sua máxima destde agosto do ano passado, em meio à notícia de que a companhia de mineração All Ore desistiu de operar no setor de exploração mineral no Brasil e anunciou um acordo para comprar negócios de produção e distribuição de cosméticos e produtos de beleza e as atividades de franquia operadas atualmente pela SweetHair. A All Ore era uma companhia pré-operacional criada em 2008 para identificar e explorar oportunidades de mineração no país como ouro e minério de ferro. A empresa desenvolvia projetos de ouro nos Estados da Paraíba e Pará. No âmbito do carta de intenções vinculante que foi assinada com os sócios da SweetHair, a companhia será adquirida por meio de permuta de participações.

Cemig (CMIG4, R$ 11,46, +1,87%)
As ações da Cemig fecharam com valorização nesta sessão após o novo presidente da companhia, Mauro Borges, declarar em teleconferência nesta terça que não pretende mudar a política de dividendos praticada pela companhia. É estabelecido a distribuição 50% do lucro líquido da companhia em proventos aos seus acionistas. 

 

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