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Eleição na Grécia, Petrobras e Fomc ditarão humor da próxima semana

Ainda no radar, mercado ficará de olho na ata do Copom e início da temporada de balanços corporativos no Brasil

Petrobras Gás - Bloomberg

SÃO PAULO - Se nesta semana as expectativas sobre medidas por parte do BCE (Banco Central Europeu) e anúncios do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, trouxeram uma "esperança" ao mercado, a próxima semana promete bastante volatilidade, com eleição na Grécia, balanço não auditado da Petrobras (PETR3; PETR4), volta da temporada de resultados corporativos no Brasil, ata do Copom (Comitê de Política Monetária) e reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), nos Estados Unidos. Diante desse mix, passado três semanas de "marasmo" no Ibovespa, uma pressão vendedora pode voltar ao mercado para agitar a última semana de janeiro. 

"Antes, tínhamos expectativas sobre novos estímulos do BCE, que acabou vindo melhor do que o esperado e ajudou a acalmar os ânimos, juntamente com os anúncios de Levy, mas agora os eventos podem ajudar a trazer de volta um sentimento negativo", comentou Celson Plácido, estrategista-chefe da XP Investimentos. 

Já no domingo ocorre a eleição na Grécia, com o partido de extrema esquerda Syria na liderança, segundo pesquisas divulgadas. Isso traz temor porque cria um risco de uma possível saída da país da zona do euro. "Acredito que se for esse o resultado pode trazer um impacto nas Bolsas mundiais na segunda-feira. Não somente pelo risco da Grécia sair da zona do euro, mas de puxar o sentimento em outras economias europeias", disse Plácido.

Petrobras

A volatilidade seguirá para a terça-feira, com a Petrobras no holofote do mercado. "Difícil dizer o que esperar dos números. Falam de um rombo de R$ 10 bilhões por conta da corrupção, mas a empresa não confirma. É esperar para ver. Até lá, a volatilidade predominará sobre o papel", disse. Segundo o analista Flávio Conde, se vier perdas contábeis de R$ 10 bilhões, conforme fontes do governo disseram à imprensa, seria plausível e, ao mesmo tempo, palatável pelo mercado. Mas se vier algo em torno de R$ 3 bilhões seria muito pouco e causaria descrédito enquanto R$ 20 bilhões ou mais precisaria de estudos mais profundos. 

O mercado especula ainda sobre uma mudança na composição do conselho de administração, que ainda conta com ministros que já deixaram o governo, como Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, que atualmente preside o colegiado. Investidores aguardam também pelo resultado de uma reunião do conselho de administração, que foi convocada para esta manhã. 

Decisões monetárias

Ainda no radar do investidor aparecem decisões monetárias, que devem ser acompanhadas bem de perto pelo mercado, disse o economista André Muller, da Quest Investimentos. Na quarta-feira, tem o desfecho da reunião do Fomc, enquanto no dia seguinte será divulgada a ata do Copom. 

Segundo a consultoria Rosemberg Associados, o mercado deve ficar atento às novas pistas dos agentes do Fomc acerca do "timing" da instituição para elevação de juros, projetada para o meio do ano. Vale lembrar que, mesmo diante de uma recuperação mais firme da atividade, a queda do preço da gasolina causou risco de deflação no curto prazo, e pode dar mais tempo de aperto monetário do Fed. Na sexta-feira, os EUA divulgarão o PIB do quarto trimestre de 2014, em que se espera desaceleração na margem, embora o crescimento anualizado deve mostrar aceleração. 

Para o economista, a decisão do Fomc será importante pois eles vão analisar um período de inflação mais baixa nos Estados Unidos, ao mesmo tempo que o mercado de trabalho vem ganhando força. Ele espera que o comitê siga com o mesmo discurso sobre a elevação da taxa de juros. 

Já por aqui, o mercado aguarda ver na ata do Copom indicações sobre as próximas reuniões, já que o comunicado de quarta-feira foi bem sucinto, quando decidiu por elevar em 0,5 ponto percentual a Selic, para 12,25% ao ano. Segundo a Guide Investimentos, é possível que a ata mostre expressões mais "duras" no combate à inflação em um período que o Banco Central busca ganhar credibilidade.

Temporada de balanços

Por fim, deve mexer com o mercado o início oficial da temporada de balanços do quarto trimestre no Brasil. Na quarta-feira, a Cielo (CIEL3), Totvs (TOTS3), Fibria (FIBR3) e Coelce (COCE5) darão largada na divulgação dos resultados, que estão programados para serem revelados após o fechamento da Bovespa.

Já na quinta-feira é a vez do Bradesco (BBDC4) divulgar seus números e sexta-feira o Bic Banco (BICB3) revelará seu balanço. Somente na segunda semana de fevereiro a temporada começará realmente a ganhar força, com os balanços de grandes bancos, varejistas e siderúrgicas programados para serem revelados. 

 

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