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Dia de euforia: CSN dispara 13%, BB sobe 7% e Petrobras chega a 6% de alta

Ainda entre os destaques estiveram os papéis da Oi, que em movimento contrário ao mercado despencou quase 10% sem novidades no radar

SÃO PAULO - A quarta-feira (17) foi de recuperação na Bolsa, com o Ibovespa, que cai 10,20% no mês, fechando hoje com valorização de 3,63%, a 48.713 pontos. Hoje, o índice foi puxado pela alta dos papéis da estatal Petrobras, que chegou a subir até 6% em sua máxima intradiária no caso dos papéis ordinários. Além dela, os bancos e o setor siderúrgico também tiveram ótimo dia na Bolsa.

Segundo Celson Plácido, estrategista-chefe da XP Investimentos, a alta do índice hoje foi impulsionada por um "Cash and Carry", um movimento em que o investidor compra a carteira do Ibovespa à vista e vende o Futuro, para ganhar na arbitragem, uma vez que o normal é que os dois andem juntos. Como o contrato para fevereiro do Ibovespa está mais alto que o índice à vista, os ganhos com esta operação são possíveis. 

No topo dos ganhos do índice, 9 papéis dos 70 do índice fecharam com alta superior a 6%, com destaque para a CSN, que disparou até 15% na sessão após sofrerem fortes quedas nos últimos dias e terem iniciado o movimento de recuperação na sessão de ontem. Para o analista da Guide Investimentos, Luis Gustavo Pereira, o movimento de valorização ainda é muito marginal perto das quedas de mais de 50% das ações em 2014. O analista ressalta que os números para as siderúrgicas não são animadores, já que ainda mostram deterioração tanto do setor, quanto da economia em um geral.

Entre as únicas perdas do Ibovespa na sessão, estiveram os ativos da Oi (OIBR4, R$ 0,94, -9,62%), que sem novidades do radar despencaram. Na véspera, as ações da TIM subiram em meio a notícias do jornal italiano Il Sole 24 Ore de que a Oi estaria aberta para discutir uma fusão com a TIM, caso a proposta seja feita. Na segunda-feira, especulava-se que a Oi poderia usar os recursos da venda da Portugal Telecom para comprar participação na TIM.

Os papéis das companhias de perfil exportador chegaram a cair com a derrocada do dólar, mas viraram para alta em meio à euforia do mercado: Suzano (SUZB5, R$ 11,05, +1,19%), do setor de papel e celulose e Embraer (EMBR3, R$ 23,85, +0,97%) fecharam com leves altas. A moeda norte-americana fechou com queda de 1,23%, a R$ 2,702.

Fora do Ibovespa, destaque para as ações da MMX Mineração, que dispararam depois de divulgação do balanço do terceiro trimestre, enquanto a OSX Brasil subiu forte apesar de rumores de que a aprovação da recuperação judicial foi adiada pela segunda vez. 

Confira os principais destaques desta sessão:

Petrobras (PETR3, R$ 9,04, +3,91%PETR4, R$ 9,66, +2,99%
Após chegar a subir 6% no caso das ações ordinárias, a Petrobras fechou no positivo nesta quarta-feira, seguindo movimento de recuperação iniciado ontem após as fortes quedas. Destaque para a fala de Joaquim Levy, futuro ministro da Fazenda, que não descartou uma alta da Cide, enquanto a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, confirmou nesta manhã que colocou seu cargo à disposição da presidente Dilma Rousseff, citando ainda que o balanço do terceiro trimestre pode não ficar pronto em janeiro.

Hoje, o Itaú BBA cortou o preço justo da ação da estatal de R$ 23,70 para R$ 16,50, citando incerteza com a divulgação dos números auditados do resultado da companhia no terceiro trimestre. Ontem à noite, a Standard & Poor's cortou o perfil de crédito "stand alone" (perfil individual da companhia) de "BBB-" para "BB", enquanto a perspectiva permaneceu estável. De acordo com a agência de classificação de risco, os escândalos de corrupção que a estatal está envolvida podem enfraquecer a flexibilidade financeira da companhia. 

Ainda sobre a Petrobras, o governo estuda reduzir a exigência de conteúdo nacional nas compras da Petrobras e rever a legislação do pré-sal para aliviar a situação alarmante da estatal, mas a presidente Dilma Rousseff descarta por enquanto trocar a  da estatal, disseram à Reuters duas fontes a par do assunto. As duas medidas em análise reduziriam os custos e as necessidades de investimentos da estatal, mas são de complexa implementação e não resolveriam os problemas de curto prazo da companhia, no epicentro de investigação sobre suposto esquema bilionário de corrupção em obras, com envolvimento de funcionários e ex-empregados, empreiteiras e políticos.

Bancos
Os papéis do setor financeiro também aproveitaram o dia de repique no mercado para dispararem. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 34,53, +5,05%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,18, +7,86%), que caíram nas últimas três sessões, fecharam no positivo. Bradesco (BBDC3, R$ 34,35, +5,69%; BBDC4, R$ 34,92, +4,90%) também mostrou forte valorização hoje após recuar por dois pregões seguidos embora tenham conseguido encerrar em leve alta ontem. Destaque também para as ações da BM&FBovespa (BVMF3, R$ 9,35, +6,01%). 

Sobre o Itaú, ontem os executivos do banco realizaram evento com analistas e investidores, deixando um clima bastante otimista. De acordo com Roberto Setubal, presidente do Itaú, o banco pode eventualmente avaliar a compra do Banamex se estiver à venda. 

Siderúrgicas e Vale
As ações das companhias do setor siderúrgico fecharam em uma nova sessão de ganhos, após dispararem no pregão de ontem. Apesar da queda do dólar frente ao real nesta sessão, que favoreceu a valorização do pregão anterior, as chances da China remover incentivos para exportar de aço do gigante asiático trouxeram alívio para os papéis. Entre os destaques, as ações das siderúrgicas Usiminas (USIM5, R$ 5,35, +8,08%), CSN (CSNA3, R$ 5,52, +11,74%), Gerdau (GGBR4, R$ 9,00, +4,17%) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 10,65, +4,41%).

As ações da Vale (VALE3, R$ 19,71, +1,86%VALE5, R$ 16,96, +2,17%) também tiveram alta pelo segundo pregão seguido. A mineradora disse ontem que quer levantar R$ 2 bilhões com venda de 15 supernavios cargueiros de sua propriedade em meio à queda do preço do minério de ferro, informou a Folha de S. Paulo. Para Murilo Ferreira, presidente da mineradora, o cenário internacional é "muito preocupante" com a freada do crescimento da China - que não deve ficar em torno de 7% neste ano -, estagnação na Europa e recessão no Japão.

Frigoríficos
As ações dos frigoríficos acompanharam o movimento de correção do mercado apesar da notícia de que a Rússia diminui mais uma vez as importações de carne bovina in natura brasileira. A média diária de importação nas duas primeiras semanas de dezembro caiu para 46% em relação ao mesmo período de 2013. Em novembro, as vendas já haviam recuado cerca de 60% na comparação com outubro e agora as vendas em dezembro recuaram cerca de 20% em relação ao mês passado. Apesar dos dados, as ações da JBS (JBSS3, R$ 12,05, +4,69%) e Marfrig (MRFG3, R$ 5,61, +7,68%) sobem hoje.  

Gol (GOLL4, R$ 12,90, +2,79%)
Após a forte queda da sessão anterior, as ações da Gol buscaram recuperação na Bovespa, fechando também entre as altas. Hoje, a companhia aérea enviou comunicado ao mercado informando que a demanda total por voos da empresa subiu 8% em novembro sobre o mesmo período do ano passado, enquanto a oferta teve avanço de 3,5%. 

No mercado doméstico, a demanda da Gol subiu 6% em novembro contra novembro do ano passado e a oferta avançou 1,2%. No mercado de voos internacionais, houve alta de 25,7% da demanda e avanço de 22,8% da oferta na mesma base de comparação.

MMX (MMXM3, R$ 0,57, +26,67%)
Fora do Ibovespa, destaque para a
s ações da MMX, que dispararam nesta sessão, um dia após a divulgação atrasada dos resultados do terceiro trimestre. A mineradora teve prejuízo de R$ 86 milhões no terceiro trimestre, ante resultado negativo de R$ 1,2 bilhão um ano antes.

No segundo trimestre, o prejuízo havia sido de R$ 1,9 bilhão. "Este resultado no trimestre é fundamentalmente consequência do teste de recuperabilidade de ativos realizado pela companhia no segundo trimestre, desdobrando em um reconhecimento de impairment de R$ 1,8 bilhão", disse a MMX em seu relatório de resultados.

As vendas de minério de ferro foram de 839,4 mil toneladas no terceiro trimestre, queda de 61% na comparação anual. Desta forma, a receita líquida caiu 75% na mesma base de comparação, a R$ 83,6 milhões.

Eneva (ENEV3, R$ 0,41, +17,14%)
A Eneva, antiga MPX Energia, fundada por Eike Batista, viu suas ações dispararem nesta sessão. A companhia informou ontem que o juiz da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro decidiu autorizar o processamento da recuperação judicial da companhia e de sua subsidiária, Eneva Participações. O juiz decidiu, também, pela nomeação da Delloitte Touché Tohmatsu como administrador judicial. A empresa tem um endividamento da ordem de R$ 2,3 bilhões.

Ontem, os papéis da companhia subiram 16,7% depois de terem desabado 63% na semana passada. 

OSX (OSXB3, R$ 0,28, +16,67%)
Já a ação da OSX também registraram fortes ganhos, apesar do noticiário negativo para a empresa de estaleiros do grupo EBX. No noticiário da companhia, o Wall Street Journal informou que a aprovação do plano de recuperação judicial da empresa pode ser adiada pela segunda vez. 

A votação estava programada para quarta-feira em assembleia com credores no Rio de Janeiro, mas dois advogados representantes de dois grandes credores da empresa disseram que na terça-feira à tarde os credores ainda não haviam entrado em acordo sobre os termos da proposta.

 

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