Em mercados / acoes-e-indices

Ibovespa acompanha cautela no exterior e "derrocada" da Petrobras e cai 0,3%

Puxado pela queda de mais de 2% da estatal e das perdas das companhias dos setores elétrico e siderúrgico, índice volta a cair após pregão de alívio na segunda-feira

SÃO PAULO - Após o "alívio" da véspera, com ganhos de 1,87% sustentado pelas ações da Petrobras (PETR3, R$ 18,46, -1,65%PETR4, R$ 19,67, -2,33%), o Ibovespa voltou a cair na sessão desta terça-feira (12), também tendo os papéis da petrolífera como uma das maiores quedas do dia. O índice fechou em baixa de 0,3%, a 56.442 pontos, de olho novamente nas tensões geopolíticas, e com a Petrobras devolvendo parte dos ganhos registrados ontem, quando subiu na esteira das perspectivas de novos reajustes, apesar dos resultados não serem muito animadores. O giro financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 4,84 bilhões.

De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, o governo deve elevar o preço da gasolina de 5,5% a 6%. O cálculo do reajuste ainda é preliminar e servirá para dar algum alívio aos preços para a Petrobras, segundo a fonte. A estatal vem trabalhando com preços defasados se comparados com o mercado internacional, o que causa prejuízos na sua área de abastecimento. Além disso, a proximidade do vencimento de opções sobre o Ibovespa e índice futuro, que acontece amanhã, estimula a volatilidade do índice. 

Contribuindo para a maior cautela, ficaram as tensões entre a Ucrânia e a Rússia. A Rússia anunciou na manhã desta terça-feira que caminhões com toneladas de equipamentos e produtos para ajuda humanitária partiram rumo à Ucrânia para ajudar a região de fronteira, onde há o confronto com rebeldes pró-Rússia. Porém, o governo ucraniano afirmou que não irá permitir o acesso desses caminhões ao país.

Ainda no cenário econômico, o dia foi de cautela lá fora após os dados da maior economia da Europa, a Alemanha. O índice ZEW de sentimento econômico caiu para 23,7 pontos, ante 48,1 no mês anterior, ficando abaixo das estimativas do governo e ao menor nível em um ano e meio, sugerindo que a Alemanha está perdendo o fôlego no terceiro trimestre.

O mercado também ficou de olho na Ásia, na expectativa pela divulgação de dados de atividade na China e, hoje à noite dados do Japão também merecem algum destaque, segundo a Guide Investimentos: PIB do 2º tri e ata da última reunião de política monetária.

Resultados no radar dos mercados
Dentre os destaques no cenário corporativo, chamaram atenção dos investidores a temporada de balanços trimestrais. A BB Seguridade (BBSE3, R$ 33,50, +1,70%), empresa do Banco do Brasil (BBAS3) responsável por investimentos em seguros, teve lucro líquido de R$ 845,4 milhões no segundo trimestre, crescimento de 53,6% sobre igual intervalo de 2013, informou a companhia nesta terça-feira.

A empresa afirmou que apresentou receitas recordes em todos os segmentos de negócio no primeiro semestre, com destaque para as contribuições em planos de previdência privada e de seguros de vida, habitacional e rural.

As ações da CCR (CCRO3, R$ 18,14, +3,30%) subiram mais de 3% hoje, depois de resultado e após obter liminar para reajustar pedágio conforme contrato. A companhia teve lucro líquido de R$ 275,8 milhões no segundo trimestre, queda de 9,4% na comparação anual, enquanto a receita líquida ajustada subiu 4,5%, para R$ 1,5 bilhão.

Segundo a equipe de análise da XP Investimentos, o resultado foi fraco em termos de crescimento de receita. "O segmento de Concessões rodoviárias já apresenta impactos negativos do menor fluxo de pesados, frente ao cenário de desaceleração econômica que o país enfrenta. Isso fez com que o ritmo de crescimento de receitas da companhia caísse do patamar de 10% para menos que 5% de aumento na comparação anual", comentaram os analistas.

Já entre as maiores quedas apareceram os papéis da ALL (ALLL3, R$ 8,51, -1,62%). A Ipiranga, do grupo Ultra, entrou com pedido de isonomia no Cade (Conselho de Administração de Defesa Econômica) no processo que envolve a incorporação da ALL pela Rumo, do grupo Cosan, de acordo com fontes ouvidas pelo jornal Valor Econômico.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MMXM3 MMX MINER ON 1,32 -5,04 -68,57 2,56M
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 10,91 -3,96 +3,21 12,74M
 MRVE3 MRV ON 7,38 -3,40 -8,54 11,85M
 CSNA3 SID NACIONAL ON 10,95 -3,35 -23,85 50,73M
 MRFG3 MARFRIG ON 6,70 -2,62 +67,50 16,31M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CCRO3 CCR SA ON 18,14 +3,30 +2,42 114,55M
 CRUZ3 SOUZA CRUZ ON 20,64 +3,20 -12,07 19,47M
 NATU3 NATURA ON 37,77 +2,22 -4,04 37,97M
 UGPA3 ULTRAPAR ON 54,96 +1,78 -0,43 89,91M
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON 33,50 +1,70 +40,12 158,06M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 19,67 -2,33 602,50M 887,99M 41.522 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 35,54 -0,28 206,71M 356,93M 15.904 
 VALE5 VALE PNA 28,54 +0,28 197,63M 314,57M 15.374 
 PETR3 PETROBRAS ON 18,46 -1,65 159,78M 298,38M 16.242 
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON 33,50 +1,70 158,06M 133,35M 11.364 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 34,95 0,00 143,62M 235,29M 10.694 
 CIEL3 CIELO ON 42,75 +0,38 140,72M 163,66M 12.583 
 BBAS3 BRASIL ON 27,58 -0,51 119,22M 183,34M 12.146 
 VALE3 VALE ON 32,01 +0,53 115,55M 116,22M 12.646 
 CCRO3 CCR SA ON 18,14 +3,30 114,55M 65,39M 12.419 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão) 

 

Contato