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Ambev e Petrobras perdem R$ 20 bi no pior pregão da Bolsa em mais de 1 mês; veja mais

Em dia agitado no Ibovespa, a Vale conseguiu fechar no positivo após divulgar resultado; Santander e Bradesco também refletiram seus balanços

Ambev - Brahma - cervejas
(Divulgação/Ambev)

SÃO PAULO - Em uma quinta-feira (31) bem agitada na Bovespa com a repercussão de diversos resultados trimestrais, o destaque ficou com a forte queda da Ambev (ABEV3), que ficou com a segunda pior queda do Ibovespa após a divulgação dos dados operacionais ficarem abaixo das projeções médias do mercado.

No índice, foram apenas 11 das 71 ações fechando no positivo, com destaque para a Suzano (SUZB5, R$ 8,80, +3,29%), CSN (CSNA3, R$ 11,45, +2,14%), Fibria (FIBR3, R$ 22,27, +1,14%) e Usiminas (USIM5, R$ 8,05, +1,00%), que sobem sendo beneficiadas pela valorização do dólar nesta sessão, uma vez que seus perfis voltados para exportação acabam levando suas receitas a serem beneficiadas com uma alta da moeda norte-americana.

Ajudando na forte queda do benchmark, a Petrobras (PETR3, R$ 17,99, -3,69%; PETR4, R$ 19,10, -3,78%) ficou entre as maiores perdas do dia. Diante das perdas de hoje, a companhia teve uma perda de valor de mercado de R$ 9,33 bilhões. As perdas ocorrem num dia em que o Ibovespa registrou queda de 1,6%, seu pior pregão desde 30 de maio.

Veja os destaques da Bolsa:

Ambev (ABEV3, R$ 15,67, -4,45%)
As ações da Ambev terminaram o dia como a maior queda do Ibovespa, com uma perda em valor de mercado de R$ 11,59 bilhões. A queda ocorreu em meio a divulgação do resultado da companhia que registrou um lucro líquido de R$ 2,2 bilhões de reais entre abril e junho, alta de 15,9% na comparação anual. Apesar do avanço, a margem de rentabilidade da empresa foi impactada pelo mix de embalagens no período. Para a equipe de análise da Planner, os números ficaram abaixo das projeções médias do mercado.

A geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado somou 3,3 bilhões de reais no trimestre, alta de 2,7 por cento sobre um ano antes, mas abaixo da projeção de analistas de 3,6 bilhões. Além de números abaixos do esperado em margem operacional e margem Ebitda, a equipe da XP Investimentos de ressalta que o volume de cerveja Brasil apresentou crescimento abaixo do esperado, mesmo com Copa do Mundo.

Vale (VALE3, R$ 32,55, +1,02%; VALE5, R$ 29,13, +0,69%)
Depois de abrirem em queda de quase 1%, os papéis da mineradora ganharam força durante a tarde. A companhia informou hoje que registrou lucro de R$ 3,187 bilhões no segundo trimestre, abaixo da expectativa do mercado de resultado de R$ 5 bilhões, mas 283% maior na comparação com o mesmo período do ano anterior. 

A Vale espera oferta de 140 mil toneladas de minério de ferro em 2014, contra 120 mil toneladas no ano anterior, disseram em teleconferência executivos da Vale, incluindo Murilo Ferreira, presidente, e José Carlos Martins, diretor executivo de ferrosos e estratégia.

Segundo eles, a demanda por minério de ferro cresceu mais rápido do que esperado. "A Vale tem grande potencial para melhorar resultados e está otimista com capacidade de ampliar margens", disseram.

Santander (SANB11, R$ 15,24, -2,56%) e Bradesco (BBDC4, R$ 34,61, -0,86%)
As ações dos bancos Santander e Bradesco caíram após divulgação dos resultados. O Santander Brasil anunciou que teve lucro líquido de R$ 527,5 milhões no segundo trimestre. A previsão média de analistas ouvidos pela Reuters apontava para lucro recorrente de R$ 1,28 bilhão no período. Segundo a equipe de análise da XP Investimentos, a instituição reportou um resultado operacional favorável, surpreendendo positivamente as expectativas com relação ao grupo e segmento, mesmo com o porte considerável, capilaridade e correlação com o desenvolvimento econômico nacional.

Por sua vez, o Bradesco reportou um lucro líquido de R$ 3,778 bilhões no período, alta anual de 28,1%. A previsão média de oito analistas ouvidos pela Reuters apontava para lucro recorrente de R$ 3,59 bilhões no período. Em teleconferência, o presidente do banco, Luiz Carlos Trabuco, afirmou que o crédito tem crescido em nível adequado no atual ambiente econômico e que vê a inadimplência estável nos próximos trimestres. Apesar da queda dos papéis preferenciais, os ativos ordinários do banco (BBDC3) tiveram alta de 0,28%, para R$ 35,38.

Exportadoras
Driblando a forte queda do Ibovespa após a divulgação de diversos resultados, as ações das exportadoras subiram hoje beneficiadas pela valorização do dólar nesta sessão - que fechou com alta de 1,13%, a R$ 2,27 -, uma vez que suas receitas são atreladas à moeda norte-americana. Entre as companhias, destaque para Suzano (SUZB5, R$ 8,80, +3,29%), CSN (CSNA3, R$ 11,45, +2,14%), Fibria (FIBR3, R$ 22,27, +1,14%) e Usiminas (USIM5, R$ 8,05, +1,00%).

Embraer (EMBR3, R$ 21,55, -0,23%)
As ações da Embraer viraram no final do pregão após chegarem a subir 1,62%. A empresa mostrou forte lucro no segundo trimestre, favorecida pela redução de imposto de renda e pelo aumento da receita com entregas de aeronaves, revertendo resultado negativo registrado um ano antes. A terceira maior fabricante de aeronaves comerciais do mundo teve lucro líquido atribuído aos acionistas de R$ 319,8 milhões de abril a junho, contra resultado negativo de R$ 9,9 milhões no mesmo período de 2013.

Para a XP Investimentos, a instituição se encontra em tendência atrativa se comparado com o ambiente econômico brasileiro, devido ao fato de que o desempenho do ativo se direciona de forma descorrelacionada com o desenvolvimento econômico brasileiro e efeitos eleitorais.

Energias BR (ENBR3, R$ 10,60, -1,58%)
As ações da Energia Brasil repercutiram negativamente o resultado trimestral da companhia. A empresa apresentou um aumento de 311,7% no lucro líquido, atingindo R$ 183,6 milhões no segundo trimestre de 2014, ante R$ 44,6 milhões no mesmo período do ano anterior. 

O lucro da empresa foi impulsionado principalmente pelo crescimento de 31,6% do Ebitda da companhia. No trimestre, geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização atingiu R$ 430,1 milhões.

Já a receita líquida da empresa mostrou um crescimento de 12,2% na comparação anual e atingiu R$ 1.767,6 milhão.Segundo a equipe de análise da XP Investimentos, o desempenho no trimestre foi fraco, mas compensado pela alienação de parte dos ativos. "O resultado reflete as adversidades que o setor de energia elétrica enfrenta", completou a corretora. 

Santos Brasil  (STBP11, R$ 14,90, -1,65%)
As ações da Santos Brasil passaram o dia no campo negativo após a empresa divulgar uma queda de 56,3% no lucro líquido no segundo trimestre. De abril a junho, o lucro da empresa foi de R$ 25,2 milhões, ante R$ 55,8 na comparação anual. Segundo a empresa,o resultado foi impactado pelos custos e despesas não recorrentes gerados no processo de reorganização interna promovido pela companhia e por um diferente mix de perfil de serviços, recebendo mais operações de transbordo que eram pouco representativas durante a primeira metade de 2013.

Já a receita líquida da empresa reportou uma queda de 21,1% na comparação anual, atingindo R$ 262,4 milhões no segundo trimestre de 2014, ante R$ 332,5 milhões apresentados no mesmo período do ano anterior.

Karsten (CTKA3, R$ 2,20, +81,82%CTKA4, R$ 1,17, +39,29%)
As ações da Karsten voltaram a disparar depois que a companhia confirmou que fará aumento de capital no valor mínimo de R$ 40 milhões e máximo de R$ 45 milhões, mediante emissão de novas ações ordinárias e preferenciais. Na semana passada,  os papéis da companhia, que fabricante de itens de cama, mesa e banho, um dia antes que ela informou que estava emnegociações confidenciais para um aumento de capital. De lá para cá, a alta supera 140%. 

Ontem à noite, veio a confirmação de que os acionistas controladores concordaram em fazer com que seja deliberado, pelo conselho de administração da companhia, submeter à Assembleia Geral da companhia proposta sobre aumento de capital. Segundo a empresa, todos os acionistas terão direito de preferência para subscrever as ações que vierem a ser emitidas em razão do referido aumento. A proposta de preço de emissão das ações no âmbito do aumento de capital, assim como todas as demais condições, será determinada pelo conselho de administração da empresa, em reunião a ser realizada em 31 de julho.

 

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