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Boatos não sustentam alta e Ibovespa cai com tensões na Ucrânia; dólar dispara 1,6%

Rumores de nova queda de Dilma nas pesquisas animam investidores por pouco tempo, enquanto preocupação com conflito internacional ganha força e aumenta aversão a riscos

SÃO PAULO - A ansiedade do mercado pela divulgação de novas pesquisas eleitorais e o sentimento de cautela parecem ter ditado o andamento das principais ações da Bovespa nesta quinta-feira (17). Depois de chegar a cair durante boa parte da manhã e repentinamente disparar 800 pontos em 30 minutos no começo da tarde, o Ibovespa fechou com queda de 0,14%, a 55.637 pontos nesta sessão, acompanhando o dia negativo no exterior, porém com menos intensidade. O giro financeiro da Bovespa foi de R$ 7,14 bilhões.

Por volta das 14h (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira chegou a reverter suas perdas do momento em ganhos de 0,85% em uma disparada em meio a boatos de que a nova pesquisa Sensus apontaria uma queda da presidente Dilma Rousseff na corrida eleitoral. "Só pode ter sido rumor de pesquisa, não deve haver outro motivo [para a repentina alta do índice]", afirmou João Pedro Brugger, analista-chefe da Leme Investimentos. Além da nova edição da pesquisa Sensus, prevista para o fim da semana, também deve ser divulgado nos próximos dias o Datafolha.

Com os investidores de maior peso na bolsa brasileira manifestando cada vez mais reprovação sobre as políticas mais intervencionistas do atual governo, qualquer sinal de perda de espaço de Dilma na corrida eleitoral pode motivar ondas de euforia no mercado nacional. Acompanhando as fortes variações do índice, apareceram as ações das empresas estatais Petrobras (PETR3, R$ 18,18, +1,85%PETR4, R$ 19,56, +1,29%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 27,50, +0,55%) e Eletrobras (ELET3, R$ 6,45, -1,23%ELET6, R$ 11,25, -0,18%), que, após chegarem a subir forte com o boato, amenizaram os ganhos ou voltara para a ponta negativa – caso da companhia elétrica.

A falta de confirmação dos rumores fez com que o Ibovespa devolvesse os ganhos e voltasse ao campo negativo, mas com perdas mais amenas do que a mínima alcançada no começo da tarde, quando o mercado repercutiu preocupado o acidente envolvendo o avião da Malaysia Airlines. O Boeing 777 da companhia asiática fazia um voo de Amsterdam para KualaLumpur com cerca de 300 passageiros quando foi abatido em território ucraniano por um míssil. O ministro do interior do país acusou ainda os separatistas pela autoria do ataque.

O episódio gerou forte tensão no front político internacional, com o senador norte-americano John McCain afirmando que o presidente russo Vladimir Putin irá pagar um alto preço se a Rússia estiver envolvida. Mais cedo, o presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou sanções mais duras contra a economia de Putin, mirando importantes empresas como a Gazprombank e a Rosneft Oil, bem como outras companhias de energia e defesa. Washington tem aumentado constantemente as sanções financeiras contra a Rússia pelo que considera ser uma interferência de Moscou na vizinha Ucrânia e a anexação da Crimeia. Obama disse que os EUA poderiam impor novas punições se a Rússia não tomar medidas concretas para atenuar o conflito.

Acompanhando o cenário de maior tensão e risco de conflitos mais amplos no front internacional, negócios tidos como mais conservadores ganharam força - caso do ouro, por exemplo. Acompanhando o cenário de maior aversão a riscos, o dólar também disparou 1,64%, cotado a R$ 2,2588 na venda. Os preços do petróleo também apresentaram alta significativa.

Destaques do pregão
Entre os papéis que não saíram do campo negativo nem com os efeitos do boato eleitoral, destaque para a Vale (VALE3, R$ 31,48, -1,38%; VALE5, R$ 28,16, -1,26%), cujo presidente, Murilo Ferreira, disse, em entrevista em Brasília, que vê o preço do minério - que caiu 0,51%, a US$ 97,50 por tonelada, nesta sessão - voltar aos patamares históricos, enquanto espera que o crescimento econômico da China continue "muito bom". Vale lembrar que o gigante asiático surpreendeu recentemente o mercado com os dados do PIB (Produto Interno Bruto) acima do esperado, atingindo a marca de 7,5% no segundo trimestre.

Ainda nesta quinta-feira, o chinês Eximbank declarou que deverá estender uma linha de crédito de US$ 5 bilhões para a mineradora brasileira Vale, com validade para 3 anos. A linha de crédito do Eximbank visa apoiar a compra de navios e equipamentos de companhias chinesas pela Vale.

Além disso, a Vale assinou um memorando de entendimento com o Banco da China (BOC em inglês), também com validade de 5 anos, para eventuais empréstimos de atpe US$ 2,5 bilhões. Segundo a empresa, o BOC poderá oferecer linhas de crédito sob a forma de empréstimos sindicalizados, empréstimos bilaterais, crédito à exportação, entre outras iniciativas. As possíveis linhas de financiamento serviriam para financiar a aquisição de equipamentos, bens e serviços na China.

Acompanhando o movimento de correção das ações da Vale, os investidores das empresas do setor de siderurgia também aproveitaram para embolsar os lucros obtidos nas últimas sessões. Com isso, CSN (CSNA3, R$ 10,68, -6,64%), Usiminas (USIM5, R$ 8,58, -4,67%) e Gerdau (GGBR4, R$ 13,63, -3,13%) figuraram entre as principais perdas do dia.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CSNA3 SID NACIONAL ON 10,68 -6,64 -25,73 156,99M
 OIBR4 OI PN 1,65 -6,25 -54,04 134,87M
 USIM5 USIMINAS PNA 8,58 -4,67 -39,62 82,37M
 GOLL4 GOL PN N2 12,60 -4,55 +20,23 17,92M
 GGBR4 GERDAU PN 13,63 -3,13 -24,93 158,61M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 JBSS3 JBS ON 8,44 +2,43 -2,79 75,20M
 PETR3 PETROBRAS ON 18,18 +1,85 +17,76 484,05M
 EMBR3 EMBRAER ON 21,72 +1,64 +15,97 59,63M
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 10,93 +1,58 +3,40 12,65M
 CRUZ3 SOUZA CRUZ ON 23,00 +1,55 -2,02 31,36M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 19,56 +1,29 1,12B 522,89M 61.891 
 PETR3 PETROBRAS ON 18,18 +1,85 484,05M 176,56M 37.175 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 33,50 +0,15 315,58M 262,42M 20.114 
 VALE5 VALE PNA 28,16 -1,26 284,01M 289,48M 25.172 
 BBDC4 BRADESCO PN 33,42 -0,45 274,51M 209,01M 19.118 
 CIEL3 CIELO ON 43,05 -1,49 223,99M 120,21M 19.467 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,20 +1,12 185,25M 159,75M 25.040 
 GGBR4 GERDAU PN 13,63 -3,13 158,61M 71,62M 27.471 
 BBAS3 BRASIL ON 27,50 +0,55 157,74M 137,37M 16.948 
 CSNA3 SID NACIONAL ON 10,68 -6,64 156,99M 61,07M 20.807 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão) 

Copom e IBC-Br no Brasil; outros indicadores nos EUA
No cenário nacional, o mercado também contou com importantes referências. O Copom (Comitê de Política Monetária) optou por manter a taxa Selic em 11% ao ano, por decisão unânime. A expectativa do mercado é que a taxa se mantenha neste patamar até o final deste ano.

Já o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), considerado uma espécie de sinalizador do PIB, caiu 0,18% em maio sobre abril, de acordo com dados dessazonalizados, informou o BC nesta quinta-feira. Analistas consultados pela Reuters esperavam recuo de 0,50% na comparação mensal, de acordo com a mediana de 18 projeções, que foram de queda de 1% a alta de 0,80%.

Nos EUA, o mercado contou com dados mistos da economia. Enquanto houve uma redução inesperada de pedidos de auxílio desemprego, para 302 mil na última semana, enquanto os dados de vendas de casas novas em junho no país decepcionaram. Na maior economia do mundo, os três principais índices acionários fecharam com perdas na casa de 1%.

 

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