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Ibovespa registra leves perdas, com déficit recorde do setor público; Petrobras zera ganhos

Setor público registra déficit primário de R$ 11 bilhões em maio, segundo pior dado da história; além disso, Focus revisou pela quinta vez seguida o PIB brasileiro para baixo, para 1,10%

SÃO PAULO - Após a forte queda da semana passada, de 2,71%, o Ibovespa iniciou a sessão entre leves perdas e ganhos, mas perdeu forças e passou a registrar maiores baixas, guiado principalmente pela virada das ações da Petrobras (PETR3;PETR4), que passaram de alta de 1,5% para leve queda, seguindo o movimento volátil desde o anúncio do acordo do governo de cessão onerosa, na terça-feira passada. Às 11h17 (horário de Brasília), o índice registrava perdas de 0,19%, a 53.055 pontos, com o mercado digerindo a quinta revisão seguida para baixo do PIB pelo Focus e à espera dos dados dos EUA.

Porém, o grande fator para azedar os mercados foi o comunicado divulgado pelo Banco Central, mostrando que o setor público consolidado repetiu o feito do governo central e ainda registrou o segundo pior resultado da história, ao registrar um déficit de R$ 11,046 bilhões. O resultado só foi melhor que dezembro de 2008, quando o saldo foi negativo em mais de R$ 20 bilhões. Após a divulgação dos dados, o índice chegou a registrar perdas de 0,45% na mínima do dia. 

Em meses de maio, nunca havia sido registrado um resultado negativo. O superávit mais baixo, de R$ 487,1 milhões, foi visto em maio de 2010. Em abril, o resultado foi positivo em R$ 16,896 bilhões. Em maio do ano passado, houve superávit de R$ 5,681 bilhões.

Os economistas de instituições financeiras revisaram para baixo pela quinta vez expectativa a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) em 2014, que diminuiu para 1,10%, ante 1,16% da semana anterior. Já para 2015, a projeção do PIB foi para 1,50%, ante expectativa de expansão de 1,60% na semana anterior. Em relação à inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 2014, os economistas mantiveram em 6,46% e continuou abaixo do teto da meta, enquanto para o próximo ano a projeção também foi mantida em 6,10%. 

Além disso, chamam a atenção os indicadores dos EUA. Os indicadores do Chicago PMI animaram, ao ficar em 62,6 pontos em junho, ante expectativa de 60, enquanto os dados de vendas de casas pendentes registraram o maior nível em oito meses, com alta de 6,1%. O mercado segue na expectativa pelos dados de emprego ainda nesta semana. 

Petrobras em dia agitado
No noticiário corporativo, mais uma vez, o destaque fica com a petrolífera estatal. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a presidente da companhia, Graça Foster, negou enfaticamente que haverá um novo aumento de capital até 2030. Os rumores de uma nova capitalização voltaram à tona após o anúncio da cessão onerosa, que custará R$ 15 bilhões à companhia até 2018. 

Além disso, o mercado se animou após a reunião com analistas com a presidente da Petrobras. Graça Foster disse que a companhia estima uma economia de custos com descobertas de US$ 18 bilhões entre 2015 e 2021 pela contratação direta do óleo excedente no pré-sal. A estatal prevê ainda que seriam necessários investimentos de cerca de US$ 26 bilhões para adquirir áreas, descobrir e delimitar potencial do óleo excedente, segundo apresentação encaminhada à CVM.

Enquanto isso, as ações da Marfrig (MRFG3, R$ 5,96, +1,19%) seguem como uma das maiores altas do índice, mesmo que não tão expressiva. Na sexta-feira, as ações subiram forte com a elevação de recomendação de suas ações do BTG Pactual para compra

Já no final da semana passada, a Artesp (Agência de Transportes do Estado de São Paulo) definiu reajuste médio de 5,29% para pedágios no estado. As novas tarifas passaram a valer a partir de 1° de julho. O aumento, no entanto, ficou abaixo do IPCA, índice de preços que normalmente define o reajuste anual, que está em 6,37% no acumulado de 12 meses.

O porcentual de aumento varia dependendo da praça de pedágio. Entre as empresas listadas em Bolsa, as tarifas de pedágio nos acessos de Diadema e Eldorado da Rodovia Imigrantes, administrada pela Ecovias, empresa do Grupo Ecorodovias (ECOR3), não terão aumento, por exemplo. Já o pedágio principal da mesma rodovia terá um reajuste de 3,77%, passando de R$ 21,20 para R$ 22. Por outro lado, a tarifa da CCR Autoban (CCRO3) (que administra o sistema Anhanguera Bandeirantes) recebeu aumento de 5,38% neste ano. As ações das duas companhias registram leves quedas nesta sessão. 

Entre as maiores quedas do Ibovespa nesta manhã, aparecem as ações da Oi (OIBR4), que seguem a desvalorização da semana passada, após as ações de sua maior acionista, Portugal Telecom, caírem mais de 3%. No final da semana passada, a empresa europeia anunciou que havia comprado 900 milhões de euros em dívidas da RioForte, holding do Banco Espírito Santo. "Obviamente, esta queda da PT é devido à reação do mercado à notícia da PT refinanciando a si própria através da dívida de sua principal acionista, o que tem impacto reputacional", disse Albino Oliveira, analista da Fincor em Lisboa.

Ainda entre as maiores quedas, as ações da MMX Mineração ( MMXM3) voltam a cair mais de 4% depois de terem recuado forte na última sexta-feira. Na semana passada, a mineradora afirmou que a busca por um parceiro para ajudar a financiar sua expansão tem sido mais difícil por causa da queda dos preços de minério de ferro. A MMX está buscando um parceiro para a mina no projeto Serra Azul, em Minas Gerais, enquanto lida com o colapso do conglomerado de petróleo, energia, mineração, construção naval e operações portuárias do empresário Eike Batista.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, são:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 MMXM3 MMX MINER ON 2,08 -4,59
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA 8,23 -1,56
 OIBR4 OI PN 1,98 -1,49
 BRML3 BR MALLS PAR ON 18,65 -1,48
 GOAU4 GERDAU MET PN 15,40 -1,28



As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 GFSA3 GAFISA ON 3,36 +1,82
 VIVT4 TELEF BRASIL PN 45,22 +1,39
 MRFG3 MARFRIG ON 5,96 +1,19
 EMBR3 EMBRAER ON EJ 19,84 +1,07
 CESP6 CESP PNB 27,90 +1,01


Europa e Ásia
Os principais índices asiáticos encerraram a sessão com leve alta e investidores iniciam a semana à espera de importantes dados na economia da China. Já na Europa, os índices iniciam o pregão desta segunda-feira operando perto da estabilidade mas com leve queda, após dados sobre inflação serem divulgados nesta segunda-feira.

Segundos dados oficiais, a inflação na região permaneceu inalterada em junho, aliviando a pressão imediata sobre o BCE (Banco Central Europeu) para agir novamente com o objetivo de combater a lenta alta dos preços. A taxa anual nos 18 países que compartilham o euro permaneceu em 0,5% pelo segundo mês seguido em junho, informou a agência de estatísticas da União Europeia, Eurostat. Foi o nono mês seguido em que a inflação permaneceu dentro do que o presidente do BCE, Mario Draghi, chamou de "zona de perigo", abaixo de 1 por cento.

Investidores aguardam a divulgação do PMI (Índice Gerente de Compras) oficial do governo de junho e a leitura final do HSBC, nesta terça-feira, enquanto nos EUA, é aguardado o relatório de emprego de junho. Os altistas esperam ver evidências de uma recuperação econômica nos Estados Unidos nesta semana cheia de dados, incluindo o relatório de empregos de junho na quinta-feira, um dia adiantado devido ao feriado de 4 de julho nos EUA.

 

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