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Ibovespa dribla 16º recorde em Wall Street e cai 0,38%, puxado por Petrobras

"Top 5" do Ibovespa fecha no vermelho e anula os ganhos de imobiliárias, empresas de educação e Marfrig; dólar tem leve alta e se aproxima dos R$ 2,30

SÃO PAULO - Após dois dias de alta, o Ibovespa encerrou esta quarta-feira (4) com queda de 0,38%, a 51.832 pontos, descolando-se do dia positivo nas bolsas americanas, que tiveram mais um recorde histórico. Apesar das boas altas de ações dos setores de educação e construção, o principal índice da BM&FBovespa foi pressionado pelo desempenho negativo dos papéis que possuem maior importância em sua composição, como Petrobras (PETR3, R$ 15,75, -1,32%PETR4, R$ 16,60, -1,78%), bancos, Ambev (ABEV3, R$ 16,21, -0,86%) e Vale (VALE3, R$ 28,92, +0,24%; VALE5, R$ 25,80, -0,39%). O volume financeiro negociado na Bovespa nesta sessão foi de R$ 5,35 bilhões.

Do lado macroeconômico, pesaram também sobre o índice os dados do setor de serviços brasileiro, que registrou expansão apenas modesta em maio - de 50,4 para 50,6 -, além de indicar que as expectativas sobre a atividade de negócios bateu seu menor nível histórico. Além disso, a produção industrial recuou novamente, ao cair 0,3% entre março e abril, ficando 5,8% abaixo do patamar de abril do ano passado, aponta o IBGE. Segundo analistas, a alta taxa de juros pode indicar uma queda ainda maior na produção industrial nos próximos meses.

Além disso, seguiu no radar do mercado a expectativa pela divulgação da pesquisa Datafolha, prevista para ser revelada ainda esta semana. Com a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) de olho nas movimentações do mercado antes da divulgação das pesquisas, dois dos maiores institutos de pesquisa do País, o Ibope e o Datafolha, acreditam que a redução do prazo para registro das pesquisas eleitorais no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) poderia reduzir a possibilidade de especulações no mercado financeiro. Atualmente, os levantamentos precisam ser registrados no TSE com no mínimo cinco dias de antecedência da publicação.

Destaques do pregão
Do lado da Petrobras, a sessão marcou informações veiculadas pela Bloomberg de que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, teria barrado a alta de preços dos combustíveis em abril e maio e cobrou produção da estatal. O presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Murilo Portugal, destacou que o valor correto das ações indenizatórias no STF seria de cerca de R$ 8 bilhões, podendo chegar a R$ 10 bilhões.

As companhias do setor bancário, que correspondem ao maior peso do índice, responderam novamente às expectativas do mercado pelo julgamento dos planos econômicos e os efeitos sobre a poupança, que foi adiado por tempo indeterminado pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Desta forma, as ações de Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 34,83, -1,14%) e Bradesco (BBDC3, R$ 31,90, -1,09%; BBDC4, R$ 31,23, -0,86%) contribuíram para o dia de perdas do Ibovespa.

Vale lembrar que, na semana passada, o Supremo aceitou um pedido da Procuradoria-Geral da República e adiou o julgamento do caso. O MPF (Ministério Público Federal) terá que apresentar outro relatório, já que, no primeiro, afirmava que os bancos tiveram ganhos de R$ 441 bilhões com os planos, valor atingido com base em cálculos incorretos, segundo os bancos.

Na ponta positiva, mais uma vez o destaque ficou com a Marfrig (MRFG3), que viu suas ações subirem 2,40%, cotados a R$ 5,55, atingindo sua 8ª valorização nos últimos 9 pregões. Nas últimas 7 sessões, os papéis da companhia acumulam ganhos de 10,78%. O movimento segue a forte alta de maio, quando as ações encerraram o mês como a melhor ação do Ibovespa.

Na última semana o Citi elevou a recomendação do papel para compra, com preço-alvo de R$ 6,75. Os analistas argumentaram que uma nova administração sênior da BRF, JBS Foods e as divisões Keystone e Moy Park, da Marfrig, combinados com ganhos de produtividade ou de sinergia colaboraram para que as companhias atingissem um estágio de desenvolvimento mais atrativo. Além disso, eles citaram o foco na gestão de capital de giro e desalavancagem após um período de fusões e aquisições, especialmente para BRF e Marfrig, e um dólar mais favorável às exportações até 2015.

Também driblaram o dia de perdas do Ibovespa as ações das companhias do setor de educação, com o trio Estácio (ESTC3, R$ 27,85, +3,53%), Anhanguera (AEDU3, R$ 16,91, +2,80%) e Kroton (KROT3, R$ 58,36, +2,57%) se destacando na ponta positiva da sessão.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 NATU3 NATURA ON 38,53 -2,55 -3,74 42,00M
 GOLL4 GOL PN ES N2 12,37 -2,21 +18,03 13,53M
 PETR4 PETROBRAS PN 16,60 -1,78 +3,44 344,12M
 CYRE3 CYRELA REALT ON 13,21 -1,49 -6,48 23,71M
 HYPE3 HYPERMARCAS ON 18,13 -1,41 +2,72 35,84M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 9,68 +3,64 -8,43 14,25M
 ESTC3 ESTACIO PART ON 27,85 +3,53 +37,59 67,73M
 AEDU3 ANHANGUERA ON 16,91 +2,80 +13,51 45,66M
 KROT3 KROTON ON 58,36 +2,57 +49,63 73,29M
 RSID3 ROSSI RESID ON 1,63 +2,52 -20,10 5,60M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 34,83 -1,14 391,31M 299,98M 15.226 
 PETR4 PETROBRAS PN 16,60 -1,78 344,12M 522,64M 24.104 
 VALE5 VALE PNA 25,80 -0,39 246,48M 391,78M 15.988 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 31,23 -0,86 190,33M 265,20M 11.890 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 10,89 -1,00 142,46M 123,34M 13.721 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,21 -0,86 130,07M 160,16M 13.625 
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON 29,70 +1,02 112,36M 121,66M 11.174 
 CIEL3 CIELO ON 41,30 -0,48 111,30M 102,66M 7.156 
 BBAS3 BRASIL ON 23,09 -0,26 91,69M 156,02M 12.618 
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 101,10 -1,27 91,59M 103,05M 2.950 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão) 

Wall Street e dólar
O dia negativo do Ibovespa fez o benchmark brasileiro ter mais uma sessão de descolamento em relação aos índices acionários dos Estados Unidos, onde o S&P 500 fechou em alta de 0,20%, renovando máxima histórica pela 16ª vez no ano, enquanto o Nasdaq marcou ganhos de 0,42%. Por lá, o Livro Bege divulgado pelo Federal Reserve durante a tarde, ressaltou o crescimento moderado a modesto em todas 12 regiões observadas.

Ainda na agenda norte-americana, o ADP apontou que o setor privado abriu 179 mil vagas em maio, ante expectativa de criação de 200 mil vagas. Os dados de produtividade no país também vieram abaixo do previsto, ao recuarem a uma taxa anualizada de 3,2% no primeiro trimestre - a pior queda desde os três primeiros meses de 2008. O país fica de olho agora nos números do relatório do emprego, a serem apresentados na próxima sexta-feira (6).

Já o dólar teve mais um dia de valorização ante o real, reforçando sua nova tendência de alta à procura de outro ponto de equilíbrio mais próximo do patamar de R$ 2,30. Nesta sessão, a moeda americana fechou com alta de 0,24%, a R$ 2,2836 na venda.

Outros destaques
Os principais índices acionários da Europa fecharam em queda, após a divulgação do PMI Composto da zona do euro. Já as bolsas asiáticas encerraram o pregão sem uma única direção com investidores à espera de importantes indicadores nos EUA e de um possível corte de juros pelo BCE (Banco Central Europeu).

Dados divulgados mostraram que a atividade empresarial na zona do euro desacelerou em maio. O indicador que compila o setor industrial e de serviços da região atingiu 53,5 pontos no mês, ante 54,0 em abril, mas permaneceu acima da marca de 50 que divide crescimento de contração. Além disso, o indicador mostrou uma redução nos preços e aumentou a expectativa de um afrouxamento na política monetária do BCE. A reunião do banco central acontece na quinta-feira (5) e é amplamente aguardada.

 

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