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Ibovespa se recupera de menor fechamento do mês e sobe 0,89%, à espera do Copom

Setor financeiro avança com adiamento do julgamento sobre os planos econômicos; imobiliárias e Petrobras ajudaram rali

SÃO PAULO - Se ontem o pregão foi de queda generalizada para os principais papéis do Ibovespa, a quarta-feira (28) marcou exatamente o inverso. Com investidores mostrando um maior apetite a risco, o benchmark da bolsa brasileira fechou a sessão com ganhos de 0,89%, a 52.639 pontos, recuperando-se de seu pior fechamento do mês. O giro financeiro da Bovespa foi de R$ 5,47 bilhões.

Apenas 14 das 71 ações do índice caíram - apenas 3 recuaram mais de 1% -, estando entre as quedas as exportadoras de commodities metálicas, em meio ao fraco preço do minério de ferro. Entre os destaques positivos, os bancos, que intensificaram ganhos durante a tarde e impulsionaram otimismo ainda maior na Bovespa com um novo adiamento do julgamento dos planos econômicos e os efeitos sobre a correção da poupança pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Com isso, as ações de Banco do Brasil (BBAS3) subiram 3,37%, para R$ 23,34, enquanto Itaú Unibanco (ITUB4) marcou alta de 1,82%, a R$ 36,35.

A sessão desta quarta-feira também marcou as expectativas do mercado pela decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre o novo patamar da taxa básica de juros, a ser anunciada nesta noite. Economistas acreditam que a Selic continuará no mesmo patamar de 11% ao ano, mas muitos deles avaliam que esta pode não ser a melhor decisão. Porém, nenhuma alteração nos juros deve ocorrer até as eleições, conforme apontou o relatório Focus do começo da semana.

Destaques do pregão
Com as expectativas do fim do ciclo de altas, o dia também foi de fortes ganhos para as companhias do setor imobiliário, com MRV Engenharia (MRVE3, R$ 7,04, +4,30%), PDG Realty (PDGR3, R$ 1,60, +2,53%) e Rossi (RSID3, R$ 1,62, +2,53%). Vale lembrar que o setor é um dos mais endividados da bolsa, o que faz com que qualquer elevação nos juros traga ainda mais complicação para suas empresas.

Do lado da MRV, vale destacar ainda a notícia de que a presidente Dilma Rousseff vai anunciar nos próximos dias a meta de contratar mais de 3 milhões de unidades do programa "Minha Casa, Minha Vida" até 2018. Segundo a equipe de análise da XP Investimentos, a companhia é uma das principais beneficiadas com a medida.

Ainda na ponta de cima, as ações da Petrobras (PETR3, R$ 16,55, +0,85%; PETR4, R$ 17,17, +1,20%) tiveram um dia de recuperação após a queda da véspera. Vale destacar que a presidente Dilma Rousseff assinou nesta quarta-feira a Medida Provisória que determina o aumento da mistura de biodiesel no diesel, de 5% para 6% a partir de 1º de julho e de 6% para 7% a partir de 1º de novembro deste ano.

As ações da Cia Hering (HGTX3) subiram 3,12%, a R$ 22,17. O otimismo deve-se a um relatório do Deutsche Bank, que reiterou preferência pelas ações e recomendação de compra. Segundo comentaram os analistas, a visão é suportada por um valuation ainda atrativo, apesar de expectativa de menor produtividade de vendas para a nova franquia de lojas.

Na ponta de baixo, o destaque ficou com as ações da Souza Cruz (CRUZ3, R$ 23,12, -3,02%). A OMS (Organização Mundial da Saúde) conclamou aos governos a aumentar os impostos sobre o tabaco com a argumentação de que tal medida pode salvar vidas e reforçar o orçamento público. Com isso, também eleva a pressão sobre a indústria global de cigarros que faturou US$ 390 bilhões em 2012. O Brasil é o segundo maior produtor de tabaco do mundo, atrás da China, e o maior exportador mundial, e transita na linha fina entre proteção da saúde e livre comércio.

Já o mercado de siderurgia e mineração repercutiu a queda do preço do minério de ferro, que teve baixa novamente ontem e foi negociado a US$ 98,10, depois de ter subido 1,1% na segunda-feira, a US$ 98,70, em sua sétima sessão seguida de cotação abaixo dos US$ 100 por tonelada. Vale ressaltar que as quedas não eram tão acentuadas no início da sessão, em meio às expectativas por novas medidas de estímulo da China, que fizeram as cotações do cobre e do níquel subirem na London Metal Exchange. Os papéis da Vale (VALE3, R$ 29,09, 0,00%; VALE5, R$ 26,55, -0,41%) fecharam com perdas, acompanhados com maior intensidade pelas ações das siderúrgicas CSN (CSNA3, R$ 8,89, -1,22%) e Usiminas (USIM5, R$ 8,16, -1,81%).

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MRVE3 MRV ON 7,04 +4,30 -12,75 45,77M
 JBSS3 JBS ON 7,87 +4,10 -9,36 36,22M
 BBAS3 BRASIL ON ED 23,34 +3,37 -1,82 214,25M
 HGTX3 CIA HERING ON EJ 22,17 +3,12 -24,48 53,72M
 LREN3 LOJAS RENNER ON 67,90 +2,88 +13,03 69,44M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CRUZ3 SOUZA CRUZ ON 23,12 -3,02 -1,57 57,99M
 USIM5 USIMINAS PNA 8,16 -1,81 -42,58 44,43M
 CSNA3 SID NACIONAL ON 8,89 -1,22 -38,18 56,19M
 ESTC3 ESTACIO PART ON 26,85 -0,70 +32,65 88,03M
 BRAP4 BRADESPAR PN 19,35 -0,62 -19,66 17,47M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 36,35 +1,82 427,76M 348,15M 25.166 
 VALE5 VALE PNA 26,55 -0,41 409,05M 406,32M 19.946 
 PETR4 PETROBRAS PN 17,70 +1,20 392,05M 577,29M 22.592 
 BBDC4 BRADESCO PN 32,53 +1,02 321,78M 259,75M 23.494 
 BBAS3 BRASIL ON ED 23,34 +3,37 214,25M 175,65M 23.650 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON ED 11,70 0,00 173,33M 104,99M 11.702 
 PETR3 PETROBRAS ON 16,55 +0,85 141,85M 174,28M 12.704 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,15 +0,19 134,46M 200,65M 15.731 
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON 28,15 +0,82 120,17M 119,35M 14.267 
 VALE3 VALE ON 29,09 0,00 109,26M 105,20M 9.876 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão) 

Wall Street e dólar
No caminho oposto dos ganhos do Ibovespa, os principais índices acionários americanos tiveram um dia de leve queda, após registrarem ganhos expressivos na véspera. Enquanto Dow Jones e Nasdaq apresentaram recuos próximos a 0,2%, o S&P 500 foi o único a driblar o pessimismo e fechar estável.

Por lá, os investidores esperam a divulgação dos dados do PIB (Produto Interno Bruto), marcada para amanhã. Economistas ouvidos pela Bloomberg esperam uma contração de 0,5% na economia americana no primeiro trimestre do ano, ante estimativa preliminar de crescimento de 1% na comparação anual. Para o segundo trimestre, especialistas esperam avanço de 3,5% da maior economia do mundo.

Já o dólar teve um movimento de correção nesta sessão, aproveitando o dia de otimismo na Bovespa - vale lembrar que a moeda americana costuma apresentar desvalorização em dias de ganhos na bolsa brasileira e valorização em sessões negativas. Nesta quarta-feira, a divisa fechou em queda de 0,22%, a R$ 2,2359 na venda. Desde que o Banco Central brasileiro anunciou menos intervenções no mercado cambial, a moeda americana iniciou uma tendência de valorização, em busca de um novo patamar de equilíbrio, acima da zona dos R$ 2,20.

 

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