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Ibovespa acelera alta com investigações de Petrobras e renova máxima em 6 meses

Índice intensifica ganhos nos instantes finais, acompanhando a notícia de que o Senado aprovou abertura de inquérito sobre a estatal; ações da petrolífera sobem 1,8%

SÃO PAULO - Depois de chegar à sua terceira queda em 4 dias na véspera, com noticiário morno e declarações do presidente do PT que desanimaram os investidores, o Ibovespa voltou a subir nesta quarta-feira (14), ao fechar com ganhos de 0,94%, a 54.412 pontos – renovando sua máxima desde 18 de novembro. Contribuindo para o dia positivo do benchmark da bolsa brasileira, destaque para as blue chips Vale (VALE3, R$ 31,39, +2,41%VALE5, R$ 28,25, +2,36%), Petrobras (PETR3, R$ 17,33, +1,70%PETR4, R$ 18,29, +1,84%), do Bradesco (BBDC3, R$ 36,16, +2,12%BBDC4, R$ 35,32, +1,67%) e das companhias do setor elétrico. O giro financeiro da Bovespa foi de R$ 5,86 bilhões.

Vale mencionar a notícia de que o Senado aprovou a abertura do inquérito sobre a Petrobras, fator que ajudou para o aumento dos ganhos dos papéis da estatal na bolsa. O anúncio, além de bem visto pelos acionistas da companhia, pode representar ainda mais adversidades para a presidente da República Dilma Rousseff na tentativa de se reeleger, elemento que tem mostrado força em inflar o otimismo dos investidores da Bovespa.

Cabe ressaltar que as ações da petrolífera vem registrando forte volatilidade devido ao rali eleitoral, além de sinalizações de que a companhia pode aumentar o preço dos combustíveis ainda este ano. A proximidade do vencimento de opções sobre ações, que ocorrerá na próxima segunda-feira, também contribuiu para o cenário de maior volatilidade das ações da estatal.

No cenário doméstico, vale destacar a fala do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que fez uma provocação ao rebaixamento de rating promovido pela agência Standard & Poor’s em março. “O rebaixamento foi nulo em relação aos mercados. Não aconteceu nada e houve valorização do real. [O rebaixamento] foi solenemente ignorado”.

No entanto, apesar do dia positivo, o mercado segue dividido sobre o recente movimento de ganhos expressivos da bolsa, impulsionado, sobretudo, pelas pesquisas eleitorais, que apontaram para queda nas intenções de voto de Dilma. Para os analistas do HSBC, o rali do Ibovespa se deveu praticamente à reclassificação da relação entre preço sobre lucro por ação, de 8,5 vezes para 10,2 vezes. E isto ocorreu, em grande, parte devido a expectativas de melhoria em termos políticos após as eleições.

Do outro lado, a equipe de análise do BTG Pactual ressaltou em relatório que é ainda muito cedo para elevar as projeções acerca do desempenho acionário brasileiro após o rali eleitoral. "Nós entendemos a excitação sobre o País e nós concordamos que o panorama eleitoral ainda está pouco claro. Porém, nós ainda pensamos que é muito cedo para termos uma posição overweight [exposição acima da média do mercado]", avaliam.

Destaques do pregão
Nesta data, o mercado repercutiu ainda os números da Brookfield Incorporações (BISA3, R$ 1,46, 0,00%), que informou seu sexto prejuízo trimestral consecutivo. A companhia, cuja controladora está preparando uma OPA (oferta pública de aquisição) de ações para tirá-la do Novo Mercado, teve prejuízo de R$ 74,8 milhões no primeiro trimestre, ante resultado negativo de R$ 47,7 milhões um ano antes.

Após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre, a Cosan (CSAN3, R$ 39,01, -0,79%) viu seus papéis fecharem em queda após chegarem a subir 1,58% na máxima do intraday. A companhia registrou lucro líquido superior no primeiro trimestre, graças a melhoras do resultado financeiro e dos números da Raízen. Ela teve lucro líquido de R$ 256,1 milhões no primeiro trimestre, ante R$ 27,1 milhões no mesmo intervalo do ano anterior.

Já a Qualicorp (QUAL3, R$ 23,42, +3,63%) reportou lucro líquido ajustado de R$ 58,6 milhões ao final do primeiro trimestre de 2014, o que representou um aumento de 105,8% na comparação com 2013. O Ebitda ajustado foi de R$ 131,6 milhões, aumento de 40,8% ante o primeiro trimestre do ano passado.

Enquanto isso, também como destaque de alta, estão os papéis da Cemig (CMIG4, R$ 16,93, +2,92%). De acordo com informações da Abegás, a estatal mineira planeja aporte de capital de até R$ 2 bilhões para a distribuidora de gás canalizado Gasmig e busca sócio do exterior do gás. Copel (CPLE6, R$ 34,98, +1,30%) e Cesp (CESP6, R$ 29,05, +4,50%) também veem suas ações registrarem ganhos.

As ações da Anhanguera, que chegaram a cair 3,19%, viraram e fecharam com valorização de 1,06%, a R$ 16,16, depois que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou a fusão da empresa com a Kroton. No caso da Anhanguera, os papéis devem se aproveitar agora do fim das incertezas sobre a viabilidade da fusão. Enquanto isso, as ações da Kroton (KROT3) caíram 0,30%, a R$ 55,79.

Como era esperado pelo mercado, o Cade aprovou a fusão com a condição de venda da Uniasselvi e a suspensão de oferta de alguns cursos onde a concentração é muito alta. Por meio de um ACC (Acordo em Controle de Concentrações), as empresas se comprometeram a alienar a Sociedade Educacional Leonardo da Vinci, que oferece cursos de graduação na modalidade EAD (Ensino à Distância) sob a bandeira Uniasselvi, bem como duas instituições de ensino superior que oferecem cursos presenciais em Rondonópolis e Cuiabá.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CESP6 CESP PNB 29,05 +4,50 +44,05 69,92M
 QUAL3 QUALICORP ON 23,42 +3,63 +4,09 134,27M
 CMIG4 CEMIG PN 16,93 +2,92 +35,02 84,34M
 ELET3 ELETROBRAS ON 7,54 +2,72 +35,40 12,45M
 PDGR3 PDG REALT ON 1,68 +2,44 -7,18 29,22M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 GOAU4 GERDAU MET PN 17,15 -2,56 -26,38 16,38M
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 10,04 -2,43 -5,02 51,94M
 OIBR4 OI PN 1,99 -1,97 -44,57 81,40M
 GGBR4 GERDAU PN 14,21 -1,73 -22,14 78,48M
 MMXM3 MMX MINER ON 2,50 -1,57 -40,48 1,58M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 28,25 +2,36 495,93M 441,07M 32.770 
 PETR4 PETROBRAS PN 18,29 +1,84 424,12M 606,19M 24.153 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 35,32 +1,67 268,86M 249,61M 17.717 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 37,49 +0,43 252,83M 372,95M 14.756 
 KROT3 KROTON ON ED 55,79 -0,30 157,08M 118,25M 8.134 
 AEDU3 ANHANGUERA ON 16,16 +1,06 138,60M 78,10M 13.197 
 QUAL3 QUALICORP ON 23,42 +3,63 134,27M 53,79M 12.776 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,70 +0,60 124,58M 220,51M 20.306 
 VALE3 VALE ON 31,39 +2,41 116,32M 125,28M 8.681 
 PETR3 PETROBRAS ON 17,33 +1,70 109,64M 190,43M 9.628 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão) 

Wall Street em correção; dólar volta a cair
O dia de ganhos do Ibovespa se descolou do desempenho das principais bolsas internacionais, com Wall Street fechando em queda, após os índices Dow Jones e S&P 500 renovarem suas máximas históricas na véspera. Do lado macroeconômico, ainda nos EUA, vale destacar que amanhã a chair do Federal Reserve, Janer Yellen, falará amanhã após reforçar, na semana passada, a necessidade de manutenção de estímulos na maior economia do mundo.

Já o dólar, voltou a cair nesta sessão, em linha com seu movimento natural em dia de ganhos na Bovespa. Nesta quarta-feira, a moeda americana sofreu desvalorização de 0,3% ante o real e terminou o dia cotada a R$ 2,2083 na venda.

Outros destaques
Na Europa, dados da produção industrial mostraram uma queda em março ante fevereiro, além de um recuo na comparação anual devido a um grande queda na produção de energia. A produção industrial nos países da zona do euro recuou 0,3% na comparação com fevereiro e caiu 0,1% ante o ano anterior. Analistas consultados pela Reuters esperavam alta de 1,0% na base anual. Essa foi a primeira queda na comparação anual desde agosto de 2013.

Além disso, investidores reagiram à notícia de que o BCE (Banco Central Europeu) estaria preparando um pacote de opções políticas para sua reunião de junho, incluindo cortes em todas as suas taxas de juros e medidas direcionadas para impulsionar o empréstimo a pequenas e médias empresas. O pacote oferece um pequeno estímulo para a economia da zona do euro, mas não alcança o efeito de larga escala que o BCE poderia desencadear com um programa de compra de títulos (quantitative easing, ou QE)

Dados no Reino Unido mostraram que o desemprego na região caiu para 6,8% e atingiu seu menor patamar em cinco anos, enquanto o nível dos salários no país aumentou mais do que a inflação, pela primeira vez desde 2010.

Na Europa, dados da produção industrial mostraram uma queda em março ante fevereiro, além de um recuo na comparação anual devido a um grande queda na produção de energia. A produção industrial nos países da zona do euro recuou 0,3% na comparação com fevereiro e caiu 0,1% ante o ano anterior. Analistas consultados pela Reuters esperavam alta de 1,0% na base anual. Essa foi a primeira queda na comparação anual desde agosto de 2013. 

Além disso, investidores reagem a notícia de que o BCE (Banco Central Europeu) está preparando um pacote de opções políticas para sua reunião de junho, incluindo cortes em todas as suas taxas de juros e medidas direcionadas para impulsionar o empréstimo a pequenas e médias empresas. O pacote oferece um pequeno estímulo para a economia da zona do euro, mas não alcança o efeito de larga escala que o BCE poderia desencadear com um programa de compra de títulos (quantitative easing, ou QE) 

Dados no Reino Unido mostraram que o desemprego na região caiu para 6,8% e atingiu seu menor patamar em cinco anos, enquanto o nível dos salários no país aumentou mais do que a inflação, pela primeira vez desde 2010. 

 

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