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Em dia negativo, 9 ações do Ibovespa caíram mais de 4%; apenas 5 se salvaram

Oi liderou as perdas do índice ao cair mais de 11%; do lado positivo, CPFL Energia e Suzano foram as únicas a subir mais de 2%

SÃO PAULO - Na terça-feira (15) em que o Ibovespa teve seu pior pregão desde 3 de fevereiro, apenas 5 das 72 ações que fazem parte do índice terminaram o dia no positivo. Dentre os destaques negativos, tivemos importantes blue chips como Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 34,05, -2,41%), Petrobras e Vale caindo até 5% no dia. Do lado positivo, tivemos mais uma vez uma representante do setor elétrico, assim como empresas beneficiadas com a alta do dólar. 

O principal destaque negativo ficou com a Oi (OIBR4), que caiu 11,93% em seu 4º dia de queda, fechando a R$ 2,51, menor patamar da sua história (desconsiderando a época que a Oi se chamava Grupo Telemar na Bolsa). Nestes 4 pregões, a companhia acumula perdas de 23% no mercado. Desde o final de março, a companhia vem sofrendo duras perdas após a CVM permitir que os controladores da operadora de telefonia votassem na assembleia que definiria os termos para a fusão entre Oi e Portugal Telecom - algo classificado por analistas como uma "punhalada" nos minoritários da empresa.

Além da Oi, outras 8 ações do Ibovespa caíram mais de 4% nesta sessão. Dentre elas, aparecem as imobiliárias PDG (PDGR3, R$ 1,38, -4,17%) e Gafisa (GFSA3, R$ 3,48, -4,40%); Duratex (DTEX3, R$ 10,97, -5,67%) que havia sido a maior alta do Ibovespa na véspera; Marfrig (MRFG3, R$ 4,18, -5,64%), que caiu com um volume quase 3 vezes acima da média; Dasa (DASA3, R$ 13,61, -4,89%), que segue sofrendo pela falta de liquidez após a OPA (Oferta Pública de Aquisição) que ela recebeu não ter resultado no fechamento do seu capital; e a Prumo Logística (PRML3, R$ 1,12, -4,27%), a antiga LLX Logística.

Das únicas 5 altas do dia dentro do Ibovespa, destaque para as elétricas CPFL Energia (CPFE3) e Tractebel (TBLE3), que subiram 3,43% e 1,04%, respectivamente, para R$ 19,88 e R$ 34,02 - pelo perfil defensivo e com resultados mais previsíveis, o setor elétrico costuma ser um "porto seguro" dos investidores da Bolsa em momentos de maior tensão - e para a Suzano Papel (SUZB5, R$ 8,04, +2,16%), beneficiada pela alta de 1,0% do dólar nesta sessão, tendo em vista seu caráter exportador.

O tripé negativo da Vale
As ações da Vale e siderúrgicas são fortemente penalizadas nesta sessão após dados fracos da China. O gigante asiático não animou ao mostrar que sua base monetária cresceu em seu ritmo mais fraco desde maio de 2001, sinalizando novamente um enfraquecimento da economia chinesa. Segundo a LCA Consultores, o resultado reforça o cenário de que o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) chinês se desacelerou no primeiro trimestre - o indicador será divulgado nesta noite. A mediana das projeções de crescimento da economia chinesa no primeiro trimestre deste ano está em 7,3% na comparação anual e 1,5% em relação ao trimestre anterior. 

Como a China é o principal destino das exportações da Vale (VALE3, -4,91%, R$ 30,42; VALE5, -4,59%, R$ 27,88), as ações da mineradora registram neste momento queda superior a 2%. A Bradespar (BRAP4), holding que detém forte participação na mineradora, cai 4,95%, a R$ 20,37. As siderúrgicas  Usiminas (USIM5) e CSN (CSNA3), que possuem forte exposição ao mercado de minério, também sentiram na pele os dados chineses e caíram 3,94% 4,18%, respectivamente, a R$ 9,01 e R$ 8,95.

Ainda sobre a Vale, importante mencionar também que na véspera houve o exercício antecipado de opções de compra que vencerão na próxima terça-feira, o que pode ter aumentando a corrida nesta quarta-feira por uma realização de ganhos. Por fim, o juros sobre capital próprio de quase R$ 1,00 por ação que a mineradora vai pagar no final do mês ficou "ex" nesta quarta, ou seja, quem tinha ações até ontem já vai receber os proventos.

Petrobras cai forte
Também alvo de especulação nos dias pré-vencimento de opções sobre ações - tendo em vista a forte liquidez que ela possui no mercado -, a Petrobras (PETR3; PETR4) viu seus papéis ordinários caírem 3,45%, a R$ 14,83, enquanto os preferenciais recuaram 3,83%, a R$ 15,32. Repercutiu nesta sessão a participação da presidente da empresa, Maria das Graças Foster, que participou de uma audiência pública no Senado para prestar esclarecimentos sobre acusações de irregularidades que pesam forte sobre a estatal.

Graça reafirmou que documentos enviados ao conselho de administração sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), omitiu a existência da "cláusula de saída" que beneficiava o sócio belga, a Transcor Astra.  

CCX
Fora do índice, as ações da CCX Carvão (CCXC3) caíram 4,44%, R$ 0,86, refletindo o resultado negativo divulgado ontem a noite. A empresa, do grupo EBX, de Eike Batista, registrou prejuízo líquido de R$ 537,368 milhões no ano passado, quase dez vezes maior do que o prejuízo de R$ 54,752 milhões visto em 2012. O prejuízo atribuível aos acionistas controladores foi de R$ 503,690 milhões, ante R$ 36,314 milhões no ano anterior.

O caixa gerado nas atividades operacionais foi de R$ 42,428 milhões em 2013, ante R$ 453,666 milhões do ano anterior. O saldo inicial de caixa e equivalentes de caixa era de R$ 102,770 milhões no começo de 2013 e o saldo final foi de R$ 1,265 milhão no ano passado. Segundo comunicado da empresa, ao final de 2013 o endividamento totalizava R$ 35,6 milhões, em obrigações de curto prazo denominadas em dólar. 

 

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