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Ibovespa intensifica perdas e cai mais de 1%, digerindo IPCA e de olho no Fomc

As ações de blue chips registram queda, enquanto os ativos da Petrobras têm baixa de 2%; na economia, índice de inflação acelerou para 0,92% em março em relação a 0,69% em fevereiro, acima do esperado pelo mercado, enquanto olhos se voltam também para o Fomc

SÃO PAULO - O Ibovespa abre a sessão desta quarta-feira (9) em queda, com destaque para as blue chips do índice, registrando a sua segunda baixa seguida. Às 10h19 (horário de Brasília), o índice registrava baixa de 1,13%, a 51.044 pontos. As ações da Petrobras (PETR3;PETR4) registram baixa de cerca de 2%, enquanto os papéis ON da Eletrobras (ELET3) têm perdas de mais de 3%. 

Nesta sessão, o grande destaque fica para a divulgação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acima do esperado pelo mercado. O índice de inflação acelerou para 0,92% em março em relação a 0,69% em fevereiro, acima do esperado pelo mercado, que esperava alta de 0,86% no período. No acumulado de doze meses, o índice, utilizado como referência para o regime de metas de inflação, ficou em 6,15%, aproximando-se do teto da meta de 6,5% ao ano estabelecida pelo governo. Vale ressaltar que, na próxima quinta-feira, será revelada a Ata do Copom (Comitê de Política Monetária), que dará os próximos passos de política monetária do Banco Central.

A política monetária nos EUA também estará em foco. Nesta data, o mercado se volta para a divulgação da ata da última reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), que pode trazer sinalizações sobre os próximos passos do Federal Reserve sobre a retirada de estímulos nos EUA e a alta de juros.

Como destaque de baixa nesta sessão, estão as companhias que tiveram fortes altas nas duas últimas sessões: as imobiliárias. Rossi Residencial (RSID3, R$ 1,76, -2,22%), PDG Realty (PDGR3, R$ 1,61, -1,83%) e Gafisa (GFSA3, R$ 3,74, -1,58%) registram queda após o IPCA acima do esperado. Na véspera, a expectativa de que a taxa básica de juros não fosse mais elevada favoreceu as ações de imobiliárias, já que o crédito ao consumidor deixa de aumentar, o que evita um impacto pior na receita dessas empresas. Com a aceleração da inflação, esse cenário se complica e o mercado fica agora à espera da ata da última reunião do Copom. 

Como destaque de baixa, estão as ações da Usiminas (USIM5), com baixa de 3,23%, a R$ 9,28. O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) julga nesta manhã a operação envolvendo a compra das ações da Usiminas pela CSN (CSNA3). Há dois anos, o Cade, em medida preventiva, impediu a CSN de comprar novas ações da Usiminas. Em compras na bolsa, a CSN havia atingido 15,91% do capital total da concorrente. A CSN também foi proibida de indicar membros para o conselho fiscal e de administração da concorrente. O objetivo foi preservar a concorrência entre as empresas, pois, com a participação alcançada, a CSN poderia eleger conselheiros e ter acesso a informações estratégicas da concorrente.

Também em destaque, está a Sabesp (SBSP3), que registra queda de 2,29% para as suas ações após admitir, pela primeira vez de forma oficial, a possibilidade de implantar um rodízio de água em São Paulo ainda este ano. A Sabesp afirma, em documento, que se "as chuvas não retornarem a índices adequados e, consequentemente, os níveis dos reservatórios não forem restabelecidos, poderemos ser obrigados a tomar medidas mais drásticas, como o rodízio de água".

Temores de um racionamento de água surgiram neste ano diante da falta de chuvas no verão e do recuo nos reservatórios da empresa, com o Sistema Cantareira, que abastece parte da região metropolitana de São Paulo e algumas cidades do interior, atingindo um nível de 12,7% nesta quarta-feira.

Europa e Ásia
 Os principais índices acionários do mundo iniciaram a quarta-feira com alta. A exceção do dia é o benchmark Nikkei, do Japão, que encerrou o pregão com queda devido ao iene mais forte frente ao dólar, prejudicando as ações de empresas exportadoras. 

O índice de referência do Japão fechou seu quarto pregão consecutivo em queda e acumulou perdas de 2,1% nesta quarta-feira. O benchmark teve forte queda devido a um iene mais forte em relação ao dólar depois que uma reunião do banco central japonês deixou investidores pessimistas com uma nova política de estímulos à economia do país no curto prazo.

Já os outros benchmarks asiáticos, estenderam os ganhos das bolsas norte-americanas e encerraram a quarta-feira com alta e buscando uma recuperação após grande "Sell Off" na véspera. O índice de Shangai Composto fechou em alta pelo segundo pregão consecutivo com ganhos de 0,3%, enquanto o Hang Seng terminou com alta de 1,09%.

Na Europa, os índices acionários do continente têm um pregão de alta, se recuperando de perdas nas sessões anteriores. Além da Ata do Fomc, o mercado aguarda pelo Wholesale Investories nos EUA, relatório que contém as informações sobre as vendas e os estoques do setor atacadista, junto com o estoque de petróleo no país durante a semana .

Na Alemanha, dados da atividade do comércio mostraram que as exportações do país caíram para 1,3% em relação ao mês passado e ficaram abaixo da estimativa do mercado.

 

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