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Ibovespa segue ganhos da véspera com Datafolha, sobe mais de 2% e supera os 53.000 pontos

O Ibovespa abre com fortes ganhos na sessão desta terça-feira, a despeito do cenário negativo das bolsas internacionais e apesar do corte de projeções para economia brasileira pelo FMI; Petrobras sobe mais de 2%

análise técnica - gráfico azul - cotações
(Thinkstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa registra fortes ganhos na sessão desta terça-feira (8), a despeito do cenário negativo das bolsas internacionais. Às 10h45 (horário de Brasília), o índice registrava alta de 2,19%, a 53.344 pontos, na esteira dos ganhos da véspera, quando o índice subiu 2,10% após a pesquisa Datafolha, que mostrou queda na popularidade e das intenções de voto da presidente Dilma Rousseff.

Alám disso, a alta ganhou ainda mais após a abertura de Wall Street. Depois de abrir próximo à estabilidade após três dias de forte queda, os principais índices dos EUA apontam para uma sessão mais positiva. As ações da Petrobras (PETR3;PETR4) registram fortes ganhos de quase 3%, enquanto da Eletrobras (ELET3, R$ 7,60, +2,70%; ELET6, R$ 12,33, +2,92%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 25,49, 2,37%) têm ganhos superiores a 2%. 

As ações das companhias de mineração e siderurgia também registram ganhos nesta sessão, na expectativa por novos estímulos na China, que também impulsionou as bolsas do país. Com isso, as ações da Vale (VALE3, R$ 34,01, +2,01%; VALE5, R$ 30,65, +2,00%), CSN (CSNA3, R$ 10,10, +2,75%) e Usiminas (USIM5, R$ 10,37, +1,57%) registram ganhos.  Os ativos de bancos também têm fortes ganhos e sustentam o índice, enquanto praticamente nenhuma ação registra queda. 

As ações da Natura (NATU3) voltam a subir forte neste pregão, com valorização de 3,29%, a R$ 41,11. Na véspera, o blog de Geraldo Samor, da Veja, anunciou que o governo decidiu suspender os planos para aumentar o PIS e Cofins sobre a indústria de cosméticos, um aumento que prejudicaria diretamente a Natura. A informação foi dada pelo Ministério da Fazenda à ABIHPEC (Associação Brasileira de Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos) e está sendo disseminada pelo mercado. Ontem, as ações da companhia subiram 4,54%.

A Petrobras também chama a atenção no noticiário corporativo. A companhia obteve um financiamento de R$ 4 bilhões junto ao Bradesco, vinculado ao projeto Abreu e Lima, no Pernambuco, e ao Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

O financiamento tem prazo de 17 anos, com juros equivalentes à TR mais 9,5% ao ano, e o banco teria utilizado recursos captados da poupança na operação. Para a Petrobras, a principal vantagem foi o custo, considerando a TR do fim de março, abaixo da taxa básica de juros da economia (Selic), que está em 11% ao ano.

Perspectivas para PIB são cortadas novamente pelo FMI
Apesar da bolsa brasileira seguir em alta, as perspectivas para a economia do Brasil não são positivas. Pela quarta vez, o FMI (Fundo Monetário Nacional) cortou a previsão para o PMI de 2014 pela quarta vez, avaliando que a expansão neste ano será de 1,8%, menor do que em 2013, de 2,3%.  

Sobre a economia mundial, o FMI espera que, depois de dois anos de recessão, a zona euro volte ao crescimento com taxas de 1,2% e 1,5% em 2014 e 2015. A instituição traçou um quadro positivo para a economia dos EUA, esperando uma expansão de 2,8% neste ano. 

No noticiário econômico brasileiro, foi divulgado a produção industrial do país de fevereiro, revelada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com uma expansão de 0,4% frente ao mês anterior, refletindo resultados positivos em sete dos quatorze locais pesquisados. 

Já nos EUA, chama a atenção dos investidores os discursos de Kocherlakota, presidente do Federal Reserve de Minneapolis, às 15h30 (horário de Brasília) e de Plosser, presidente do Fed na Filadélfia.

Sell-off mundial; China é exceção
Na China, na reabertura das bolsas no país que estavam fechadas por um feriado, os benchmarks chineses terminaram o dia em alta, motivados por um rali no setor bancário. 

O índices de Shangai Composto e o Hang Seng foram a exceção no fechamento das bolsas asiáticas e encerraram com alta de 1,92% e 0,98%, respectivamente. A forte alta das ações foi motivada por esperanças sobre estímulos do governo da China para combater a desaceleração na economia do país. 

No Japão, O BC do país manteve sua política monetária nesta terça-feira e não alterou a visão de que a economia deve continuar a se recuperar moderadamente, sinalizando confiança de que o país está progredindo firmemente. Porém, com um iene mais forte, atingindo seu nível mais alto desde 28 de março, dados divulgados nesta terça-feira foram ofuscados. Mesmo com a conta corrente mostrando um superávit pela primeira vez em cinco meses, o Nikkei, benchmark japonês, encerrou com queda de 1,36%.

Na Europa, as tensões crescentes na Ucrânia também contiveram o apetite de investidores por risco. Manifestantes pró-Moscou no leste da Ucrânia tomaram armas em uma cidade e declararam uma república separatista em outra, ações que Kiev descreveu na segunda-feira como parte de um plano orquestrado pela Rússia para justificar uma invasão.

Dados no continente europeu também não foram suficientes para animar os investidores. Na França, o déficit comercial apresentou uma melhora no mês de fevereiro, enquanto a economia do Reino Unido continua a dar sinais de uma recuperação após os números de produção industrial e de manufatura ficaram acima da estimativa do mercado. Mesmo assim, as ações no continente continuem em queda. 


 

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