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"Socorro" às elétricas não sairá barato; veja quem vai pagar a conta na Bolsa

O que veio para ser uma salvação para o setor elétrico pode ser um fardo pesado para os bancos públicos e a Petrobras, dizem especialistas

choque elétrico - energia
(Thinkstock)

SÃO PAULO - Em uma estratégia arriscada, o governo anunciou na noite da última quinta-feira (14) pacote de três grandes medidas para as elétricas. O que veio para ser um "socorro" para o setor, no entanto, pode ser um fardo pesado para os bancos públicos e a Petrobras (PETR3; PETR4), que de certa forma, pagarão parte da conta da ajuda. 

No setor financeiro, o Banco do Brasil (BBAS3) é o mais exposto e pode financiar os R$ 8 bilhões da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), segundo avaliação da XP Investimentos. Mas um rateio pode vir com a Caixa e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). 

Entre as medidas, o governo anunciou que serão R$ 12 bilhões para pagar a conta das térmicas, em duas tranches. Na primeira, o Tesouro colocará R$ 4 bilhões no CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), fundo que vem bancando os custos das distribuidoras desde o ano passado; na segunda, a CCEE tomará R$ 8 bilhões emprestados e repassará às distribuidoras. 

Para os analistas da corretora, o melhor seria buscar proteção contra as ações do BB. "O banco já sofreu muito, e agora corre o risco de financiar o setor elétrico. Ou seja, a perspectiva não é nada animadora", disseram. Na última sexta-feira, as ações do Banco do Brasil caíram 1,52%, fechando a R$ 18,84 - menor patamar desde 10 de julho do ano passado. Em 2014, a queda dos papéis do banco já chega a 20%.

Petrobras
Além das duas medidas estritamente financeiras, uma terceira medida viria com a realização de um novo leilão de energia existente, em 25 de abril, com a entrega de eletricidade a partir de maio. E é exatamente essa etapa que causaria desconforto na Petrobras, apontam os analistas do banco HSBC e da LCA Consultores. 

Segundo eles, a eficácia da medida é muito incerta, tendo em vista que poucos teriam interesse em aderir ao leilão em um momento em que a energia tem sido vendida a preços recordes e sem claro sinal de arrefecimento para patamares históricos nos próximos meses. Especula-se que a principal participante seria a Petrobras, o que certamente não auxiliará no preço das ações da empresa, afirmou a consultoria - vale lembrar que atualmente elas estão cotados nos seus menores patamares desde 2005.

Em relatório, os analistas do HSBC, Luiz Carvalho e Filipe Gouveia afirma que se a Petrobras participar desse leilão, seja vendendo sua energia não contratada a um preço menor para garantir contratos no longo prazo ou mesmo como uma possível intervenção do governo para controlar a inflação, a empresa poderia atingir uma perda trimestral de R$ 1,2 bilhão. 

Com isso, eles consideram a medida mais um "sinal de alerta" da intervenção negativa do governo na empresa, que, aliado ao estabelecimento dos preços dos combustíveis para controlar a inflação, provavelmente aumentará a percepção negativa sobre a empresa. Eles destacam que, porém, que em um cenário sem racionamento de energia, a Petrobras poderia começar a registrar lucros em seu segmento de gás e energia, considerando que sua energia não contratada não despachada teria agora que ser vendida (por um período de dois anos após esse leilão).

 

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