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No embalo do Fed, Ibovespa tem primeira semana de alta após 4 quedas

Índice caiu 0,87% nesta sexta-feira, mas terminou a semana com ganhos de 2,27%, repercutindo as notícias favoráveis da economia americana; Eletropaulo cai 11,77% nesta sessão mas lidera ganhos semanais

Ibovespa
(Divulgação)

SÃO PAULO - Depois de fechar quatro semanas seguidas em queda, o Ibovespa finalmente voltou a ter uma semana positiva, ao acumular ganhos de 2,27%, a 51.185 pontos entre os dias 16 e 20 de dezembro. Nem mesmo o movimento de correção nesta sexta-feira (20), que levou o benchmark da bolsa brasileira a uma queda de 0,87%, foi suficiente para impedir que o índice terminasse a semana no azul, impulsionado pelo fim do impasse sobre o início da retirada de estímulos do Federal Reserve na economia americana. O volume financeiro negociado nesta sessão foi de R$ 6,5 bilhões.

A semana inteira for quase que exclusivamente regida pelas expectativas e repercussões da reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), que, na última quarta-feira (18), resultou no anúncio de que o Fed iniciaria em janeiro um corte de US$ 10 bilhões sobre os US$ 85 bilhões antes injetados na economia americana via compra de títulos públicos, em uma política chamada de QE3 (Quantitative Easing 3). Embora os investidores temessem o impacto que o início da retirada traria ao mercado, a sinalização de que os juros se manterão próximos de 0% por mais tempo do que o imaginado e a confirmação de que o plano de saída do QE3 será de fato gradual gerou otimismo nas bolsas. Digerindo a notícia, o Ibovespa subiu 0,9% e 2,1% na quarta e quinta-feira, respectivamente, antes da realização de hoje.

Colaborou ainda para o movimento corretivo as notícias negativas sobre o mercado de crédito da China, o corte de rating da União Europeia pela Standard & Poor's, que acabaram ofuscando a revisão surpreendente para cima do PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano no 3º trimestre. Também vale destacar o forte movimento de alta do dólar nesta sessão, que voltou a se aproximar da cotação de R$ 2,40, ao subir 1,58%, a R$ 2,3875 na venda.

Por aqui, a agenda contou com o relatório trimestral de inflação do Banco Central, que destacou que o cenário de mercado para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) segue em 5,8% para 2013. O BC voltou a repetir que os efeitos da política monetária nos preços ocorre com "defasagens" e que "deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos doze meses persistam no horizonte relevante".

Destaques da bolsa
Entre os maiores destaques de queda do índice, está a B2W Digital (BTOW3, R$ 15,58, -4,71%), seguindo o movimento de baixa da véspera após a recomendação de venda feita pelo Deutsche Bank. As ações da companhia apresentaram o pior desempenho dentro do índice, com desvalorização acumulada de 5,58% entre os dias 16 e 20. Ainda nesta sessão, também chamaram atenção os papéis das grandes blue chips, como a Petrobras (PETR3, R$ 15,80, -1,56%; PETR4, R$ 16,91, -1,97%) e a Vale (VALE3, R$ 34,45, -1,88%; VALE5, R$ 31,88, -1,45%), cujas quedas ajudaram a puxar o índice para baixo, uma vez que, juntas elas respondem por cerca de 20% do índice.

Além do movimento de ajuste, as ações da mineradora também sofreram em meio à preocupação com a China. Nesta sexta-feira, os mercados chineses tiveram queda por preocupações com um novo aperto de crédito. A taxa de referência do mercado monetário da China saltou para máxima em seis meses apesar das tentativas do banco central chinês de acalmar a agitação, mostrando sinais de uma correria por crédito remanescente ao aperto maciço que ocorreu em junho. Vale ressaltar ainda o noticiário da petrolífera: a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou o rating da Petrobras Argentina de B- para CCC+, com perspectiva negativa.

Também na ponta de baixo, atenções para as ações da Eletropaulo (ELPL4, R$ 10,72, -11,77%), que, mesmo com a maior queda do dia, conseguiram encerrar a semana com a maior valorização acumulada dentro do índice, ao subirem 15,27% no período, graças às fortes altas dos últimos pregões. Além do "short squeeze", mencionado nos últimos dias, que ocorre quando há escassez de determinada ação no mercado para ser alugada, o que faz os investidores que estão posicionados vendidos no papel fechem suas posições, o movimento de elevados ganhos ocorreu também pela crença de que a empresa pode ter grandes chances de reverter a decisão da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), que definiu que a companhia terá que restituir em R$ 626 milhões os consumidores.

Já na ponta de cima, destaque para as ações da Oi (OIBR3, R$ 3,93, +1,03%; OIBR4, R$ 3,94, +5,07%), seguindas pelos papéis da Gol (GOLL4, R$ 10,07, +3,81%), que subiram após o SNA (Sindicato Nacional dos Aeronautas) cancelar uma greve nos aeroportos do País, marcada para hoje. Ainda nos ganhos do dia e na segunda posição das altas semanais, aparecem as ações da JBS (JBSS3, R$ 8,73, +3,56%). Colaborou para o movimento positivo dos papéis da companhia a notícia de que nesta semana os governos do Brasil e dos Estados Unidos firmaram um acordo para melhorar e incentivar o comércio agrícola, em especial de carne bovina. Além disso, a valorização do dólar nos últimos dias beneficia diretamente a exportadora, tendo em vista que as vendas no exterior são lastreadas na moeda americana.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ELPL4 ELETROPAULO PN N2 10,72 -11,77 -36,17 102,02M
 LLXL3 LLX LOG ON 1,07 -8,55 -46,87 12,14M
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 15,58 -4,71 -8,35 7,70M
 MMXM3 MMX MINER ON 0,68 -4,23 -84,72 6,62M
 BRAP4 BRADESPAR PN 24,21 -3,43 -26,26 22,85M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 OIBR4 OI PN 3,94 +5,07 -44,53 100,38M
 GOLL4 GOL PN N2 10,07 +3,81 -21,94 23,42M
 JBSS3 JBS ON 8,73 +3,56 +46,97 43,43M
 CRUZ3 SOUZA CRUZ ON 23,50 +3,52 -20,96 43,30M
 EMBR3 EMBRAER ON EJ 18,81 +3,35 +31,98 35,91M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 16,91 -1,97 450,10M 549,72M 24.702 
 VALE5 VALE PNA 31,88 -1,45 446,60M 442,04M 18.630 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 31,55 -1,71 393,22M 303,04M 18.964 
 BBAS3 BRASIL ON EJ 24,50 +0,41 341,38M 204,23M 13.991 
 BBDC3 BRADESCO ON 31,46 -0,66 228,12M 44,84M 6.731 
 BBDC4 BRADESCO PN 28,88 -1,57 169,10M 233,58M 11.974 
 VALE3 VALE ON 34,45 -1,88 167,52M 123,61M 7.557 
 PETR3 PETROBRAS ON 15,80 -1,56 167,45M 187,35M 23.369 
 TIMP3 TIM PART S/A ON 12,29 +3,28 160,08M 56,81M 20.903 
 ITSA4 ITAUSA PN 9,00 -0,99 135,78M 123,67M 15.236 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão) 

Bolsas asiáticas
A maior parte das bolsas asiáticas tiveram dia de ganhos à medida que os investidores reavaliaram a perspectiva de política monetária do Federal Reserve, mas com exceções bastante importantes, como é o caso do chinês Shangai Composto, que caiu 2,02% e teve o nono pregão seguido de baixa.

Já o Nikkei, do Japão, teve leve alta de 0,07%, anulou as perdas anteriores e marcou seu maior nível de fechamento em seis anos pelo segundo dia consecutivo. O banco central do país, como era amplamente esperado, manteve sua política monetária após reunião de dois dias.

Os mercados chineses despencaram novamente por preocupações com um novo aperto de crédito. A taxa de referência do mercado monetário da China saltou para máxima em seis meses apesar das tentativas do banco central chinês de acalmar a agitação, mostrando sinais de uma correria por crédito remanescente ao aperto maciço que ocorreu em junho.

Rebaixamento de rating é destaque na Europa
No noticiário europeu, ganhou destaque o rebaixamento do rating de longo prazo da União Europeia pela S&P que, assim , perdeu o triplo A, passando de AAA- para AA+. A perspectiva do rating é estável, após se manter negativa desde 20 de janeiro de 2012.

Este movimento ocorre um dia após autoridades da região comemoram avanços para a construção de uma união bancária. A medida, mesmo sem muitos efeitos práticos, por não afetar a nota dos membros da União Europeia, reforçam a percepção sobre a fragmentação do bloco.

Neste mesmo sentido, o Reino Unido apresentou dados de confiança do consumidor decepcionantes em dezembro, caindo novamente em meio às preocupações com a inflação. Por outro lado, as empresas francesas e os consumidores alemães apresentaram maior otimismo.

Porém, no Reino Unido, destaque para a revisão para cima do PIB (Produto Interno Bruto) para 1,9% no terceiro trimestre na comparação anual, ante estimativa de 1,5%, com um crescimento de 0,8% frente ao segundo trimestre deste ano.

 

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