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Com tensão pré-Fomc, Ibovespa fecha em queda de 0,4%; Petrobras recua mais de 3%

Índice acompanha movimento de pessimismo e expectativa dos mercados internacionais com reunião do Fed; Eletropaulo sobe 4,45%, seguida de imobiliárias

painel com cotações
(Divulgação)

SÃO PAULO - Depois de subir 0,46% na véspera, o Ibovespa voltou a cair nesta terça-feira (17), ao registrar perdas de 0,38%, encerrando o pregão a 50.090 pontos. O desempenho negativo do benchmark da bolsa brasileira acompanhou o dia ruim visto nas demais bolsas internacionais, com os investidores à espera do início da reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), que definirá os novos rumos da política econômica do país. O volume financeiro negociado na Bovespa nesta sessão foi de R$ 5,28 bilhões.

Nos EUA, a semana pode marcar uma importante mudança nas atuais políticas monetárias de afrouxamento adotadas pelo Federal Reserve para que o país se recuperasse de uma de suas maiores crises econômicas da história. A autoridade monetária americana injeta mensalmente até US$ 85 bilhões na economia do país via compra de títulos públicos em um programa chamado QE3 (Quantitative Easing 3), mas pode começar a cortá-lo assim que indicadores econômicos apontarem para um reaquecimento econômico. Os principais dados usados pelo Fed como parâmetro são a redução na taxa de desemprego e a elevação na inflação.

Sobre esse último indicador, nesta terça-feira, o país mostrou estabilidade com CPI de novembro, acentuando a percepção de que os estímulos devem ser mantidos, uma vez que a inflação ainda não atingiu o nível almejado pelo Fed. Pesquisas de mercado apontam que não haverá o anúncio da retirada de estímulos monetários, contudo, os investidores mantiveram a cautela.

Com isso, os principais índices acionários europeus fecharam em queda, com o FTSEurofirst 300 recuando 0,80% e o alemão DAX 30 caindo 0,86%. Na mesma linha, Wall Street também caminha para um fechamento no vermelho, com os índices Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 em quedas entre 0,1% e 0,3%. Mesmo com o pessimismo do mercado, o dólar também recuou, fechando cotado a R$ 2,3225 na venda, em uma queda de 0,30%.

Destaques do pregão
Do lado da bolsa brasileira, chamou atenção o desempenho das ações da Petrobras (PETR3, R$ 15,57, -3,29%; PETR4, R$ 16,80, -3,11%), companhia com maior participação na carteira teórica do índice, que liderou as perdas do dia. A estatal recuou um dia após ter realizado reunião com o mercado. Segundo o Credit Suisse, que estava no evento, o management da empresa está bem engajado em melhorar a estatal e sua condição financeira, porém, os desafios são grandes e conseguir esse feito nos próximos dois anos não será tarefa fácil. A segunda empresa com maior participação no Ibovespa, a Vale (VALE3, R$ 34,27, -0,35%; VALE5, R$ 31,74, -0,16%), também recuou nesta sessão e contribuiu para o dia de queda do índice.

No cenário corporativo nacional, também chamou atenção nesta sessão o penúltimo leilão de transportes do ano, do trecho BR-163, em Mato Grosso do Sul, que foi disputado por seis grupos e vencido pela CCR (CCRO3, R$ 17,14, +1,18%), que FOI um dos destaques de alta do Ibovespa. Também participaram do leilão a Odebrecht, Triunfo (TPIS3), Invepar, Ecorodovias (ECOR3) e Queiroz Galvão.

Também vale destacar o desempenho das ações da Eletropaulo (ELPL4, R$ 9,62, +4,45%), que lideraram os ganhos do dia, recuperando-se da queda de 6,95% vista no intraday. No noticiário da companhia, chamou atenção a retomada da discussão sobre a base de remuneração da distribuidora pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), que provocou uma forte reação negativa dos papéis mais cedo. Entretanto, após a Aneel reconhecer novos valores para a base de remuneração líquida da empresa, que passou de R$ 4,4 bilhões para R$ 4,676 bilhões, enquanto a base bruta passou de R$ 10,867 bilhões para R$ 11,140 bilhões, os papéis viraram e fecharam liderando as altas do dia.

Outro destaque do dia foram as imobiliárias MRV Engenharia (MRVE3, R$ 8,75, +2,85%) e PDG Realty (PDGR3, R$ 1,85, +2,21%), que viram suas ações figurarem entre os destaques de alta. Na contramão do desempenho positivo de seus pares, a Gafisa (GFSA3) viu suas ações recuarem 2,78% neste pregão e fecharem precificados em R$ 3,50.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 PETR3 PETROBRAS ON 15,57 -3,29 -19,22 129,66M
 PETR4 PETROBRAS PN 16,80 -3,11 -10,60 485,23M
 GFSA3 GAFISA ON 3,50 -2,78 -25,69 30,19M
 BRML3 BR MALLS PAR ON 17,50 -2,78 -33,91 41,85M
 HGTX3 CIA HERING ON 30,40 -2,60 -25,33 24,95M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ELPL4 ELETROPAULO PN N2 9,62 +4,45 -42,72 63,71M
 MRVE3 MRV ON 8,75 +2,82 -24,11 24,45M
 VAGR3 V-AGRO ON 3,34 +2,45 -9,49 4,71M
 PDGR3 PDG REALT ON 1,85 +2,21 -44,11 42,56M
 CIEL3 CIELO ON 65,65 +2,18 +44,08 83,19M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 16,80 -3,11 485,23M 593,87M 22.751 
 VALE5 VALE PNA 31,74 -0,16 326,14M 456,50M 15.529 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 31,21 +0,13 271,79M 308,63M 12.692 
 BBDC4 BRADESCO PN 28,68 -0,14 228,01M 233,85M 15.115 
 PETR3 PETROBRAS ON 15,57 -3,29 129,66M 201,48M 16.110 
 CCRO3 CCR SA ON 17,14 +1,18 123,97M 83,26M 10.431 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,50 -0,06 110,13M 150,47M 20.186 
 BBAS3 BRASIL ON EJ 24,06 +0,08 108,13M 206,24M 12.256 
 VALE3 VALE ON 34,27 -0,35 103,44M 123,55M 9.741 
 ITSA4 ITAUSA PN 8,86 0,00 98,35M 122,82M 12.051 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão) 

Indicadores de inflação na Europa
Na agenda econômica europeia, os investidores também contam com diversos indicadores de inflação. Em destaque, está o CPI de novembro do Reino Unido, que foi o mais baixo desde novembro de 2009, registrando uma alta de 0,1% na comparação com o mês anterior e de 2,1% frente ao mesmo período do ano passado. Além disso, o dia contou com os dados de preços na zona do euro, que subiu 0,9% na comparação anual e teve queda de 0,1% frente ao mês de outubro.

Enquanto isso, o índice alemão Zew de confiança do consumidor subiu para 62 em dezembro, acima das expectativas, de 55, mas não sendo suficiente para impulsionar a bolsa de Frankfurt, que seguiu em queda.

Vale ressaltar assim os dados do setor automobilístico, com os dados da Associação Europeia de Montadoras de Veículos revelando um aumento da produção de carros pelo terceiro mês seguido em novembro. A entidade divulgou o emplacamento de 938 mil carros no mês na União Europeia, 1,2% acima do mesmo período de 2012.

No front político, destaque para a reeleição formal da chanceler alemã Angela Merkel na Câmara Baixa do Parlamento, com 462 votos a favor ante 150 contrários e 9 abstenções. Ela deve ser empossada ainda nesta data. 

Preocupação na China
Já na China, o dia foi de maior preocupação. Enquanto o setor imobiliário sofreu com vendas mais fracas em 2014, o alerta da Comissão Reguladora Bancária da China para que os bancos aumentem a supervisão dos empréstimos de dívida aos governos locais abalaram as ações do setor.

 

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