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Em dia de extrema volatilidade, Ibovespa fecha em sua 3ª queda seguida

Índice acompanha movimento de queda das bolsas internacionais e repercute possibilidade de retirada do QE3 nos EUA; Oi sobe 10% com venda de torres, enquanto siderúrgicas também avançam

Ibovespa
(Divulgação)

SÃO PAULO - O Ibovespa conheceu seu quarto dia negativo em 5 pregões, nesta quarta-feira (4), ao fechar com leve queda de 0,26%, a 50.215 pontos, se aproximando de seu menor patamar desde 30 de agosto, quando fechou na pontuação de 50.011 pontos. O índice brasileiro, que acompanhou o movimento de queda visto nas principais bolsas internacionais, amenizou suas perdas a poucos instantes do fechamento da bolsa, dando menos espaço aos novos indicadores positivos da economia norte-americana, o que reforçaria a possibilidade do começo da retirada da política de estímulos do Federal Reserve em breve. O volume negociado na Bovespa foi de R$ 6,28 bilhões.

Em sessão bastante movimentada, marcada por forte volatilidade até a metade da tarde, quando reforçou o movimento de queda, o benchmark da bolsa brasileira viu o pessimismo tomar conta do humor dos investidores com a iminência dos cortes no QE3 (Quantitative Easing 3) americano e virou após chegar a subir 0,79% durante a manhã. Na maior economia do mundo, foi divulgado que o setor privado abriu 215 mil postos de trabalho em novembro, superando as expectativas dos economistas, que girava em torno dos 170 mil empregos. A redução dos níveis de desemprego, juntamente com a elevação da inflação, são os principais indicadores usados pelo Fed para o “tappering” – corte gradual na política de estímulos, que hoje consiste na injeção mensal de até US$ 85 bilhões via compra de títulos públicos.

Ainda nos EUA, as vendas de moradias novas saltaram 25,4% em outubro, após caírem 6,6% no mês anterior. Os dados positivos ofuscaram o resultado abaixo das expectativas do mercado para o ISM de serviços, que caiu para 53,9, ante 55,4 em outubro. Com isso, os três principais índices acionários americanos caminham para fechamento negativo, com quedas entre 0,60% e 0,75%. O cenário de possíveis mudanças em breve na política monetária do país também impactou na cotação do dólar, que voltou a subir nesta sessão, fechando com alta de 0,42%, a R$ 2,3890.

Destaques do pregão
Entre as maiores altas, destaque para a Oi (OIBR3, R$ 3,92, +10,73%; OIBR4, R$ 3,74, +10,98%), que viu suas ações subirem forte após anunciar a venda de 2.007 torres voltadas a serviços de telefonia celular para a unidade brasileira da SBA Communications por R$ 1,525 bilhão. A transferência das torres para a SBA Torres Brasil deve ser concluída até o final de março de 2014. Em destaque também, apareceram os papéis da LLX Logística (LLXL3), que nos últimos instantes do pregão, registraram alta de 12,50%, fechando cotados a R$ 0,90.

Ainda na ponta de cima, um setor que também chamou atenção foi o siderúrgico, com destaque para os papéis da CSN (CSNA3, R$ 12,04, +2,29%) e Usiminas (USIM3, R$ 11,16, +1,00%; USIM5, R$ 12,48, +1,46%). Já a mineradora Vale (VALE3, R$ 35,22, 0,40%; VALE5, R$ 32,39, +0,56%), segunda companhia com maior participação acionária no índice amenizou seus ganhos após chegar a subir mais de 1%.

As ações da Petrobras, por sua vez, tivera mais um dia de queda. Durante o dia, os papéis da companhia chegaram estender os ganhos ao subir mais de 1%, indicando movimento de continuação do repique positivo da sessão anterior, após terem tido na segunda-feira sua pior sessão desde a crise de 2008 ao despencarem 10%, reflexo da falta de informações ao mercado sobre como será o processo de reajuste nos preços dos combustíveis, mas diminuíram os ganhos e viraram para queda após o ADP. Nesta sessão, repercutem não só os dados de produção da petrolífera em outubro, que mostraram estabilidade em relação a setembro, como também o comunicado da empresa trazendo algumas informações sobre a nova política de reajuste e rebatendo os rumores de uma possível saída da atual presidente da empresa, Maria das Graças Foster.

Anhanguera cai forte com decisão do Cade
No lado negativo, ganharam destaque as ações da Anhanguera Educacional (AEDU3, R$ 14,51,-3,52%). Repercute negativamente a decisão da Superintendência Geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) sobre a fusão com a Kroton (KROT3, R$ 38,40; +0,26%) - empresa que viu seus papéis chegarem a cair 5% no começo do pregão e se recuperarem ao longo da sessão -, que identificou preocupações concorrenciais em relação à oferta de determinados cursos de graduação presencial e à distante. Com isso, foi impugnado ao Tribunal do Cade o processo para que avalie "eventuais remédios, impostos ou via acordo entre as partes, que solucionem os problemas concorrenciais identificados", como condição para a aprovação da associação entre as companhias.

Em comunicado, a Anhanguera informou que as companhias buscarão uma solução negociada junto ao Tribunal do Cade tão logo seja possível, com o objetivo de afastar as preocupações identificadas e obter aprovação do acordo de associação dentro do prazo.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 JBSS3 JBS ON 7,70 -5,41 +29,63 46,35M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,60 -3,26 -1,45 401,95M
 AEDU3 ANHANGUERA ON 14,55 -3,26 +26,30 200,23M
 EMBR3 EMBRAER ON 17,37 -2,74 +21,28 27,96M
 CESP6 CESP PNB 22,11 -2,51 +21,93 29,13M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 LLXL3 LLX LOG ON 0,90 +12,50 -55,32 10,35M
 OIBR4 OI PN 3,74 +10,98 -47,34 95,62M
 OIBR3 OI ON 3,92 +10,73 -50,63 8,54M
 TIMP3 TIM PART S/A ON 11,36 +2,99 +43,84 52,52M
 HGTX3 CIA HERING ON 30,93 +2,89 -24,02 58,05M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 17,40 -0,63 475,52M 630,53M 31.052 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,60 -3,26 401,95M 125,96M 17.046 
 VALE5 VALE PNA 32,39 +0,56 336,86M 602,92M 17.502 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 31,20 -0,95 316,44M 324,20M 16.396 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 29,16 -1,52 244,60M 255,44M 14.571 
 GGBR4 GERDAU PN 17,81 -0,28 224,40M 105,87M 10.905 
 AEDU3 ANHANGUERA ON 14,55 -3,26 200,23M 75,51M 9.868 
 PETR3 PETROBRAS ON 16,42 -0,91 176,47M 211,77M 16.042 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 11,17 +0,54 163,68M 119,56M 17.126 
 BBAS3 BRASIL ON 23,91 -1,97 137,76M 240,83M 11.451 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Indústria brasileira avança
O dia contou com repletos indicadores na pauta econômica. A começar pelo Brasil, onde a produção industrial marcou um crescimento de 0,6% na comparação entre setembro e outubro, resultado que ficou no teto das projeções compiladas pela Agência Estado - a mediana das expectativas indicava estabilidade na produção da indústria. Na comparação com o mesmo mês de 2012, a expansão foi de 0,9%, revela o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Ainda por aqui, o PMI de serviços do HSBC mostrou evolução de 52,1 para 52,3 entre outubro e novembro. O indicador tem um limiar de 50, onde acima disso marca expansão na atividade e abaixo desse número, mostra retração.

China e Europa
Na China, o índice Xangai Composto registrou ganhos de 1,3%, enquanto o Shenzen Composto teve alta de 1%. Por lá, o Banco do Povo da China afirmou que lançará reformas na área econômica de Xangai. Soma-se a isso os dados do setor de serviços revelados pelo PMI (Índice de Gerentes de Compras) do HSBC, que atingiram 52,5 em novembro, pouco alterado em relação aos 52,6 de outubro

A Europa também contou com diversos dados de atividade. O PMI geral da zona do euro caiu de 51,9 em outubro para 51,7 em novembro. Já o índice composto da França e Itália voltaram a recuar para baixo de 50 enquanto, na Alemanha e Espanha, o índice voltou a subir. Ainda nesta quarta-feira, saiu a 2ª prévia do PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro referente ao terceiro trimestre, que repetiu o resultado da primeira leitura ao mostrar crescimento de apenas 0,1% na comparação com o mesmo período do ano passado.

 

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