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Ibovespa cai mais de 1% na volta de feriado, puxado por Petrobras e Fed

Ação da estatal chega a cair mais de 3% com adiamento da reunião do conselho para discutir reajuste; PMIs ruins na China e Europa colaboram para o clima negativo

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(Getty Images)

SÃO PAULO - Digerindo a repercussão negativa da ata do Fomc (Federal Open Market Committee) divulgada na tarde de quarta-feira (20) - quando a BM&FBovespa estava fechada por conta do Dia da Consciência Negra - e também a forte queda de ontem dos ADRs (American Depositary Receipts) da Petrobras, o Ibovespa abre com queda de mais de 1% nesta quinta-feira (21), sinalizando mais um dia negativo para o mercado brasileiro. 

Segundo cotação das 10h22 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira recuava 1,30%, a 52.343 pontos, após já ter recuado 2,35% na terça-feira antes do feriado paulista. A Petrobras, empresa com maior participação individual no índice (cerca de 12%), chegou a ver suas ações ordinárias (PETR3, R$ 19,50, -2,69%) e preferenciais (PETR4, R$ 20,58, -2,51%) caírem mais de 3% nos minutos iniciais do pregão, repercutindo o adiamento para o dia 29 a reunião do conselho da estatal para discutir o reajuste de combustível. O movimento negativo já era esperado, já que na véspera o "recibo de ação" da empresa negociado em Nova York fechou ontem com queda de 4,1%.

Segunda empresa com maior participação no índice, a Vale (VALE3, R$ 35,15, -1,26%; VALE5, R$ 32,39, -1,13%) vê seus papéis caírem mais de 1% na Bovespa, repercutindo não só a queda de ontem de seus ADRs como também os dados pessimistas da economia chinesa - principal destino das exportações da mineradora brasileira.

Gol lidera perdas; BR Properties e TIM se salvam
Ainda na ponta negativa, destaque para as ações da Gol (GOLL4, R$ 9,32, -6,43%) e Sabesp (SBSP3, R$ 24,61, -3,49%), empresas com exposição negativa ao dólar - a companhia aérea tem seu custo operacional baseado no petróleo, que é lastreado na moeda americana; já a empresa tem saneamento tem boa parte da dívida em dólar. As 
imobiliárias Rossi Residencial (RSID3, R$ 2,22, -4,72%), MRV (MRVE3, R$ 9,20, -3,06%) e Gafisa (GFSA3, R$ 2,97, -2,94%) também caem forte.

Diante da expectativa de início da retirada dos estímulos nos Estados Unidos, o dólar comercial mostra alta de mais de 1% nesta sessão, enquanto os contratos futuros de DI também disparam nesta manhã.

Na ponta positiva, apenas 2 das 72 ações do Ibovespa ações sobem mais de 1% neste momento: TIM Participações (TIMP3, R$ 11,18, +2,95%) e BR Properties (BRPR3, R$ 18,65, +3,78%). A primeira reage positivamente à notícia divulgada ontem de que o CEO da Telecom Italia - controladora da TIM - planeja vender torres da brasileira ainda em 2014. Já a segunda sobe forte depois de fechar a venda de 100% dos ativos imobiliários de galpões industriais e de logística para a WTGoodman, pelo valor de R$ 3,18 bilhões. 

Efeito Fomc
O documento divulgado às 17h de ontem mostrou que os integrantes do Fed esperam reduzir o programa de compra de títulos nos próximos meses, sobretudo após os indicadores melhores que o esperado apresentados pela economia norte-americana. Atualmente, o QE3 (Quantitative Easing 3) injeta US$ 85 bilhões mensais nos EUA por meio da compra de títulos públicos. Com isso, o Brazil Titans 20, índice que acompanha os ADRs brasileiros na Nyse, recuou 1,0% na sessão anterior.

PMIs não ajudam; Japão é exceção
Além da expectativa pelos próximos passos da autoridade monetária norte-americana, também contribui para a cautela dos mercados os dados de PMI (Índice de Gerente de Compras) na China e na Europa, que mostraram enfraquecimento da atividade nas regiões.

Na China, o dado de atividade no setor industrial mostrou crescimento em ritmo mais moderado em novembro por causa da contração das novas encomendas para exportação, mostrou a pesquisa PMI (Índice de Gerentes de Compras) preliminar do instituto Markit em conjunto com o HSBC, levantando preocupações de que a economia da China pode perder vigor no quarto trimestre.

Na Europa, os dados de serviços, que mostraram que a frágil recuperação da zona do euro enfraqueceu inesperadamente em novembro apesar do crescimento na Alemanha, com o PMI preliminar de serviços do bloco caindo de 51,6 para 50,9 entre outubro e novembro, a leitura mais fraca em três meses. Por outro lado, o PMI da indústria subiu de 51,3 para 51,5, impulsionada pelo aumento mais rápido das novas encomendas de exportação desde maio de 2011, sendo este o melhor resultado nos cinco meses desde que as fábricas interromperam uma série de quase dois anos de declínio da atividade.

Apesar dos ventos desfavoráveis no mercado, o índice de ações japonês Nikkei foi na contramão e subiu 1,92%, em meio ao enfraquecimento do iene para um patamar mínimo em quatro meses frente ao dólar, e por causa de planos de importante fundo governamental de investir mais de seus fundos de US$ 2 trilhões em ativos de maior risco. Por lá, o banco central do país manteve a política monetária e sua visão de que a economia está se recuperando moderadamente.

Desemprego cai para 5,2%
No Brasil, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou que a taxa de desemprego ficou em 5,2% no mês de outubro, abaixo do que foi visto em setembro (5,4%) e no mesmo mês do ano passado (5,3%). Já a prévia de novembro do índice de confiança na indústria de transformação brasileira sinalizou alta de 0,7% em relação ao resultado final de outubro.

Ainda nesta sessão, o mercado ficará atento aos dados da economia norte-americana, com destaque para o PPI e Core PPI de outubro, além do Initial Claims até o último sábado (16) e o Philadelphia Fed Index, também do mês passado.

 

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