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Ibovespa chega a cair 1% após dados de emprego melhores que o esperado nos EUA

Resultado positivo do relatório de emprego aumenta as chances do Fed iniciar a retirada de estímulos à economia norte-americana

Ibovespa
(Divulgação)

SÃO PAULO - Após operar bem próximo da estabilidade nos primeiros 90 minutos de pregão, o Ibovespa firmou um movimento de queda a partir das 11h30 (horário de Brasília), após a divulgação do Relatório de Emprego dos EUA. O documento trouxe números bem melhores que o esperado, aumentando ainda mais as chances do Federal Reserve iniciar a retirada dos estímulos à economia do país, reduzindo a liquidez no mercado. Na cotação das 12h, o benchmark da bolsa brasileira registrava queda de 0,41%, estando em 52.523 pontos, após chegar a cair 1,05% minutos antes.

Apesar da paralisação do governo até meados de outubro, a economia norte-americana criou 204 mil postos de trabalho no mês, o dobro da previsão dos analistas de Wall Street. Além disso, a contratação em setembro foi revisada para cima, com a contratação de 163 mil trabalhadores, ante dado anterior de 148 mil, assim como a de agosto, que aumentou de 193 mil para 238 mil empregos. Enquanto isso, a taxa de desemprego nos EUA teve ligeira alta em outubro, para 7,3%, ante 7,2% em setembro. Contudo, os economistas esperavam um avanço ainda maior, de 7,4%.

Os bons dados de emprego de hoje, somados ao crescimento acima do esperado visto no PIB (Produto Interno Bruto) do 3º trimestre divulgado ontem, podem ser vistos como sinalizações de que os EUA estão prontos para "andarem com as próprias pernas", ou seja, que o Federal Reserve pode dar início à retirada gradual do QE3 (Quantitative Easing), o programa de compras mensais de até US$ 85 bilhões em títulos públicos com o intuito de injetar liquidez na economia. Até o momento, a expectativa da maioria dos analistas é de que o "tapering" tenha início em março do ano que vem.

Tim despenca; apenas 5 ações sobem mais de 1%
A divulgação do relatório de emprego tirou o ímpeto dos investidores no último pregão da semana. Das 72 ações que fazem parte do Ibovespa, apenas 5 delas operam com alta de mais de 1% neste momento (confira na tabela abaixo).

No lado negativo, segue como principal queda a TIM Participações (TIMP3, R$ 10,28, -7,05%). A companhia acompanha o movimento da sua controladora Telecom Italia na bolsa de Milão, cujos papéis desabam após a empresa revelar um plano para levantar 4 bilhões de euros via emissão de bônus. O presidente da empresa, Marco Patuano, disse ainda que pretende investir para crescer no Brasil, dizendo que a TIM é um ativo essencial para o grupo. No entanto, ele acrescentou que a unidade pode ser vendida a um "preço convincente".

Diferente dos últimos dias, a temporada de resultados trimestrais não trouxe um grande impacto nas ações que fazem parte do Ibovespa. Se na véspera os investidores viram os as ações da Vale caírem forte, nesta sexta eles observam a BM&FBovespa (BVMF3, R$ 11,77, -0,51%) mostrar fraca oscilação após a companhia apresentar lucro líquido de R$ 281,6 milhões no último trimestre, um aumento de 1,8% frente o mesmo período no ano anterior. Enquanto isso, a receita líquida teve avanço de 2,6% neste trimestre, atingindo R$ 535,4 milhões. 

Outra empresa cujas ações fazem parte do Ibovespa, a Cetip (CTIP3) viu seu lucro líquido aumentar em 27,6% entre julho e setembro deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado, ao registrar R$ 128,5 milhões, com a margem líquida (lucro líquido sobre receita líquida) crescendo em 5,8 pontos percentuais, marcando 55,9%. Seus papéis, no entanto, operam bem próximo da estabilidade - leve alta de 0,08%, a R$ 24,56.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 TIMP3 TIM PART S/A ON 10,28 -7,05 +30,16 42,89M
 SBSP3 SABESP ON 23,23 -3,09 -17,78 11,00M
 MRFG3 MARFRIG ON 4,34 -2,69 -48,82 5,34M
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 12,72 -2,08 -25,18 5,46M
 LIGT3 LIGHT S/A ON 19,76 -2,03 -11,47 8,13M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 EMBR3 EMBRAER ON 17,59 +1,74 +22,82 9,49M
 USIM5 USIMINAS PNA 12,41 +1,72 -3,05 32,19M
 GOAU4 GERDAU MET PN 23,01 +1,37 +1,27 7,86M
 PDGR3 PDG REALT ON 1,79 +1,13 -45,92 22,09M
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 11,92 +1,10 -4,56 8,35M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

No aguardo da China
Passado o relatório de emprego, agora a expectativa do mercado fica com a China, que contará com a reunião do Partido Comunista Chinês neste fim de semana, que pode definir os pilares do modelo de crescimento do país nos próximos anos. 

Ainda por lá, as exportações aumentaram mais que o esperado em outubro, mas isso quase não aliviou o clima de cautela dos investidores, com o índice acionário chinês CSI300 caindo para mínimas em dois meses. O mercado espera ainda pelos dados de inflação do gigante asiático referentes a outubro, a serem divulgados nesta noite.

França tem corte de rating
No Velho Continente, o movimento não diverge das bolsas asiáticas, e os índices acionários registram queda. Além dos temores de que o Fed reduza seus estímulos, os investidores mostram maior aversão ao risco em meio ao rebaixamento de rating da França pela agência de classificação de risco Standard & Poor's de AA+ para AA, aumentando os temores sobre a situação fiscal do país um dia após o BCE (Banco Central Europeu) surpreender ao cortar juros.

O argumento da S&P para o rebaixamento de rating é que as reformas executadas pelo governo francês não levarão a um maior crescimento da economia do país no médio prazo. O índice acionário francês CAC40 registrava baixas de 1,0%, com as ações dos grandes bancos como Credit Agricole, BNP Paribas e Societe Generale registrando perdas.

 

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