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Mesmo com pior pregão desde julho, Ibovespa tem maior alta mensal de 2013

Índice brasileiro caiu 2,61% no seu 5º dia seguido de queda, mas mesmo assim terminou setembro com valorização de 4,65%

Investidor
(Getty Images)

SÃO PAULO - Em mais um dia negativo no mercado, o Ibovespa atingiu recordes positivos e negativos neste fechamento do 3º trimestre. Nesta segunda-feira (30), o principal índice da bolsa brasileira registrou queda de 2,61%, a maior desde 2 de julho (quando caiu 4,24%), sendo a 5º dia consecutivo no vermelho - algo que não acontecia desde março deste ano, fechando a 52.338 pontos, seu menor patamar desde 4 de setembro. O giro financeiro na Bovespa nesta sessão foi de R$ 7,117 bilhões.

Apesar de todo esse cenário negativo no curto prazo, o benchmark da BM&FBovespa registrou em setembro sua maior alta mensal do ano ao subir 4,65%, além de também completar seu 3º mês seguido de ganhos - algo visto pela última vez apenas entre julho e setembro do ano passado. Dessa forma, o Ibovespa fechou o trimestre com valorização de 10,29%, a maior desde o 1º quarto de 2012, quando avançou 13,7% entre janeiro e março.

Os Estados Unidos foram o grande “driver” do mercado neste mês, após o Federal Reserve anunciar que manteria a política de estímulos à economia via compra de até US$ 85 bilhões em títulos – muitos analistas esperavam que Ben Bernanke diminuísse o vigor das compras de títulos ainda neste mês -, resultando em forte ânimo para as bolsas do mundo todo. No entanto, o próprio país foi motivo de preocupação nos últimos dias do mês, à medida que as discussões acerca da elevação do teto da dívida pública do país não davam sinais de um desfecho rápido e amigável. Segundo o secretário do Tesouro, Jacob Lew, os EUA devem alcançar o limite do endividamento permitido pela legislação no meio de outubro.

Desempenho e Recordes do Ibovespa
Período Variação Comentário
Dia -2,61% Maior queda desde 2 de julho (-4,24%); 5ª queda seguida, maior sequência negativa desde março de 2013
Setembro +4,65% Melhor mês desde dezembro de 2012 (+6,05%); 3º mês seguido de alta, maior sequência desde julho/agosto/setembro de 2012
Trimestre +10,29% Melhor trimestre desde 1º quarto de 2012 (+13,7%)
2013 -14,13% -

EUA seguem como a bola da vez
Nesta segunda-feira, o foco mais uma vez ficou com o impasse no governo norte-americano acerca do futuro do orçamento do país. Os democratas do Senado dos EUA derrubaram a proposta da Câmara, de maioria republicana, para adiar o Obamacare por um ano em troca de financiamento temporário do governo federal para além desta segunda-feira. Isto torna mais provável que ocorra uma paralisação de muitas agências federais a partir da próxima terça-feira (1). O plano de financiamento direto que valeria até 15 de novembro tem o objetivo de evitar a paralisação do governo e voltará agora para a Câmara. Após a votação, o líder da maioria democrata do Senado, Harry Reid, afirmou que os senadores não vão mudar o Obamacare e que, se o republicano John Boehner bloquear o projeto no Senado, "haverá uma paralisação do governo". 

Vale mencionar que a agência de classificação de risco S&P já afirmou que é improvável que o debate sobre a dívida dos EUA resulte em um corte de rating da principal economia do mundo.

Brasil, Itália e China no radar
No Brasil, o principal destaque ficou com o Relatório Trimestral de Inflação divulgado pelo Banco Central, trazendo uma projeção menor para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2013, de 2,7% para 2,5%. Ainda por aqui, o relatório Focus divulgado semanalmente pelo BC mostrou estabilidade na projeção do PIB (Produto Interno Bruto) para o final deste ano, em 2,40%, e diminuiu levemente para 2014, de 2,22% para 2,20% nesta semana. A expectativa para a Selic também foi mantida em 9,75% para os dois anos.

Na Europa, a instabilidade política gerada pelo partido de Silvio Berlusconi segue em pauta entre os investidores. No final de semana, cinco ministros renunciaram ao cargo, em oposição a um aumento nas taxas de venda no país. O ex-premiê ameaça derrubar o governo de Enrico Letta caso seja expulso da política após ser condenado por fraude fiscal. 

Por último mas não menos importante, a China trouxe mais um ingrediente de cautela aos investidores com dados nada animadores da indústria local. Por lá, o PMI industrial chinês desapontou ao marcar 50,2, ante projeção de 51,2. Apesar de abaixo do que a prévia indicava, o indicador permanece acima da marca de 50, que separa contração e expansão do setor. A notícia impacta diretamente as companhias produtoras de commodities metálicas, tendo em vista que a economia asiática é o principal destino das exportações destas matérias-primas.

OGX: destaque do dia, mês e trimestre
Entre as maiores quedas do Ibovespa, destacam-se empresas com fortes participações na composição do índice, como a OGX Petróleo (OGXP3, R$ 0,21, -25,00%), que perdeu um quarto do valor de mercado apenas nesta sessão em meio ao temor dos investidores de que a empresa dê um calote em um dos seus credores na próxima terça-feira. Com isso, a petrolífera de Eike Batista fechou o mês com queda de 30,0%; já no trimestre, o recuo foi de 73,5%. Em 3 pregões, a companhia perdeu mais de meio milhão de reais em valor de mercado.

Outras empresas do Grupo EBX também caíram forte nesta segunda. É o caso da MMX Mineração (MMXM3, R$ 1,55, -8,82%) e da LLX Logística (LLXL3, R$ 1,65, -7,30%).

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 0,21 -25,00 -95,21 73,93M
 MMXM3 MMX MINER ON 1,55 -8,82 -65,17 11,56M
 LLXL3 LLX LOG ON 1,65 -7,30 -31,25 4,84M
 FIBR3 FIBRIA ON 25,47 -4,64 +12,85 39,88M
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 14,17 -4,58 -16,65 7,51M

No lado positivo, apenas 12 das 73 ações do Ibovespa fecharam em alta nesta segunda-feira. Destaque para o setor elétrico, que teve 3 das 5 maiores altas do índice no dia.

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ELET6 ELETROBRAS PNB 10,47 +2,65 +18,42 27,62M
 MRFG3 MARFRIG ON 6,05 +1,68 -28,66 15,18M
 CESP6 CESP PNB 23,65 +1,42 +30,42 28,10M
 KLBN4 KLABIN S/A PN 11,66 +1,22 -6,83 39,36M
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 12,06 +0,92 -3,44 24,97M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 18,36 -0,76 600,63M 485,80M 34.327 
 VALE5 VALE PNA 31,54 -1,87 526,62M 637,30M 27.845 
 BBDC4 BRADESCO PN 30,38 -4,16 397,72M 213,72M 16.906 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 31,46 -2,36 373,24M 317,33M 22.326 
 PETR3 PETROBRAS ON 16,96 -2,19 301,29M 167,81M 24.135 
 BRFS3 BRF SA ON 54,00 -2,62 199,45M 114,39M 8.242 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 12,38 -1,35 182,63M 130,99M 30.738 
 AMBV4 AMBEV PN 85,46 -2,00 180,90M 163,43M 7.625 
 BBAS3 BRASIL ON 25,85 -2,19 171,30M 174,88M 17.188 
 GGBR4 GERDAU PN 16,60 -2,64 160,23M 127,82M 22.104 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

CSN agita o noticiário
No noticiário corporativo, destaque para a CSN (CSNA3), que foi citada junto com 7 empresas asiáticas para uma 
batalha judicial para a compra da Namisa, segundo coluna Radar da Revista Veja. Além disso, a companhia perdeu a 1ª disputa judicial com a Ternium, a respeito do pagamento de tag along sobre a compra de fatia da Usiminas pela empresa argentina. Os papéis da siderúrgica fecharam com queda de 2,07%, a R$ 9,46.

 

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