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Ibovespa firma queda puxado por empresas de telecom; dólar sobe mais de 1%

Nos EUA, dia é de instabilidade, com investidores divididos entre dados melhores do que o esperado e os temores sobre teto da dívida; Oi e Tim caem mais de 4%

painel com cotações
(Divulgação)

SÃO PAULO - Após um começo de pregão alternando entre perdas e ganhos, o Ibovespa firma queda nesta quarta-feira (25) pressionado pelas ações do setor de telecomunicações, enquanto o dólar comercial passa a subir mais de 1%. Em Wall Street, o mercado segue sem tendência definida, com os os temores sobre o teto da dívida dos EUA ofuscando os indicadores melhores do que o esperado nos setores imobiliário e industrial.

Às 11h55 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira recuava 0,67%, a 54.068 pontos, após chegar a cair 0,85% na sua mínima do dia. As empresas de telecomunicação figuram entre as maiores desvalorizações dentre os 73 ativos que fazem parte do Ibovespa: Tim Participações (TIMP3, R$ 10,62, -4,15%), Telefônica Brasil (VIVT4, R$ 50,37, -2,19%) e Oi (OIBR3, R$ 5,09, -5,74%; OIBR4, R$ 4,80, -6,80%) é a maior queda do índice.. No caso das duas primeiras, vale lembrar que na véspera a Tim viu seus papéis subirem 9,6% diante da notícia de que a espanhola Telefónica - controladora da Telefônica Brasil - anunciou um acordo para compra de ativos da Telecom Italia, empresa que opera a Tim. O acordo ainda necessita da aprovação de reguladores do mercado e há grande discussão sobre o assunto, uma vez que no Brasil não é permitido que uma única companhia possua duas empresas no mesmo setor.

Na ponta positiva, apenas 4 ações operam com alta de mais de 1% neste momento. É o caso da Fibria (FIBR3, R$ 26,27, +1,27%) e da Embraer (EMBR3, R$ 18,30, +1,89%), que se beneficiam com a escalada do dólar nesta quarta-feira - a moeda norte-americana sobe 1,32%, cotada a R$ 2,23 na venda -, o que beneficia as exportadoras. A fabricante de aeronaves também repercute a aquisição da totalidade das ações da Atech, empresa que atua na área de segurança, o que aumenta o portfólio da Embraer.

Indicadores nos EUA e no Brasil
Nos EUA, os pedidos feitos à indústria em agosto subiram 0,1%, enquanto o mercado esperava avanço de 0,5%, após queda de 8,1% no mês anterior. Apesar de não atingir o esperado, o aumento indica expansão do setor no 3º trimestre.

Já as vendas de novas casas no mesmo período subiram no ritmo mais rápido desde janeiro, com alta de 7,9%, para taxa anual de 421 mil, ante expectativa de 415 mil. Apesar do avanço, o alto preço das hipotecas no país deve diminuir o ritmo de crescimento do setor nos próximos meses, aponta analistas.

Por aqui, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) acelerou alta para 0,20% na 3ª quadrissemana de setembro, ante alta de 0,16% no período anterior. Segundo a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), os preços de habitação pressionaram o índice, com alta de 0,38%, ante recuo de 0,31% dos preços de alimentação.

Crise de dívida e Alemanha em foco
O teto da dívida dos EUA está em US$ 16,7 trilhões e a dívida cresce a cada mês, correndo o risco de o governo ficar sem dinheiro em 17 de outubro, segundo o Tesouro. O país corre o risco de ter serviços considerados não-essenciais do governo fechados para conter gastos, caso um aumento no teto da dívida não seja feito até o final de setembro. Nesta quarta-feira, o Congresso votará uma medida paliativa para alimentar o governo enquanto discute mais profundamente a questão.

Enquanto as discussões seguem nos EUA, a agência de classificação de risco Moody's alertou que caso o problema não seja resolvido, pode rebaixar o rating do país, o que causaria mais um momento de pânico nos mercados.

Os índices acionários europeus também sofrem com a questão norte-americana, apesar de a confiança do consumidor alemão subir para 7,1 em outubro, atingindo seu maior nível em seis anos, após registrar 7,0 em agosto. Ainda por lá, o partido conservador de Angela Merkel, re-eleito no último domingo (22), confirmou que buscará uma grande coalizão com seu rival, o Social Democratic Party.

 

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