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Ibovespa ganha forças com alta de siderúrgicas e menor queda em Petrobras

Índice tenta registrar seu nono pregão consecutivo em alta; alta do dólar e aumento de preços estimulam ações do setor de siderurgia

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(Getty Images)

SÃO PAULO - Após operar em queda na manhã desta segunda-feira (19) e chegar a cair 0,82%, o Ibovespa vira para alta e sobe 0,49%, a 51.792 pontos, às 12h42 (horário de Brasília). Na semana passada, o índice registrou sua maior sequência de ganhos desde janeiro de 2012, com 8 pregões no azul. Por aqui, o dia marca o vencimento de opções sobre ações e a apreensão acerca do dólar, que atingiu na última sexta-feira (16) seu maior patamar em quase quatro anos; nesta data, a moeda norte-americana também registra ganhos.

A alta do Ibovespa é impulsionada pela forte valorização das ações do setor siderúrgico, um dos mais beneficiados pela alta do dólar - o dólar comercial está operando na faixa de R$ 2,40 - algo não visto desde 2009. Aliado ao câmbio, segundo notícia da Reuters, a CSN (CSNA3, R$ 8,95, +7,19%) deve seguir suas concorrentes e aumentar os preços praticados com distribuidores no final deste mês. Já os novos preços da Usiminas (USIM3, R$ 10,95, +7,14%; USIM5, R$ 11,10, +7,56%) entram em vigor nesta segunda-feira.

Também colabora com a virada do índice as blue-chips Petrobras (PETR3, R$ 17,07, -0,70%; PETR4, R$ 17,86, +0,45%) e Vale (VALE3, R$ 36,51, -0,25%; VALE5, R$ 32,30, +0,40%), que amenizam as perdas mais fortes vistas no início da sessão - as duas empresas somam mais de 20% na composição do Ibovespa. Ainda na ponta positiva, as exportadoras de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 28,58, +5,85%) e Suzano (SUZB5, R$ 9,30, +5,56%) operam em alta impulsionadas pelo dólar mais caro. A LLX Logística (LLXL3, R$ 1,73, +8,13%) e a MMX Mineração (MMXM3, R$ 2,20, +4,76%), ambas do Grupo EBX, também sobem.

Por outro lado, a Oi (OIBR3, R$ 4,23, -3,64%; OIBR4, R$ 3,85, -4,23%) segue em tendência de queda após o anúncio de redução de dividendos no meio da semana passada e ao recente corte de rating anunciado na última sexta-feira pela Fitch, colocando a nota em perspectiva negativa. As ações do setor de consumo sofrem com a perspectiva de maior inflação. Entre as maiores quedas, Natura (NATU3, R$ 44,26, -2,73%) e Lojas Americanas (LAME4, R$ 15,40, -2,41%). Vale mencionar que o relatório Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira mostrou que o mercado projeta uma Selic maior para 2014, com a mediana das projeções indo de 9,25% para 9,50% ao ano.

Referências do dia
Ainda sobre o boletim Focus, a expectativa de crescimento do PIB foi mantida em 2,21% em 2013. A taxa de câmbio também mostrou aumento na comparação com a projeção anterior, indo de R$ 2,28 para R$ 2,30 ao final do ano.

Também divulgado nesta manhã, o IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado) desacelerou a alta vista no mês anterior para 0,11%, na segunda prévia de agosto, segundo informações da FGV (Fundação Getulio Vargas). No mesmo período de julho, o índice avançou 0,24%. Já o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) registrou alta de 0,17% na segunda quadrissemana de agosto, ante avanço de 0,01% na primeira medição do mês, segundo a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas)

QE3 continua em foco
Os mercados mundiais apresentam certa apreensão em relação a divulgação da ata do Fomc (Federal Open Market Committee) e o início da Conferência de Jackson Hole, ambos na quarta-feira (21). A ata pode mostrar aos investidores como os membros do comitê posicionaram-se sobre a manutenção do programa de estímulo monetário norte-americano, o Quantitative Easing 3.

Desde maio, quando o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, anunciou que poderia começar a retirada gradual do programa de estímulo - que envolve a compra de até US$ 85 bilhões por mês em títulos - caso o mercado de trabalho e a inflação mostrassem estar no caminho desejado, os mercados têm reagido a cada discurso de um membro do Banco Central norte-americano. As apreensões ganham forças antes da divulgação da ata da última reunião que, apesar de ter mantido o QE3, mostrará como cada membro do comitê posicionou-se. A expectativa é de que o Fed inicie a retirada em setembro; entretanto, apesar do mercado de trabalho ter mostrado melhora, a inflação ainda está muito abaixo da meta de 2%.

Nesta manhã, os contratos futuros norte-americanos operam estáveis, após um "sell-off" no final da última sessão, com uma disparada do yield dos títulos públicos do país - o título com vencimento em 10 anos fechou a sessão em seu maior nível de rendimento desde julho de 2011. Há uma certa apreensão com a economia local e também com o fim do programa de compra de títulos pelo Federal Reserve. Além disso, a expectativa pela elevação da taxa de juros básica do país em meio aos sinais de melhora para a atividade norte-americana atrai mais investidores para os papéis do Tesouro norte-americano, diminuindo a atratividade dos investimentos de renda variável.

Tensão política na Alemanha e Itália
No Velho Continente, as preocupações com as eleições alemãs vão ganhando destaque. Por lá, a chanceler Angela Merkel, que tentará uma reeleição, disse em uma entrevista à rede de televisão ZDF que a população pode não confiar na oposição uma vez que eles tem um histórico de quebrar promessas para tomar o poder.

Na Itália, a tensão política continua, com o primeiro-ministro, Enrico Letta, rebatendo as afirmações feitas por Silvio Berlusconi. Letta disse que um colapso de seu governo acabaria com a recuperação econômica do país, rebatendo o discurso de Berlusconi, que garantiu que derrubaria o governo de Letta em outubro, caso seja retirado do Senado.

 

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