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Ibovespa cai, com queda de Petro e imobiliárias anulando alta de exportadoras

Índice encontra dificuldades de estender sequência de altas, que atualmente está em 8 pregões; vencimento de opções sobre ações deve trazer volatilidade

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(Divulgação/BM&FBovespa)

SÃO PAULO - Após ter registrado alta nos últimos 8 pregões - sua maior sequência de ganhos desde janeiro de 2012 -, o Ibovespa opera em queda nesta segunda-feira (19), em semana-chave para o mercado, que contará com importantes referências nos EUA e indicadores econômicos na China e Europa. Às 10h49 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira mostrava baixa de 0,67%, a 51.193 pontos, puxado por Petrobras, Oi e imobiliárias.

Por aqui, o dia marca o vencimento de opções sobre ações da bolsa, o que costuma trazer volatilidade ao pregão. O câmbio também deve estar no radar dos investidores, já que o dólar comercial está operando na faixa de R$ 2,40 - algo não visto desde 2009. O dólar alto, embora esteja beneficiando exportadoras nos últimos dias, acaba impactando empresas voltadas ao consumo interno, tendo em vista a expectativa pior para a inflação com uma taxa de câmbio mais elevada. Nesta semana, a presidente Dilma Rousseff reunirá-se com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e com Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, para discutir a questão, segundo informações da Folha de S. Paulo.

Um dos beneficiados com esse rali do dólar, o setor siderúrgico aparece entre os maiores ganhos do dia. Além do câmbio mais alto - o que não só favorece as exportações como também encarece a importação do aço -, as notícias referentes a reajustes de preço seguem em foco, com a CSN seguindo suas concorrentes e também aumentando os preços aos distribuidores, segundo notícia da Reuters, que creditou fontes do mercado. Usiminas (USIM3,+4,79%, R$ 10,71; USIM5+4,75%, R$ 10,81) e CSN (CSNA3, R$ 8,55, +2,40%) aparecem entre os destaques de alta do Ibovespa. Outras exportadoras, as fabricantes de papel e celulose Suzano (SUZB5, R$ 9,02, +2,38%) e Fibria (FIBR3, R$ 27,86, +3,19%) sobem mais de 2%.

Petro, Oi e imobiliárias anulam ganhos
Do outro lado, as quedas de Petrobras (
PETR3, R$ 16,82, -2,15%; PETR4, R$ 17,59, -1,07%), Oi (OIBR3, R$ 4,25, -3,19%; OIBR4, R$ 3,86, -3,98%) e de ações do setor imobiliário acabam ofuscando o bom desempenho das exportadoras. A petrolífera cai mais de 1% no dia do vencimento de opções sobre ações, evento que costuma trazer volatilidade às blue chips da bolsa - vale mencionar que PETR4 subiu mais de 8% nos últimos 3 pregões. Já a operadora de telefonia segue em tendência de queda após o anúncio de redução de dividendos anunciado no meio da semana passada e ao recente corte de rating anunciado na última sexta-feira pela Fitch, colocando a nota em perspectiva negativa.

Já o setor imobiliário aparece com fortes quedas nesta segunda-feira, com destaque para Gafisa (GFSA3, R$ 3,14, -3,09%), Rossi (RSID3, R$ 3,10, -2,52%) e PDG (PDGR3, R$ 2,24, -2,18%). Além do cenário inflacionário piorar com a alta do dólar - o que denigre as margens do setor -, vale mencionar que o relatório Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira mostrou que o mercado projeta uma Selic maior para 2014, com a mediana das projeções indo de 9,25% para 9,50% ao ano.

Referências do dia
Ainda sobre o boletim Focus, a expectativa de crescimento do PIB foi mantida em 2,21% em 2013. A taxa de câmbio também mostrou aumento na comparação com a projeção anterior, indo de R$ 2,28 para R$ 2,30 ao final do ano.

Também divulgado nesta manhã, o IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado) desacelerou a alta vista no mês anterior para 0,11%, na segunda prévia de agosto, segundo informações da FGV (Fundação Getulio Vargas). No mesmo período de julho, o índice avançou 0,24%.

QE3 continua em foco
Os mercados mundiais apresentam certa apreensão em relação a divulgação da ata do Fomc (Federal Open Market Committee) e o início da Conferência de Jackson Hole, ambos na quarta-feira (21). A ata pode mostrar aos investidores como os membros do comitê posicionaram-se sobre a manutenção do programa de estímulo monetário norte-americano, o Quantitative Easing 3.

Desde maio, quando o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, anunciou que poderia começar a retirada gradual do programa de estímulo - que envolve a compra de até US$ 85 bilhões por mês em títulos - caso o mercado de trabalho e a inflação mostrassem estar no caminho desejado, os mercados têm reagido a cada discurso de um membro do Banco Central norte-americano. As apreensões ganham forças antes da divulgação da ata da última reunião que, apesar de ter mantido o QE3, mostrará como cada membro do comitê posicionou-se. A expectativa é de que o Fed inicie a retirada em setembro; entretanto, apesar do mercado de trabalho ter mostrado melhora, a inflação ainda está muito abaixo da meta de 2%.

Nesta manhã, os contratos futuros norte-americanos operam estáveis, após um "sell-off" no final da última sessão, com uma disparada do yield dos títulos públicos do país - o título com vencimento em 10 anos fechou a sessão em seu maior nível de rendimento desde julho de 2011. Há uma certa apreensão com a economia local e também com o fim do programa de compra de títulos pelo Federal Reserve. Além disso, a expectativa pela elevação da taxa de juros básica do país em meio aos sinais de melhora para a atividade norte-americana atrai mais investidores para os papéis do Tesouro norte-americano, diminuindo a atratividade dos investimentos de renda variável.

Tensão política na Alemanha e Itália
No Velho Continente, as preocupações com as eleições alemãs vão ganhando destaque. Por lá, a chanceler Angela Merkel, que tentará uma reeleição, disse em uma entrevista à rede de televisão ZDF que a população pode não confiar na oposição uma vez que eles tem um histórico de quebrar promessas para tomar o poder.

Na Itália, a tensão política continua, com o primeiro-ministro, Enrico Letta, rebatendo as afirmações feitas por Silvio Berlusconi. Letta disse que um colapso de seu governo acabaria com a recuperação econômica do país, rebatendo o discurso de Berlusconi, que garantiu que derrubaria o governo de Letta em outubro, caso seja retirado do Senado.

Balança comercial japonesa impulsiona Nikkei
Enquanto no Japão o Nikkei foi impulsionado pela balança comercial do país, que mostrou alta de 12,2% nas exportações japonesas - crescimento mais rápido em 3 anos - e um déficit maior do que o esperado em julho, com a diferença entre importações e exportações ficando em US$ 0,94 trilhões. O resultado foi beneficiado pela desvalorização do iene, que beneficia a competitividade das exportações locais e também pela recuperação da demanda externa por carros e eletrônicos.

 

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