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Ibovespa tem ganhos de quase 2% mesmo após Petrobras perder forças

Ações da petrolífera perdem força e analistas mostram-se pessimistas com futuro da empresa; resultado da Gafisa puxa ações de imobiliárias

Bovespa - mesa - corretores - mercado financeiro
(Divulgação/BM&FBovespa)

SÃO PAULO - Após fechar a semana anterior em alta, acumulando 2,89% nos cinco pregões, o Ibovespa continua operando no positivo nesta segunda-feira (12), com investidores estrangeiros zerando posições vendidas, dados chineses animando os mercados e os investidores analisando também a temporada de resultados brasileira. Às 12h55 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira subia 1,75%, a 50.745 pontos. Na máxima do intraday, o índice chegou a subir 3,02%, a 51.380 pontos.

Os dados chineses divulgados na última semana, incluindo os dados do setor monetário e de crédito, alimentam as esperanças de que o gigante asiático retome seu forte ritmo de crescimento, o que estimula o apetite por risco em diversos mercados, segundo Luis Gustavo Pereira, analista da Futura Investimentos. "Dados chineses sempre movimentam os mercados, e por serem positivos, aumentam a confiança em setores ligados ao país, como mineradoras", comenta.

Além disso, Pereira acrescenta que os investidores estrangeiros, que tem forte peso na bolsa, estão cada vez mais zerando suas posições, o que alimenta o cenário positivo que se desenha para o mercado brasileiro. Segundo dados do site Dados da Bolsa, na última sexta-feira (9) o saldo de investidores estrangeiros com contratos futuros em aberto no fluxo BM&F ficou positivo em 853 - ou seja, os contratos de compra superaram os de venda em 853, mostrando maior otimismo do mercado.

Resultados agitam a sessão
O resultado da Gafisa (GFSA, R$3,05, +4,81%) mostrou prejuízo de R$ 14,14 milhões, com cancelamento de contratos e queda anual de vendas mas mesmo assim as ações da companhia sobem e estimulam o resto do setor imobiliário, com PDG (PDGR3, R$ 1,90, +5,56%), Brookfield (BISA3, R$ 1,89, +6,18%), Rossi (RSID3, R$ 2,99, +4,18%) e MRV (MRVE3, R$ 7,76, +2,78%) subindo mais de 3% - juntas, as 4 ações respondem por 6% da composição do índice. Segundo Pereira, o resultado da Gafisa apontou melhora nos próximos balanços da companhia, o que pode impulsionar o setor.

Ainda em relação à temporada de resultados, as ações da Petrobras (PETR3, R$ 16,23, +0,93%; PETR4, R$ 17,23, +0,88%) sobem por toda a sessão, após a companhia reportar que seu lucro atingiu R$ 5,68 bilhões, mediante uma manobra contábil para minizar os efeitos da valorização do dólar no balanço da companhia.

No entanto, apesar da reação positiva do mercado, relatórios analisando os números mostram analistas pessimistas com a produtividade da empresa, além de mostrarem preocupação com o endividamento da petrolífera. Mais cedo, as ações ON da empresa chegaram a subir quase 4% e as PN 3,4% - as duas ações respondem por cerca de 10% do índice. A companhia agitou também o noticiário desta manhã, com acusações de propina, descoberta de óleo, contratos bilionários e a renúncia ao direito de preferência para os debêntures da Sete Brasil. 

Ainda na ponta positiva, as empresas de Eike Batista sobem mais de 6%, com LLX Logística (LLXL3, R$ 1,09, +6,86%), MMX Mineração (MMXM3, R$ 2,06, +6,74%) e OGX Petróleo (OGXP3, R$ 0,63, +6,78%). A petrolífera de Eike Batista comunicou nesta manhã que obteve licença ambiental para produção e escoamento do petróleo dos campos de Tubarão Martelo e Rêmora.

O noticiário chinês estimula o setor de mineração e siderúrgico. Com isso, as ações da Vale (VALE3, R$ 35,65, +2,59%; VALE5, R$ 31,39, +1,59%) operam em alta, uma vez que a China é o maior destino de suas exportações. Na esteira da mineradora, a Usiminas (USIM3, R$ 10,12, +6,53%; USIM5, R$ 9,95, +5,29%) e a CSN (CSNA3, R$ 7,27, +2,97%) também sobem. Por outro lado, das 71 ações que compõem o índice e dentre as nove que operam no negativo, apenas a ALL (ALLL3, R$ 8,93, -1,22%) cai mais de 1%.

Noticiário econômico
Entre as referências econômicas brasileiras, o relatório Focus do Banco Central mostrou menor projeção para o PIB (Produto Interno Bruto), com 2,21% ao final do ano. O relatório apontou ainda estabilidade na projeção para a Selic, que segundo o compilado, deve atingir 9,25% neste ano e aumentou sua expectativa para a taxa de câmbio, a R$ 2,23 em 2013.

Nesta semana, diversos países da zona do euro divulgarão as prévias de crescimento do segundo trimestre, a começar pela Grécia, que registrou contração de 4,6% na economia durante o período, ante expectativa de recuo de 5% - o país enfrenta seu sexto ano de recessão, acumulando recuo de 20% na economia desde 2008. Além disso, uma revista alemã disse no domingo (11) que o Bundesbank acredita que a Grécia deve precisar de mais empréstimos até o início de 2014, o que pode reacender na Alemanha o debate sobre a chanceler Angela Merkel, que para alguns, estaria projetando para baixo a necessidade de empréstimos antes das eleições de setembro.

Japão e China
Na Ásia, referências chinesas animaram os mercados. Por lá, o indicador M2, que mensura a quantia monetária em circulação e depositada em bancos, subiu para 14,5%, ante expectativa de 13,9% em julho. Já um indicador de crédito registrou 700 bilhões de yuanes, ante expectativa de 635 bilhões.

Os dados chineses ofuscaram indicadores não muito otimistas no Japão, com a prévia do PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre registrando crescimento de 0,6%, ante expectativa de 0,9%, após registrar 1,0%. Já os preços dos produtos caíram 0,3%, ante projeções de queda de 0,7% e a revisão da produção industrial de junho mostrou recuo de 3,1%, em linha com as estimativas, após registrar queda de 3,3%. O índice Nikkei caiu 0,71%, ante alta de 2,13% no Hang Seng e 2,38% no Shanghai, que registrou sua máxima desde meados de junho.

 

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