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Ibovespa zera perdas com recuperação de blue chips; CSN dispara após balanço

Assim como ontem, discursos nos EUA devem dar o tom do mercado durante a tarde; ações da Vale caem antes da divulgação de seu resultado trimestral

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(Getty Images)

SÃO PAULO - Após chegar a cair 0,54% nos minutos iniciais - estendendo as perdas da véspera, quando teve seu pior pregão desde junho -, o Ibovespa zera perdas, embalado pela recuperação de blue chips e pela disparada de siderúrgicas, que reagem ao resultado trimestral da CSN (CSNA3). Segundo cotação das 10h59 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira avançava 0,05%, a 47.443 pontos. Assim como ontem, os discursos de presidentes regionais do Federal Reserve devem tar o tom das negociações. Além disso, a expectativa acerca do resultado trimestral da Vale (VALE3, VALE5), que sairá após o fechamento do pregão, traz uma dose a mais de cautela para os investidores.

Por aqui, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de julho marcou inflação de 0,03% - a menor desde julho de 2010 -, indicando desaceleração ao resultado de junho (+0,26%). No entanto, é válido ressaltar que os economistas esperavam um resultado levemente melhor, trabalhando com projeções entre deflação de 0,03% e estabilidade. No acumulado em 12 meses, o IPCA marca avanço de 6,27% nos preços, abaixo do teto da meta do governo para 2013, de 6,5%. 

No entanto, as atenções dos investidores devem ficar com os discursos de membros do banco central norte-americano. Às 13h30, teremos o discurso de Charles Plosser, da Filadélfia, enquanto Sandra Pianalto, de Cleveland, falará às 14h40. Os discursos dão dicas aos investidores sobre a opinião dos membros do Fed sobre o início da retirada do QE3 (Quantitative Easing 3), que é o programa de estímulos do governo que abrange a compra mensal de até US$ 85 bilhões em títulos públicos.

Resultados agitam a sessão
Com a temporada de resultados corporativos ganhando forças, o mercado repercute o balanço de 10 companhias. Dentre elas, destaque para CSN (CSNA3, R$ 6,80, +4,94%), que vê suas ações liderarem os ganhos do Ibovespa após reportar um lucro líquido de R$ 494,46 milhões entre abril e junho - no mesmo período do ano passado, a siderúrgica teve um prejuízo de R$ 1 bilhão, fruto de um ajuste contábil. As receitas cresceram 14% na mesma base comparativa, para R$ 4,0 bilhões, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado atingiu R$ 1,0 bilhão - praticamente estável. No embalo da CSN, a Usiminas (USIM3, R$ 8,65, +1,76%; USIM5, R$ 8,73, +1,39%) também avança na Bovespa.

Outra empresa que faz parte do índice e que soltou seu balanço do 2º tri é a Cielo (CIEL3, R$, 55,08, -0,76%). A administradora de cartões registrou lucro líquido de R$ 623,3 milhões, um crescimento de 13,6% em relação ao 2º quarto de 2012. A receita cresceu bem mais: alta de 28,9%, atingindo R$ 1,60 bilhão. Com isso, a companhia teve uma margem líquida, de 38,8%. O Ebitda atingiu R$ 859,1 milhões, uma alta de 22%, levando a margem Ebitda (Ebitda/Receita Líquida) para 53,5%.

Colaborando para a virada do índice, as ações de Vale (VALE3, R$ 31,63, +1,02%; VALE5, R$ 28,62, +0,95%), que chegaram a cair 0,77%, Petrobras (PETR3, R$ 15,54, +1,37%; PETR4, R$ 16,42, +0,86%) - as ações PN da petrolífera caíram 1,11% no início da sessão - e das instituições financeiras Banco do Brasil (BBAS3, R$ 21,46, +0,19%), Bradesco (BBDC3, R$ 29,80, +1,12%; BBDC4, R$ 27,19, +0,48%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 28,47, -0,01%) e Itaúsa (ITSA4, R$ 8,20, -0,23%) mostraram recuperação nesta primeira hora de negociações - as ações dos bancos chegaram a cair cercar de 1%. Juntas, as 9 ações destas 6 empresas respondem por cerca de 36,3% do índice.

BoE e BoJ em foco
Na Europa, as principais bolsas operam com sinais mistos. Os investidores dividem-se entre a firmação do presidente do Bank of England, Mark Carney, que disse no relatório de inflação do BoE que o Banco Central não aumentará a taxa de juros até que o desemprego no Reino Unido recue para 7%, o que não deve acontecer em menos de 3 anos - e o avanço da produção industrial alemã, que subiu 2,4% em junho, ante expectativa de recuo de 0,3%. Ainda entre as referências positivas, o desemprego em Portugal caiu pela primeira vez em dois anos, com a taxa em 16,4% no segundo trimestre deste ano.

Já na Ásia, o Banco Central do Japão deu início a uma reunião de dois dias, onde é esperado que mantenha a sua promessa de aumentar a base monetária a um ritmo anual de cerca de 60 a 70 trilhões de ienes - ou US$ 600 a US$ 700 bilhões.

 

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