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Ibovespa volta a descolar-se dos EUA e vira para alta

Índice acionário brasileiro apresenta forte volatilidade em meio à temporada de resultados e indicadores

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(Rafael Matsunaga/Wikimedia)

SÃO PAULO - O Ibovespa opera com forte volatilidade, alternando entre perdas e ganhos nesta sexta-feira (26). O movimento destoa dos mercados mundiais, que caem apesar do indicador de confiança do consumidor norte-americano ter subido para sua máxima em 6 anos. Às 12h34 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira subia 0,18%, a 49.155 pontos. Na mínima do intraday, o índice apresentava queda de 0,88%, a 48.632 pontos.

No exterior, nem mesmo o Michigan Sentiment, indicador que mensura a confiança do consumidor norte-americano, animou os investidores e os índices acionários operam em queda. O indicador, compilado pela Universidade de Michigan, subiu para 85,1 em julho, 1 ponto acima do esperado pelo mercado e registrando a maior confiança em 6 anos.

Na Europa, em geral os índices apresentaram queda, com noticiário misto lembrando o aniversário de 1 ano do discurso em que Mario Draghi afirmou que faria o que fosse necessário para proteger a zona do euro e sua moeda de um colapso. Além disso, os preços de importação na Alemanha caíram 0,8%, ante projeções de queda de 0,4% e o pagamento de uma nova parcela do resgate internacional feito à Grécia foi aprovado, faltando a deliberação de alguns credores para a liberação do dinheiro, que está prevista para segunda-feira (29).

Bolsa caminha de lado
Para Pedro Galdi, analista-chefe da SLW Corretora, o dia deve continuar no zero-a-zero por aqui. "Os drivers desta sessão estão mistos, sem contar que a bolsa brasileira sofreu muito recentemente mas caminha para fechar o mês no positivo", disse o analista.

Além disso, Galdi destaca a queda nos preços de commodities, como minério de ferro e petróleo, e a alta do dólar como indicações que geram instabilidade por aqui. A temporada de resultados também movimenta o pregão, com investidores analisando balanços de empresas como Usiminas (USIM3, USIM5) e Embraer (EMBR3).

As ações da siderúrgica disparam mais de 8% neste momento - mais cedo, a alta marcada era superior a 10% - com a divulgação do resultado do 2º trimestre da companhia, que mostrou prejuízo líquido de R$ 22 milhões, número melhor do que o esperado pelos analistas. Além disso, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia aumentou em 90,1% na comparação com o mesmo período de 2012, para R$ 441 milhões. O bom resultado ajuda a impulsionar sua concorrente CSN (CSNA3, R$ 6,81, +6,41%), que apresenta a terceira maior alta do índice.

Ainda entre os maiores ganhos, aparecem as ações da Oi (OIBR3, R$ 5,44, +3,62%OIBR4, R$ 5,07, +2,84%), que mostra a maior alta das empresas que compõem o Ibovespa nesta semana (+28%) e registra 50% de valorização nas últimas duas semanas. Por outro lado, no acumulado do ano as ações ainda registram queda de mais de 30%.

Embraer, bancos e Vale "anulam" altas
No entanto, o desempenho negativo de importantes ações do Ibovespa anulam as fortes altas vistas em siderúrgicas. Ocupando a maior queda do índice, aparece a Embraer (EMBR3), cujas ações recuam 4,76%, para R$ 20,00, após a fabricante de aeronaves reportar um prejuízo inesperado de R$ 9,9 milhões no segundo trimestre, ante lucro de R$ 124 milhões em 2012. Segundo a companhia, o resultado foi impactado pela valorização do dólar em relação ao real no período, o que afetou ativos não monetários, como estoques e imobilizado, aumentando os impostos diferidos, mas sem o desembolso de caixa. Excluindo esse impacto, o lucro líquido ajustado teria sido de R$ 192 milhões, afirma a companhia.

Também na ponta negativa, aparecem as empresas do setor imobiliário Rossi (RSID3, R$ 2,76, -2,13%), MRV (MRVE3, R$ 6,93, -0,57%) e PDG (PDGR3, R$ 1,94, -1,02%).

 

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