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Ibovespa vira e apresenta alta, impulsionado por Petrobras e siderúrgicas

Apesar da alta, Ibovespa ainda opera abaixo dos 46.000 pontos; B2W dispara 5% após forte queda no pregão anterior

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(Getty Images)

SÃO PAULO - Após três quedas consecutivas e um início de pregão negativo nesta quarta-feira (3) - o índice chegou a cair 0,92% no intraday -, o Ibovespa vira e registra alta de 0,97%, com 45.668 pontos na cotação das 12h45 (horário de Brasília). O movimento diverge dos mercados internacionais, com índices europeus fechando em queda e os norte-americanos consolidando ganhos nesta tarde.

Segundo Marcelo Hamel, sócio-diretor da Monte Bravo Investimentos, o movimento da bolsa é quase natural, uma vez que ela caiu mais do que os índices mundiais nas últimas sessões. "O movimento de repique acontece em meio às fortes quedas, como a vista no final do último pregão. O que chama atenção é a distância entre a pontuação do índice de contratos futuros e o Ibovespa", comenta.

A diferença apontada por Hamel é na pontuação dos dois índices brasileiros. Na véspera, o Ibovespa fechou em queda e os contratos futuros acentuaram as perdas. Com isso, em um cenário não cotidiano, a pontuação do índice futuro com vencimento em agosto apresenta 45.400 pontos, com alta de 2,02% e o benchmark do pregão regular da bolsa brasileira opera com 45.610 pontos.

A valorização nas ações de empresas com forte participação no índice, como Petrobras (PETR3, R$14,70, +3,96%; PETR4, R$ 15,84, +2,92%) e Usiminas (USIM3, R$ 7,58, +4,55%USIM5, R$ 7,31, +5,18%) impulsiona o índice brasileiro - juntas, as duas companhias respondem por 12% da composição diária do índice. Ainda entre as maiores altas, destaque para a B2W (BTOW3, R$ 7,24, +7,26%) que sobe pelo segundo pregão seguido - na véspera as ações da companhia de varejo subiram 6,64%. A Gerdau (GGBR4, R$ 13,52, +3,60%) e a Vale (VALE3, R$ 28,81, +1,09%; VALE5, R$ 26,30, +0,77%) também ajudam a impulsionar o índice.

Por outro lado, as empresas do Grupo EBX continuam apresentam queda, mas amenizam suas perdas. A MMX Mineração (MMXM3, R$ 1,08, -1,82%) chegou a cair 9,09% na mínima do intraday e a LLX Logística (LLXL3, R$ 0,77, -2,53%) desvalorizou 8,86% no menor patamar do dia. A maior queda continua sendo a OGX Petróleo (OGXP3, R$ 0,40, -11,11%), que tem sofrido diversos cortes de recomendação após a suspensão de três projetos no campo de Tubarão Azul e chegou a cair 17,78% no intraday.

EUA: feriado e indicadores de emprego
Nos EUA, as bolsas fecharão hoje às 13h do horário local - ou 14h, horário de Brasília - devido ao feriado de Dia da Independência que será comemorado amanhã. Com isso, diversos indicadores foram antecipados para esta sessão. É o caso do ADP Employment, que mostrou que foram criados 38 mil empregos a mais do que o esperado em junho.

Tradicionalmente divulgado às quartas-feiras, Initial Claims, que mede o número de pedidos de auxílio-desemprego no país semanalmente ficou praticamente em linha com o esperado, com 343 mil novas solicitações. Os dados de emprego serão observados com cuidado, uma vez que o setor de trabalho é um dos mais analisados pelo Federal Reserve para aferir o andamento da economia norte-americana.

Já o ISM Services, responsável pela mensuração do nível de atividade não-industrial do país, registrou alta menor do que a esperada em junho, com 52,2, ante expectativas de 54,0 e 53,7 vistos no mês anterior. Por falar em Estados Unidos, o pregão por lá fechará hoje às 14h, horário de Brasília, por conta do feriado de Dia da Independência que será comemorado amanhã, dia em que os mercados norte-americanos permanecerão fechados.

Crises políticas em Portugal e Egito
As desavenças políticas em Portugal derrubam os índices acionários da região. No início desta semana, Vitor Gaspar, então ministro das Finanças do país renunciou. Menos de 24 horas depois, o ministro de Relações Exteriores, Paulo Portas, também anunciou que quer deixar o ministério, insatisfeito com a continuidade das políticas de austeridade e com a escolha de Maria Luís Albuquerque para o cargo deixado por Gaspar, mas o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho disse não aceitar a renúncia do chanceler.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, avaliou a situação portuguesa como delicada e disse que o país tem que agir rapidamente para reconquistar sua estabilidade política ou corre o risco de prejudicar a recuperação econômica. Vale mencionar que a bolsa portuguesa opera hoje com queda de mais de 5%.

Já no Egito, as tensões continuam em pauta, uma vez que o presidente Mohammed Morsi recusa-se a renunciar ao cargo, apesar dos clamores populares e da pressão de diversas entidades internacionais e do exército local. Na segunda-feira, os militares deram um ultimato de 48 horas para o presidente resolver a crise política que assola o país. O fim do prazo pode levar a mais confrontos violentos. A região preocupa os investidores uma vez que pode uma guerra civil lá pode influenciar na oferta de petróleo, contribuindo para a alta de mais de 2% no preço dos contratos futuros da commodity.

PMI chinês, europeu e brasileiro
Na Ásia, os principais índices acionários caem após a divulgação na véspera, dos dados do PMI de serviços chinês. O indicador "oficial" do setor não-manufatureiro caiu para 53,9 em junho, ante 54,3 registrados no mês anterior, registrando seu menor patamar em nove meses.

Na Europa, a divulgação de PMIs de serviços chamam a atenção no continente, com 45,8 na Itália e 48,3 na zona do euro - os dois com valores abaixo do esperado e da marca que separa contração de expansão. Na Espanha, o PMI ficou em linha com as expectativas, com 47,8, mas ainda abaixo de 50, indicado contração.

Por aqui, o PMI de serviços apresentou leve queda em relação ao mês anterior. Em junho, o índice registrou 51,1, ante 51,2 em maio. O resultado apresenta modesta expansão do setor, impulsionado principalmente por volume de novos negócios, diz o HSBC.

 

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