Em mercados / acoes-e-indices

Devolvendo quedas, Ibovespa sobe mais de 1%, mas segue abaixo dos 47.000 pontos

Índice brasileiro apresenta recuo de 23% no acumulado do ano; referências internacionais guiam desempenho

Bovespa - mesa - corretores - mercado financeiro
(Divulgação/BM&FBovespa)

SÃO PAULO - O Ibovespa iniciou a sessão desta terça-feira (25) em alta, chegando a subir 1,81%, a 46.795 pontos, mas perde forças, com ações de mais empresas caindo e com a diminuição dos fortes ganhos vistos por alguns ativos no começo do pregão. O ânimo dos investidores no início do dia aconteceu em meio a um forte repique em meio às quedas das sessões anteriores - na véspera, o índice fechou abaixo dos 46.000 pela primeira vez desde abril de 2009 - e pela tentativa do governo chinês de amenizar os temores que se formaram na véspera sobre o setor financeiro do país. Na cotação das 12h33 (horário de Brasília), o principal índice acionário brasileiro subia 1,43%, a 46.624 pontos.

As referências internacionais ditam o rumo da bolsa brasileira, uma vez que a economia nacional não apresenta sinais de mudanças, segundo João Pedro Brugger, economista da Leme Investimentos. "O cenário interno está ruim e a bolsa em um nível muito baixo, então as perspectivas internacionais acabam ganhando maior destaque para as movimentações na Bovespa", comenta.

Para Brugger, além de um movimento técnico natural após a forte queda da véspera, a bolsa brasileira apresenta preços atrativos para investidores. "Operando perto dos 47.000 pontos, o Ibovespa é atrativo, com preços baixos. O problema será caso perder esse patamar", explica. A bolsa brasileira tem apresentado forte desvalorização neste ano, sendo que desde que atingiu seu maior fechamento do ano (63.312 pontos), em 3 de janeiro, já perdeu mais de 16 mil pontos. No acumulado do ano, o índice apresenta queda de 23,53%.

Grupo EBX lidera ganhos
Entre os destaques da ponta positiva do Ibovespa nesta sessão, o maior destaque fica para o Grupo EBX, do megaempresário Eike Batista, que sobe durante todo o pregão em meio às sinalizações de que a Glencore Xstrata possa desenvolver uma parceria com o BTG Pactual para fechar um acordo de venda de ativos com a MMX, mineradora de Eike Batista. Na máxima do intraday a MMX Mineração (MMXM3, R$ 1,57, +12,14%) chegou a subir 13,57%, cotada a R$ 1,59. A OGX Petróleo (OGXP3, R$ 0,82, +5,13%) e a LLX Logística (LLXL3, R$ 1,03, +4,04%) também sobem.

Ainda entre as altas, destaque para Usiminas (USIM3, R$ 7,99, +4,44%; USIM5, R$ 7,91, +6,03%) e Gol (GOLL4, R$ 7,20, +6,98%), que caíram mais de 8% na véspera. O setor imobiliário também apresenta ganhos, com Gafisa (GFSA3, R$ 2,84, +5,19%), PDG Realty (PDGR3, R$ 2,17, +4,33%) e Brookfield (BISA3, R$ 1,45, +3,57%).

Por outro lado, a Vale (VALE3, R$ 29,32, +1,49%; VALE5, R$ 27,36, +1,75%) diminuem seus ganhos, sendo que chegou a subir mais de 2% no intraday. O mesmo movimento acontece com a Petrobras (PETR3, R$ 14,83, +0,54%; PETR4, R$ 16,02, +0,69%), que chegou a valorizar mais de 3%. Juntas, as duas empresas possuem cerca de 20% de participação na composição do índice.

Discurso de Draghi
No noticiário internacional, repercurte o discurso de Mario Draghi, no qual o presidente do BCE (Banco Central Europeu) afirmou que o programa de compra de títulos europeu é necessário agora, uma vez que o anúncio de possível retirada dos estímulos nos EUA repercurte nos mercados mundiais negativamente. "Em termos de política monetária, a estabilidade de preços está garantida e o cenário econômico geral ainda requer uma postura acomodativa", acrescentou Draghi.

Indicadores nos EUA
Ainda no exterior, os índices norte-americanos sobem impulsionados por indicadores econômicos melhores do que o esperado. O grande destaque ficou com a confiança do consumidor nos EUA, que subiu para 81,4 em junho, ante projeções de 75,0 e atingiu maior patamar em cinco anos. O Durable Good Orders, indicador que mensura as encomendas ao setor industrial norte-americano, também aumentou mais do que o esperado, com 3,6%, ante expectativa de 3% em maio.

Por outro lado, no setor imobiliário os indicadores apontaram resultados divergentes em abril. Enquanto o FHFA House Price Index, que mede as hipotecas, subiu 0,7% em abril - valor menor do que o registrado no mês anteiror, de 1,5% -, o Case-Shiller Home Price, que mostra a trajetória dos preços das casas, registrou alta de 12,1%, ante expectativa de 10,5%. O indicador de vendas de novas casas subiu para 476 mil em maio, ante projeções de 460 mil.

O mercado recentemente tem visto a melhora na economia norte-americana com receio, uma vez que dados positivos podem estimular o Federal Reserve a antecipar a retirada de seu programa de estímulo econômico, o Quantitative Easing 3. Destoando do mercado, Brugger analisa que a retirada tem bases sólidas e não deve levar a um colapso econômico no país. "Se os indicadores mostram uma melhora econômica consistente, não há razão para temer o fim do programa de estímulos", diz o economista.

China tenta amenizar temores
Já no front asiático, as autoridades chinesas tentam amenizar o impacto de sua declaração na véspera - quando disse que afrouxou seu aperto monetário pela última vez no país, reiterando que os bancos precisam trabalhar de maneira mais eficiente - comentando que não irão apertar os bancos com muita força em sua tentativa de conter o crédito fácil. Ling Tao, autoridade do BC, disse ainda que o risco de liquidez no sistema bancário está sob controle e que o órgão guiará as taxas de juros do mercado para níveis razoáveis.

A declaração foi feita após o fechamento do mercado asiático e, por isso, não influenciou nos índices, que apresentaram quedas. O índice acionário de Xangai caiu 0,16% nesta sessão, após despencar mais de 5% na véspera. No Japão, o índice Nikkei terminou esta terça com queda de 0,72%, após cair 1,26% ontem.

Inflação de São Paulo e Nota do BC
Por aqui, as atenções ficam com o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) calculado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), que mede as variações de preços na cidade de São Paulo e registrou alta de 0,30% na terceira prévia de junho, após subir 0,18% na prévia anterior. Segundo a Fipe, o aumento na tarifa do transporte público na cidade pesou sobre o índice, mas com a revogação do aumento, deve ocorrer uma correção nos próximos resultados.

Já o Banco Central divulgou que o estoque total de crédito no Brasil aumentou 1,5% em maio ante abril, chegando a R$ 2,486 trilhões, ou 54,7% do PIB (Produto Interno Bruto). Já a taxa de inadimplência no segmento de recursos livres ficou em 5,5% em maio, estável pelo terceiro mês consecutivo, segundo o BC.

 

Contato