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Ibovespa cai 1% e perde os 48.000 pontos, puxado por elétricas e empresas "X"

Ações da Copel caem mais de 10% após reajuste tarifário e puxam restante do setor; na agenda econômica, IPCA-15 desacelera, mas fica acima da meta

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(Divulgação/BM&FBovespa)

SÃO PAULO - O Ibovespa ignora a recuperação vista no final do pregão anterior e opera em queda de 1,40%, a 47.561 pontos, segundo a cotação das 10h34 (horário de Brasília). Na véspera, o benchmark da bolsa brasileira chegou a recuar mais de 4% durante a manhã, mas recuperou-se no decorrer do dia e fechou com alta de 0,67%, a 48.214 pontos, sua máxima do dia.

Com esse movimento, o índice de ações acumula perdas de mais de 3% na semana, caminhando para a 4ª queda semanal consecutiva. No acumulado do ano, o "termômetro" da bolsa brasileira indica variação negativa na faixa de 21%.

O movimento do Ibovespa nesta sexta-feira (21) destoa daquele visto nas bolsas dos Estados Unidos, que ensaiam alta após registrarem sua pior sequência de dois pregões desde 2011. Já na Europa, a maioria dos índices acionários opera em queda, após chegarem a subir forte no começo do dia.

Elétricas e Eike puxam quedas
Dentre as maiores quedas registradas na Bovespa, destaque para o setor elétrico, com a 
Copel (CPLE6, R$ 27,30, -13,20%) despencando mais de 10% após o governador do Paraná pedir à empresa para abdicar do reajuste de 14,61% nas tarifas. O movimento puxa outras empresas que também trabalham com reajuste tarifários, tais como a empresa de saneamento básico Sabesp (SBSP3, R$ 21,36, -7,69%) e a distribuidora Light (LIGT3, R$ 15,14, -6,54%). 

As empresas do grupo EBX, de Eike Batista, também aparecem entre as maiores quedas no Ibovespa, com MMX Mineração (MMXM3, R$ 1,34, -5,63%), LLX Logística (LLXL3, R$ 1,12, -6,67%) caindo mais de 5%. A OGX Petróleo mostra uma desvalorização mais amena (OGXP3, R$ 0,84, -3,45%), mas também contribui para o dia negativo do índice, tendo em vista sua forte participação na composição do Ibovespa.

Os "pesos-pesados" Petrobras (PETR3, R$15,57, -2,99%; PETR4, R$ 16,75, -1,59%) e Vale (VALE3, R$ 30,70, -0,81%VALE5, R$ 28,43, -0,73%) apresentam quedas entre 0,7% e 2% e também contribuem com a baixa no índice, uma vez que juntas correspondem a mais de 20% da composição do Ibovespa.

 No lado positivo, apenas uma ação sobe mais de 1% neste momento: a Fibria (FIBR3, R$ 25,43, +1,72%), que já acumula alta de 14,5% na semana, impulsionada pela disparada do dólar.

Inflação desacelera, mas segue acima da meta
O
 IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) mostrou avanço 0,38%, ante alta de 0,46% vista em maio. Já a mediana das projeções compiladas pela Bloomberg apontava para inflação de 0,37% no período.

 No acumulado em 12 meses, o índice registra alta de 6,67%, valor acima do teto da meta estipulado pelo governo, de 6,5% - o centro da meta para o ano é de 4,5%, com limite de oscilação de 2 pontos percentuais para cima e para baixo.

 Reuniões na Europa e comunicado de Bullard dos EUA
No Velho Continente, os índices apresentam alta após registrarem a maior queda em uma sessão desde 2011. Por lá, ganham destaque reuniões de ministros da zona do euro e entrevista de David Lipton, membro do FMI (Fundo Monetário Internacional), que disse ao portal CNBC que falar sobre uma suspensão do resgate à Grécia é prematuro. O comentário veio após uma fonte dizer ao Financial Times que o FMI prepara-se para retirar seu apoio monetário ao país ao final de julho, a não ser que líderes da zona do euro cobrissem entre € 3 bilhões e € 4 bilhões do financiamento grego.

Na noite da última quinta-feira, os ministros das finanças da zona do euro acertaram que o mecanismo de resgate terá € 60 bilhões de euros para injetar em bancos sistemicamente importantes e que governos contribuirão com 20% do aporte de capital necessário. Nesta sexta-feira, os ministros definirão regras para impor perdas a grandes poupadores quando bancos quebrarem.

Por lá, o presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, disse temer que a decisão do banco central norte-americano tenha sido tomada na hora errada e que pensa que o BC deveria ter sinalizado mais enfaticamente sua disposição de defender a taxa de inflação próximo de 2%.

 

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